30 dúvidas dos pais

mae34(1)

"Quando posso dar umas palmadas?"
A pergunta campeã dos pais nos consultórios 
 
1. Sempre que meu bebê chora, atendo prontamente. Estou certa em fazer isso?
Não. Está errada. Ao contrário do que pensam os pais, o choro do filho nem sempre está associado a sofrimento. Às vezes, ele só quer chamar sua atenção. Nesse caso, não faz mal deixá-lo esperando um pouquinho. Só dê pronto atendimento em caso de doença.

2. Meu filho só quer colo. Devo cortar esse hábito?
Deve. Coloque-o no carrinho ou no chão, sempre sob a supervisão de um adulto. Se ele já engatinha ou anda, deixe que se desloque por seus próprios meios. Pai e mãe não podem ser táxi do filho, levando-o de um lado para outro. Isso cria uma relação de dependência muito negativa.

3. Minha filha de 1 ano se recusa a largar o peito. Que fazer?
Não tenha pressa em desmamá-la. Saiba apenas que alimentar criança no peito é fundamental até o sexto mês, útil até o primeiro ano e, a partir daí, há controvérsia no meio médico sobre sua validade.

4. Devo tirar os objetos quebráveis da vista do meu filho pequeno?
Se algum objeto pode de fato machucar a criança, substitua-o por um inofensivo. Agora, se você quer que um porta-retratos ou uma relíquia se mantenham onde sempre estiveram, explique a seu filho que não deve mexer ali. É fundamental que ele aprenda a lidar com limites.

5. Como fazer meu filho guardar os brinquedos depois de brincar e não jogar roupa no chão?
A criança precisa saber que a casa é da família, e não propriedade particular dela. Avise-a antes de começar a brincadeira: ela pode esparramar tudo. Depois, deve juntar tudo. Ajude-a a guardar.

6. Como evitar que meu filho vá dormir na minha cama?
Não há como evitar, mas leve-o de volta sempre que isso acontecer. A atitude reforça os limites e noções do que é meu, seu e nosso.

7. Meu filho se joga no chão do supermercado e fico sem ação. Como lidar com isso?
A criança não pode vencer as batalhas recorrendo ao escândalo. Em troca do silêncio, jamais ofereça compensações como um doce, brinquedo ou passeio. Também não se desgaste passando sermões. Uma saída é tirar a criança do lugar público e explicar de maneira firme que ela não pode se comportar desse jeito. Se fizer novamente, deverá ser informada de que não irá ao supermercado na próxima vez.

8. Como agir quando meu filho não divide os brinquedos com os amigos?
Insista na idéia de que, se ele não aprender a repartir o que é dele, acabará brincando sozinho.

9. Soube pela escola que meu filho morde os coleguinhas. Como devo agir?
Isso não pode acontecer. Ainda que ninguém morda sem motivo, o filho dos outros não tem nada a ver com isso. Chame-o para conversar e mostre que a agressão provoca dor. Informe que ele não pode repetir a atitude.

10. Meu filho tem sido vítima de um coleguinha que o morde na escola. Como proceder?
Isso não pode acontecer. Seu filho não vai à escola para ser vítima de ninguém. Reclame com a direção da escola e cobre uma providência. Mas jamais entre em confronto com os pais do agressor.

11. Como ensinar meu filho que não se pode ganhar todas?
Ninguém quer perder. Para vencerem, muitas crianças roubam no jogo, mudam as regras. Não permita que isso aconteça. O filho pode achar que os fins justificam qualquer meio. É fundamental que ele conquiste a vitória pelos próprios méritos.

12. Quando posso dar umas palmadas?
As palmadas são um testemunho da incompetência dos pais como educadores. A criança pode até obedecer, mas o faz por medo de apanhar, e não por respeito. Um olhar seguro e bem dado é, sem dúvida, muito mais eficiente.

13. Castigo funciona?
Funciona, sim. Ele alivia a culpa da criança, que paga o que estava devendo e tem direito a novos créditos. O castigo também age como disciplinador. Ele atirou um brinquedo contra a parede? Fica sem brincar com outro brinquedo por um ou dois dias. Uma falta grave pode ser castigada com a retirada de atenção. Você pode dizer que gosta muito de seu filho, mas ficou chateada com o que fez e não vai falar com ele durante um certo tempo.

14. Meu filho só faz o que peço quando grito. Como saio dessa situação?
O grito é um mau hábito. Ele não impõe disciplina. Um diálogo eficiente deve ser feito face a face, num tom de voz normal – ainda que você precise repetir a instrução para a criança.

15. Devo sempre explicar por que estou dizendo não?
Não. Até os 5 anos, a criança não deve receber muita explicação. Ela apenas quer autorização para fazer algo.

  
Outro dilema freqüente dos pais:
"Meu filho só faz o que peço quando grito. Como saio dessa situação?"
 

16. Às vezes, depois de dizer não a meu filho, vejo ódio nos olhos dele. Como evitar isso?
Fique firme. Quando contrariada, a criança sente muita raiva, sim, e não raro deseja que o pai ou a mãe morram. Mas é esse seu lado mau, o de impor limites, que faz a criança crescer. Seu "não" será ruim hoje, mas ótimo amanhã.

17. Quando digo sim, meu marido diz não. Meu filho irá perceber nossa incoerência?
Provavelmente já percebeu. Mãe e pai até podem ter idéias diferentes a respeito da educação do filho, mas não devem demonstrar isso à criança. Acabam se desqualificando e perdendo a autoridade. O ideal é chegarem a um consenso antes de estabelecer regras.

18. Devo deixar minha filha vestir o que ela quer?
Não. Para ir à escola, ela deve seguir as regras propostas pela direção. Fins de semana admitem uma flexibilização. Não faz sentido insistir para que use uma calça A se ela quer vestir a B. No entanto, não se deve aceitar que saia de microssaia num frio danado. O melhor é combinar antes para evitar discussões de última hora.

19. Meu filho tem o direito de me interromper quando estou conversando com amigos?
Não. Verifique, no entanto, se ele tem recebido de sua parte a devida atenção. Pais ocupados demais excluem a criança da agenda e ela passa a ver toda pessoa – seus amigos, no caso – como competidor. Qualquer que seja a razão, contudo, a criança deve aprender a conviver com limites.

20. Há algum segredo para ensinar meu filho a cumprimentar as pessoas?
Até os 5 anos, a criança é muito seletiva. Tem horror ao diferente e às vezes implica com alguém por causa de um perfume, de um beijo melado ou de uma voz mais aguda. Então não há muito a fazer nesse sentido, a não ser dar o exemplo.

21. Como reagir se minha filha me bate quando me nego a fazer o que ela pediu?
Esse tipo de comportamento precisa ser coibido. Você não tem o direito de bater nem o dever de apanhar. Recriminar é também educar.

22. Meus filhos vivem brigando e normalmente preciso intervir. Como saber quem tem razão?
Tentar descobrir quem é o culpado leva a punições injustas. Em caso de brigas sérias, castigue os dois – e no mesmo grau.

23. Meu marido fala palavrões e nosso filho faz o mesmo. Como evitar que isso continue a acontecer?
O certo é atacar o mal pela raiz: o pai.

24. Já peguei meu filho mentindo mais de uma vez. Há meios de evitar que isso vire um vício?
Às vezes, a criança falta com a verdade porque está se sentindo acuada. Para eliminar as mentiras, colabore e evite os impasses. Digamos que você queira saber se ela guardou os brinquedos no lugar. Em vez de perguntar: "Você guardou o carrinho no lugar?", prefira algo do tipo: "Não sei se você guardou direito o carrinho. Vamos dar uma olhada?".

25. Meu filho não come nada. Como fazer com que se alimente melhor?
Cabe aos pais montar um prato com os ingrediantes de uma alimentação balanceada. Se a criança não quiser comer, deverá ser informada de que só voltará a ter direito a comida na próxima refeição. E nada de ceder à tentação e deixá-la beliscar fora de hora.

26. Meu filho só quer comer em frente da televisão. Como levá-lo à mesa?
Lugar de jantar ou almoçar é à mesa – com a TV desligada. Crianças habituadas a comer diante da televisão estão mais propensas a engordar na adolescência e na vida adulta.

27. Quando viajamos, devo carregar os alimentos de que meu filho gosta?
De casa, leve apenas remédios. Viagens em família são uma ótima oportunidade para mudar maus hábitos alimentares da criança. Vai ser ótimo para que aprenda a lidar com o mundo exterior.

28. Como evitar que meus pais estraguem meus filhos?
Os netos extrapolam porque os avós querem se divertir, não educar. Quando a criança volta para casa, deixe claro que as regras são outras.

29. De que forma se pode convencer uma criança a escovar os dentes após as refeições?
Fale sobre os riscos da cárie e conte com a ajuda do dentista. Ele vai saber explicar de forma divertida como fazer a higiene e respaldar aquilo que você vinha dizendo havia tempos. Em casa, reforce os ensinamentos do profissional.

30. Depois que me separei, acho que afrouxei os limites que impunha ao meu filho. Devo retomar o modelo anterior?
Imediatamente. Compreende-se que pais separados temam a rejeição. Mas nunca se deve deixar que isso atrapalhe na disciplina. Todas as crianças precisam de limites. A dificuldade adicional, nesse caso, é que pai e mãe precisam estabelecer limites conjuntos para evitar ordens contraditórias.

 

Ceres Alves de Araújo é psicóloga e professora de pós-graduação da pontifícia Universidade Católica Claudio Rossi
 

 

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