500 euros para cada trabalhadora grávida

As trabalhadoras da Fundação Assistência, Desenvolvimento e Formação Profissional, em Miranda do Corvo, podem ser mães sem receios. Não perdem o emprego e ainda recebem um "prémio de maternidade" no valor de 500 euros. "É um descanso", dizem.

Desde que entrou em vigor, há cerca de dois anos, o incentivo à maternidade da Fundação Assistência, Desenvolvimento e Formação Profissional (ADFP) foi atribuído a seis funcionárias. E há mais grávidas. "Penso que somos umas privilegiadas", diz Vera Oliveira, de 31 anos, na fase final da gravidez, aquando da reportagem do JN.

"Queria muito ter este bebé, mas o facto de saber que não corria o risco de perder o emprego ajudou. Principalmente, nesta altura de crise, em que é difícil arranjar emprego, quanto mais sendo de etnia cigana", prossegue Vera. "Se estivesse a trabalhar num outro local, pensava duas, três ou mais vezes antes de engravidar".

A irmã, Liliana Oliveira, de 34 anos, sofreu essa discriminação na pele, quando esperava o segundo filho (tem três) e trabalhava num café, em Espanha. "Ainda não tinha contrato e, assim que souberam que estava grávida, disseram-me que não iam contratar mais pessoal", recorda. Na Fundação ADFP – onde presta cuidados aos utentes, tal como Vera -, conheceu a realidade oposta.

Liliana e Rosa Nascimento, de 42 anos, foram das primeiras a beneficiar do "prémio de maternidade". Rosa, que integra o serviço de apoio domiciliário, estava, então, grávida de uma menina que vai fazer dois anos. Tem quatro filhos.

"Um exemplo" para o país

O presidente da Fundação ADFP, Jaime Ramos, quis fazer da instituição "um exemplo", no que respeita à maternidade das trabalhadoras, apostando numa "discriminação positiva". "Sentimos que, embora em Portugal exista toda uma legislação que salvaguarda os direitos das mulheres, enquanto trabalhadoras, ela não é bem cumprida e há abusos", explica o médico, que elege o "problema da natalidade" como "o mais grave de todos" os que afectam Portugal.

"Ajuda. Então hoje em dia!", atira Ana Maria Fernandes, de 33 anos, professora de ATL, com um filho de nove meses.

"É uma ajuda muito boa", reforça Patrícia Fernandes, psicóloga, de 27 anos, mãe recente. "Hoje, não deixam sair o bebé da maternidade sem ser num ovo. E não são propriamente baratos". Sobre a forma como a Fundação lida com a maternidade das trabalhadoras, garante: "É um descanso".

in JN

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