Alimentação infantil & Mel

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Anda aqui uma pessoa a pregar, como de uma missão se tratasse, para os pais não estimularem o paladar infantil ao sabor doce, para diluirem os sumos, para preferirem iogurtes naturais, para desprezarem os leites de crescimento comerciais, para destronarem os cereais infantis, para…, para… não contribuirem para o aumento diário de açúcar , para minimizarem os riscos da obesidade infantil e diabetes, para cortarem no açucar, cortar, cortar, cortar! E não é que a Indústria Alimentar inova agora com produtos, para consumo infantil (!!!), com mel?!!! Não é possível!
Por isso, entendo hoje por bem alertar para mais um mal colocado à nossa disposição no seguimento daqueles já contestados:

Vou presa – o começo da vingança!
Vou presa! – O 1º produto a abater: alho em pó!
Vou presa! – O 2º produto a abater: o iogurte que não precisa de frio!
Vou presa! – O 3º produto a abater: a fruta vendida cortada!
Vou presa! – O 4º produto a abater: o nectar de fruta!
Vou presa! – O 5º produto a abater: o fiambre vendido ao peso!
Vou presa! – O 6º produto a abater: batatas pré-fritas ultracongeladas!
Vou presa! – O 7º produto a abater: caldos concentrados

Assim, gostaria de dizer-vos que o próximo produto a abater, o 8º produto a abater, é de CONSUMO INFANTIL, e corresponde a todos, todos, todos,

…os Produtos COM MEL na Sua Composição! !

Como se não bastasse a quantidade indesejável de açucar que constatámos sempre que análisamos um rótulo, eis que os Srs. Industriais, pressionados pela tendência de mercado em atrair as crianças pela doçura das suas ofertas, resolveram reduzir as suas quantidades…Mas o pior ainda estava para vir: eis que surge uma epidemia de produtos, de consumo infantil, enriquecidos com aquele fantástico, extraordinário ingrediente que a Natureza oferece…o mel!

É leite de crescimento, é papas de cereais, é papas líquidas, é iogurtes, é sumos, é boiões de fruta…é…é…demais! E ainda como se não bastasse ainda vejo rótulos destes: "100% FRUTA" e mais pequeno "e mel" Isto é ou não é publicidade enganosa?

Já sei: vão-me dizer que não é!? Pois, desculpem a minha ignorância… Açucar é o termo corrente para sacarose, e de facto, esse açucar não está lá…

Mas a verdade é que a glucose e a frutose, responsáveis pela doçura do mel, são hidratos de carbono simples e de facto, também considerados açucares… É apenas uma questão de oses, nada mais. Pois aos olhos do leigo consumidor, a adição de mel é benéfica, é natural, é terapêutica e…é uma inteligente forma de enganar as mamãs que vêem os seus filhos comerem tão bem estes produtos…pois claro!
Anda meio mundo de profissionais de saúde (nutricionistas, médicos, enfermeiros) a combater o consumo de açúcar e anda outro meio a fomentá-lo! Mas, afinal, quando é que remámos todos para o mesmo lado? Quando todos estaremos consciencializados para evitar que a epidemia do século XXI, a obesidade infantil atinja a nossa descendência?

Quando se irá perceber que os 1ºs anos de vida representam a fase de vida de um indivíduo onde a sua alimentação assume um papel vital?

Quando se perceberá que temos que actuar a nível profiláctico, actuando ANTES das doenças aparecerem e não depois…como respondem os alimentos funcionais desenvolvidos?

Pré-mamãs, mamãs, adultos, consumidores: desculpem-me! Mas a verdade crua e nua é esta: as crianças só comem aquilo que os adultos compram e lhes oferecem…nem mais! Não quero com isto dizer para não lhes oferecerem açúcar, nos diferentes produtos que o disponibiliza, mas:

– Façam-no com a máxima moderação!
Esta ideia deve permanecer para toda a vida, em todas as pessoas e independentemente da idade. A idade até aos 2 anos de idade, fase primordial da vida infantil que sujeita ao seu acelerado metabolismo, representa uma das faixas etárias mais críticas da vida;

– Contabilizem o açucar total ingerido por dia!
Analise subtilmente os rótulos dos vários produtos que oferece diariamente ao seu filho. Infelizmente em grande parte dos produtos existe açúcar: enlatados, pão, etc. Isto já para não falar naqueles produtos em que ele está presente naturalmente: lactose, frutose…

– Não permitam que o açucar substitua outros alimentos, de elevado valor nutricional
A rápida sensação de prazer que fornece, não satisfaz as necessidades de energia das crianças, deixando-as insatisfeitas! Além disso, contribui para a perda de apetite, se consumido perto das refeições!

– Mas dêem!
Não façam disso um fruto proibido. Ofereçam, a seguir às refeições e com extrema moderação, sempre com o máximo equilíbrio!

 

O mel representa de facto um elixir que a Natureza produz e nos oferece, mas para consumir apenas quando estámos doentes! Não devem fazer deste alimento, sobretudo na dieta infantil, uma rotina, não! Não! Não! Porque a criança, que está a desenvolver o seu paladar, estará também a desenvolver uma consequente apetência para o doce, de evitar! O mais possível!

Considerado um alimento absolutamente proibido antes dos 12 meses de idade, a verdade é que os industriais conseguiram contornar o potencial risco de botulismo que veicula, pasteurizando-o! Portanto, trata-se apenas de analisar o rótulo, a tabela nutricional e verificar o teor de açucar que oferece, por dose do produto. Mas lembre-se: a frutose é extremamente mais doce quando comparada com a convencional sacarose, razão pela qual é adicionado em menor quantidade mas com impacto de doçura semelhante. Portanto menor quantidade não é sinónimo de menos doce…Perceberam a ideia?

E agora eu pergunto: o que você tem feito para reduzir o açucar na dieta do seu filho?

Draª Solange Burri
Licenciada em Microbiologia
Pós-Graduada em Segurança Alimentar
Univ. Católica Porto
Especialistas dobebé

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