Banco do cordão já congelou mais de mil amostras

O Banco Público de Células do Cordão Umbilical conseguiu, em seis meses, congelar mais de mil amostras. São oferecidas altruisticamente por pais que, muitas vezes, vão eles mesmos levar a arca com o sangue colhido para os laboratórios de referência.

O Lusocord arrancou oficialmente há seis meses, no Centro de Histocompatibilidade do Norte (CHN). E, contra todas as expectativas de um projecto nascente e dependente do puro altruísmo, conseguiu, em seis meses – cumpridos ontem – reunir mais de mil amostras.

Elsa Moreira pega num saco com sangue, igual aos que todos conhecemos das dádivas de sangue. Tem outro pequeno saco acoplado. A centrifugadora há-de separar tudo e remeter para ali as famosas células hematopoiéticas indiferenciadas, capazes de se reproduzir em células sãs e salvar vidas. Ou tentar. Vidas desconhecidas de quem ali foi levar a arca que protegia aquele saco. Veio de Viana do Castelo, do cordão umbilical de um bebé nascido menos de 24 horas antes.

O produto final é, à vista, igual ao sangue total. Será congelado. Primeiro a 120 graus negativos, depois, pelos anos que forem necessários, a 196 graus negativos, em azoto líquido. Pode "sobreviver" 20 anos, sem certezas. A única certeza é a de que estará ali, à disposição de um doente com leucemia ou alguma falha imunológica.

Em Portugal e no Mundo, a partir do momento em que o primeiro banco público português estiver ligado às redes mundiais. Acontecerá até meados do ano, garante Helena Alves, a responsável do CHN.

Fala com um brilho nos olhos, que alterna com um leve marejar. Fala da Regina que deu impulso à solidariedade portuguesa. Foi em 2004, Regina precisava de transplante, a campanha para encontrar um dador compatível de medula óssea encheu páginas, a criança não sobreviveu. Mas fez de Portugal um caso de estudo. "Só aqui, no Norte, temos mais dadores de medula inscritos do que toda a Espanha". Da medula ao cordão umbilical foi um passo, já a iniciativa privada começava a oferecer a congelação para uso próprio.

Aqui, é diferente. Quem dá, sabe que não terá retorno algum. Quem dá sabe que pode estar a dar vida a quem dela precisa, só porque sim. Helena Alves fala emocionada da "emoção" dos dadores. "As grávidas telefonam, vêm cá casais, ainda há pouco saiu um…" E até telefonam para o número de urgência, seja à hora que for, a avisar que deram à luz. A perguntar se podem eles mesmos levar o sangue extraído do cordão umbilical do filho. Há quem venha de Coimbra, pessoalmente.

"Ontem, às seis horas, estava a processar o sangue de um bebé que nasceu às cinco, aqui no S. João. E foi o pai que trouxe a amostra!", conta Elsa, enquanto evolui nos laboratórios carregados de "ferraris". São máquinas de último grito, arcas a que se hão-de juntar outras duas, com espaço para 20 mil amostras, o objectivo de stock mínimo fixado pelo Ministério da Saúde para quando o banco – que custará ao Estado cerca de dois milhões de euros anuais – entrar em velocidade cruzeiro. Helena Alves acredita que será facilmente ultrapassado. Nem ela imaginava a que ponto, admite…

in http://jn.sapo.pt/

Written By
More from

Zon lança comando de televisão especial para crianças

A Zon vai lançar este mês o COMANDOkids, aparelho especialmente desenhado para...
Read More

Deixar uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *