A depressão materna afeta a interação mãe-bebé?

depressao parto

depressao partoMuitas são as vezes em que os familiares ficam alarmados porque sentem que a mãe não está a responder de uma forma eficaz às necessidades do bebé! E por vezes atribuem a depressão pós-parto como a explicação para este comportamento.
Mas será que a depressão materna e a depressão pós-parto são sinónimos?
Será que têm o mesmo impacto na interação com o bebé?

No futuro podem ser crianças e/ou adultos com tendência para a depressão?
Como todos sabemos a depressão é mais do que “uma simples tristeza”, é uma perturbação afetiva, na qual nos sentimos infelizes e em que determinados problemas relacionados com o sono, interesse, alimentação e concentração, surgem.
Respondendo agora às questões:
Mas será que a depressão materna e a depressão pós-parto são sinónimos?
Será que têm o mesmo impacto na interação com o bebé?
Ao nível da depressão pós-parto temporária e de acordo com vários estudos, o que se verifica é que esta tem pouco ou nenhum impacto na forma como a figura materna interage com o bebé, sendo totalmente diferente quando falamos em depressões graves ou severas (com uma duração de seis meses ou mais), em que a relação vinculativa mãe-bebé sofre consequências negativas. E que consequências são essas?
Os bebés podem desistir de enviar sinais emocionais porque, frequentemente, não têm respostas maternas securizantes, levando a que se reconfortem a si mesmos através da sução ou balançando-se. Para além destes aspetos, podem aprender que não conseguem provocar respostas nos outros, que a mãe não é alguém em quem possam confiar, e que o mundo que os rodeia não é de confiança e seguro.
Para além destes aspetos, vários estudos têm constatado que a depressão materna se espelha de diferentes formas nas pessoas, ou seja, existem mães deprimidas altamente intrusivas que ignoram ou não respondem aos sinais emocionais dos filhos, que os consideram como um fardo e difíceis de cuidar; e por outro lado mães deprimidas inexpressivas, ansiosas e pouco responsivas. Tem-se verificado que estes comportamentos são um espelho da forma como os próprios bebés reagem perante os estímulos: os bebés de mães deprimidas intrusivas, revelam níveis de hormonas de stress muito elevados e os bebés de mães deprimidas inexpressivas apresentam comportamentos apáticos, pouco expressividade e exploração do meio.
De uma forma geral, são bebés com mais propensão do que os outros para estarem sonolentos ou tensos, choram frequentemente, parecem tristes e/ou zangados mais vezes e mostram-se menos motivados e interessados em explorar o meio, preferindo tarefas pouco desafiantes.
No futuro podem ser crianças com tendência para a depressão? Podem ter outras perturbações emocionais?
Quando olhamos para a primeira infância e para o período pré-escolar, e tendo em conta experiências de vinculação, predominantemente, inseguras marcadas pela depressão
materna, a criança demonstra uma reduzia tendência para a procura de proximidade, interação ou contacto após um período de separação, ficando menos perturbados do que os outros, quando se separam das mães.
Poderão ser crianças com dificuldade em suprimir a frustração, tensão e de se envolverem no jogo simbólico (“faz de conta…”). Futuramente podem apresentar problemas do comportamento e outras perturbações emocionais e cognitivas.
Não nos podemos esquecer que “cada caso é um caso”, ou seja, estes são alguns resultados que têm sido evidenciados em estudos que investigam a depressão materna, mas também existem casos de resiliência, em que efetivamente a presença de outros elementos suportativos e o próprio temperamento e personalidade podem ser fatores predominantes na forma como a criança irá responder às circunstâncias da vida.
Ser-se mãe é uma tarefa muito desafiante! Especialmente para mães que passam pela depressão em que, habitualmente sentem que não têm controlo sobre as suas vidas, que nada faz sentido … em que vivem e percecionem o mundo restringido a tons de cinzento.
Já pensou em como deve ser difícil responder, educar, securizar um filho nestas condições?! Mas também percebemos que este estado emocional tem muito impacto no bebé e por isso mesmo é importante a interação com adultos não deprimidos (pai, avós, educadora de infância) pois estes podem ajudar a compensar os efeitos da depressão materna.
Reconhece alguém que esteja a passar por este momento? Ouvir música, técnicas de meditação como o mindfulness, o relaxamento, sair de casa, frequentar grupos de pais, são algumas das técnicas que podem ajudar a melhorar o humor de mães deprimidas.
Dar cor à vida de mães deprimidas é dar cor à vida dos seus progenitores!

Cláudia Sintra Vieira
Psicóloga Clínica
Oficina de Psicologia
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