As crianças e o divórcio

divorcio

divorcioO divórcio é uma das situações que mais sofrimento causa ao ser humano, envolvendo sentimentos e comportamentos com os quais nem sempre os indivíduos conseguem lidar, sendo que essa incapacidade é ainda maior no caso das crianças. É normal que numa situação de ruptura conjugal se sintam emoções tais como: choque, raiva, irritabilidade, tristeza, necessidade de negar o que está a acontecer, mas também alívio. Embora no decorrer de todo o processo, e mesmo depois, todos estes sentimentos sejam intensos, com o decorrer do tempo quase todas as pessoas acabarão por aprender a viver com as recordações, tornar-se-ão mais fortes e capazes se lidar com situações difíceis, adaptar-se-ão às mudanças e habituar-se-ão ao seu novo estilo de vida. Tudo isto é válido tanto para os adultos como para as crianças, ainda que no caso destas, todas estas mudanças acarretem reajustamentos nem sempre fáceis de compreender ou de aceitar.
Existem diversos factores que influenciam a reacção da criança à separação/divórcio, nomeadamente, o modo como decorre a separação/divórcio, a idade da criança, a forma como compreende o que está a acontecer, o apoio que lhe é disponibilizado (por familiares, amigos, professores…), e ainda, entre outros, a reconstrução de novas famílias e o tipo de relações que se estabelecem entre os seus membros. Assim, e em relação ao primeiro factor apontado, podemos dizer que o impacto será mais negativo e a gravidade das consequências será tanto maior quanto em mais conflitos e pressões estiver envolvida a criança.
Relativamente à idade da criança, em geral quando esta é mais nova tem mais dificuldade em perceber o que se passa mas sente igualmente de modo intenso toda a tensão e os conflitos que são vividos pelos pais, podendo reagir com comportamento de oposição, agressividade, regressões, medos, pesadelos, etc. Na idade escolar, a compreensão da situação é já maior e os sentimentos geralmente associados a esta fase incluem tristeza, sentimentos de perda e, por vezes, insucesso escolar. O adolescente é mais comum sentir revolta (devido a se sentir dividido na sua lealdade face a cada um dos progenitores), isolar-se ou, pelo contrário, assumir a responsabilidade e proteger o progenitor que sente estar mais fragilizado.
Embora os pais se preocupem bastante com o efeito que a separação e o divórcio possam ter nos seus filhos, esta é também para os pais, normalmente, uma fase de extrema angústia e ansiedade, pelo que nem sempre se encontram tão disponíveis ou atentos como seria desejável e, logo, estão menos capazes de apoiar e ajudar os seus filhos a encarar esta nova situação.
É importante relembrar que apesar de ser uma situação de crise, não provoca necessariamente, perturbações nos filhos. A maior parte deles consegue superar o divórcio dos pais e são felizes em ambas as casas. Na maioria dos casos, não são as crianças que precisam de ajuda, mas sim os pais, para que resolvam os seus problemas e conflitos, transmitindo segurança aos filhos. No entanto, dado que algumas crianças não conseguem recuperar da separação/divórcio, é importante não deixar que as coisas se agravem e procurar ajuda do pediatra que, de acordo com a sua avaliação da situação, encaminhará os pais e a criança para um profissional especializado. Assim, em caso de separação ou divórcio esteja atento à presença dos seguintes sinais de alarme:
Bebés até 2 anos e meio:
– dificuldades em comer e dormir
– choro excessivo, cansaço e apatia
– regressão a estádios anteriores de desenvolvimento (por exemplo, necessidade de biberão e de fraldas quando já não usava)
– desenvolvimento mais rápido ou paragem no desenvolvimento
– medos excessivos, especialmente em relação a estranhos
– birras, hiperactividade, pânico, necessidade extrema de afecto e contacto físico
– agressividade repetida e sem causa aparente (exemplo:mordidelas)
De dois anos e meio até cinco anos:
– o mesmo referido para a fase anterior
– por vezes, necessidade extrema de companhia, queixumes, trsiteza, estádio de alertra, agressividade ou tendência para se portar muito bem
– impressão de não ser amado
– impressão de ser responsável pela separação dos pais, receio que as necessidades básicas não sejam satisfeitas
– sintomatologia somática (dores de barriga, de cabeça… sem causa física aparente)
Dos seis aos oito anos:
– raiva, medo do futuro, agressividade
– hiperactividade
– mutismo
– problemas na escola e com os colegas
– depressão
– necessidade obsessiva de companhia e queixumes
– por vezes, sentimentos de que não são amados, que podem ser abandonados
– sentimentos de culpa
– outros sintomas descritos para as crianças mais novas
Dos nove aos doze anos
– raiva dos pais
– problemas na escola com os colegas, recriminações
– depressão
– medo do futuro e de serem vítimas de abandono
– baixa auto-estima
– preocupações excessivas
– experiências com sexo e drogas
– sintomas somáticos
Dos treze aos dezoito anos
– podem manifestar-se os sintomas descritos nas fases anteriores, mas com perigos acrescidos para o próprio e para os outros, incluindo promiscuidade, dependência de drogas e actividade criminosas
– afastamento dos amigos e família
– falta de confiança em si próprios, medo de não serem capazes de sobreviver sozinhos e de estabelecer relações íntimas satisfatórias
– podem tornar-se demasiado tímidos

Sílvia Fernandes
Psicologa Clinica
Especialista doBebe.com

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