Autocarro com alunos suspenso numa ravina

 Um autocarro com cerca de 40 passageiros, a maioria alunos da Escola Profissional de Vouzela, ficou ontem, quarta-feira, com a parte da frente parcialmente suspensa sobre uma ravina da EN16, às portas da vila, após colisão com um ligeiro. Não houve vítimas.

A queda eminente do veículo sobre o precipício, com uma altura de seis metros, foi travada, na opinião do segundo comandante dos Bombeiros Voluntários de Vouzela, Paulo Teixeira, pela barreira de protecção em betão junto à curva da Volta Escura, na EN 16, entre S. Pedro do Sul e Vouzela.

"Se tivesse sido um bocado atrás, onde o muro ainda é em pedra, poderia ter acontecido uma tragédia. Felizmente foi num ponto onde a barreira foi recentemente reconstruída em betão armado devido aos muitos embates que ali ocorrem", relata Paulo Teixeira.

Os passageiros, entre eles mais de três dezenas de estudantes, entre os 15 e os 17 anos, conseguiram manter o sangue frio até serem resgatados.

"O autocarro só tem portas do lado direito, o mesmo que ficou pendurado sobre a ravina, o que nos obrigou a partir o vidro do condutor para retirar as pessoas. Fiquei admirado com a coragem dos miúdos", relata o comandante.

Fábio Pinto, de 17 anos, um dos alunos da Escola Profissional de Vouzela que viajava no autocarro,

foi dos poucos que não conseguiu evitar o pânico.

"Estava apavorado. Enquanto a maioria mal conseguia dizer uma palavra, ele gritava e pedia-nos para nos encostarmos todos à esquerda. Dizia-nos que era para evitar que o autocarro tombasse para a ravina", conta a colega Bianca Figueiredo.

"Foi um conselho acertado. Os próprios bombeiros, quando chegaram, mandaram-nos fazer o mesmo. Queriam evitar que o autocarro se desequilibrasse", diz Fábio ainda mal refeito do susto.

O acidente ocorreu às 9 horas, na EN16, quando o autocarro da empresa Guedes que fazia o percurso Viseu, S. Pedro do Sul, Vouzela e Oliveira de Frades terá sido obrigado a desviar-se de um ligeiro que entrou em despiste em sentido oposto.

"Talvez devido ao piso escorregadio, o Ford Fiesta, conduzido por um jovem de 20 anos, que também saiu ileso, despistou-se e chocou com o autocarro que ainda tentou desviar-se", admite Paulo Teixeira.

"O nosso condutor ficou aflito e nervoso. Mas fez o que pôde", reconhece Tiago Magina, de 16 anos, aluno de Electrotecnia. Que faz parte do grupo de jovens de Castro Daire que frequentam a Profissional de Vouzela. "Saímos às 7.50 horas para apanhar um autocarro da mesma empresa em S. Pedro do Sul. Fazemos isto todos os dias", diz Daniel Almeida.

O director pedagógico da escola, José Lino, disse ao JN que às 9.30 horas "as aulas decorriam com normalidade". O dirigente lembra que o autocarro faz serviço público e transporta outros passageiros. "Nós apenas pagamos o passe aos nossos alunos".

in http://jn.sapo.pt

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