Arte marcial japonesa

Sentados em pequenos colchões verdes, alinhados lado a lado, os alunos iniciam o treino com o processo de meditação. De olhos fechados vão relaxando de mais um dia de trabalho ou de estudo. Dez minutos depois começam o aquecimento dos músculos do corpo. A parte prática do treino dos mais novos, que dura aproximadamente 90 minutos, é intercalada com pequenos intervalos onde se aprende a teoria da filosofia nomeadamente o nome das técnicas e movimentos ensinados.

O Shorinji Kempo é considerada a única arte marcial que não ensina a matar, mas sim a dissuadir em termos de defesa pessoal. Que tem como filosofia unir os povos em torno da paz. A Associação de Shorinji Kempo de Foros de Salvaterra foi criada há cerca de sete anos e conta actualmente com quatro escolas – duas na freguesia de Foros de Salvaterra, uma em Muge e outra em Glória do Ribatejo.

“Seguir a filosofia do Shorinji Kempo pode ser considerado uma utopia. Mas que tem um grande objectivo de fundo: podemos não conseguir mudar o mundo na sua totalidade, mas podemos ir mudando pelo menos o nosso mundo e daqueles que vivem perto de nós. Se conseguirmos que as pessoas se sintam satisfeitas cria-se um ambiente de felicidade que é bom para todos e também para o desenvolvimento da sociedade”, explica o responsável da Associação, Jorge Monteiro.

O principal objectivo desta filosofia japonesa é expandir o Shorinji Kempo no concelho de Salvaterra de Magos dando prioridade às freguesias mais desfavorecidas em actividades destinadas a crianças e jovens. São cerca de 70 alunos com idades compreendidas entre os seis e os 15 anos e a classe adulta. Uma dezena de pessoas assegura o funcionamento das aulas de Shorinji Kempo. As aulas são dirigidas por um mestre e dois assistentes.

Se durante os primeiros dois anos foi difícil cativar alunos, depois o número de crianças e jovens a querer aprender e desenvolver a técnica desta arte marcial aumentou rapidamente. Além do subsídio da autarquia, a Associação vive das quotas pagas pelos alunos e por festas e tasquinhas organizadas ao longo do ano que ajudam a angariar fundos para a Associação.

Os alunos que frequentam o escalão de iniciação pagam uma quota mensal de cinco euros, os infantis dez euros, os juvenis pagam 15 euros e os adultos 20 euros. “Com este pagamento de quotas não queremos impedir o acesso ao Shorinji Kempo por razões financeiras. Se a família de um aluno não tiver dinheiro para pagar as mensalidades, o conjunto da associação assume aquilo que for preciso. Cada caso será ponderado individualmente e existem alunos que frequentam os treinos sem pagar nada. É essa a filosofia do Shorinji Kempo”, realça Jorge Monteiro.

Prioridade do Shorinji Kempo é a construção da própria personalidade

A primeira regra que distingue o Shorinji Kempo das outras artes marciais é que não ensina a ganhar. Nos campeonatos nacionais não existem vencedores nem derrotados. Existem dois alunos que desenvolvem um exercício em conjunto, um combate simulado, em que demonstram a sua capacidade técnica, força e coragem. É da apreciação desse trabalho que determina aqueles que melhor conseguiram desenvolver o seu trabalho ao longo do ano.

Segundo Jorge Monteiro, o Shorinji Kempo ensina as pessoas a serem corajosas e fortes, tanto física como mentalmente. A prioridade desta filosofia japonesa é a construção do “EU”. “A primeira regra é fortalecermo-nos a nós próprios. Se não estivermos bem não vamos conseguir fazer bem aos outros. Quando as pessoas são corajosas vão conseguir provocar a mudança no mundo que as rodeia e nos outros”, conclui o professor.

in Mirante.pt

Written By
More from

Passo a Passo: Limpar Brinquedos! (parte I)

O assunto é limpezas, ora aí está e aproveitar agora nas férias...
Read More

Deixar uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *