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Alimentação de bebés prematuros


Nos últimos 20 anos assistiu-se a um notável progresso científico e tecnológico na área da Neonatologia, o que tem tornado possível a sobrevivência de bebés prematuros cada vez mais pequenos.


Nos prematuros a imaturidade dos reflexos de sucção e deglutição impede que possam inicialmente satisfazer as suas necessidades de água e nutrientes. Muitos deles gastariam mais calorias no processo de sucção e deglutição do que aquelas que poderiam assimilar. Por este motivo recebem as suas primeiras calorias por via intravenosa (IV). No principio o que vai receber é água com glicose, e se nos dias seguintes não se puder alimentar por via digestiva vai-se acrescentando proteínas, gorduras, vitaminas e minerais aos fluidos que recebe através da veia, o que se chama de "Nutrição Parentérica Total (NPT)", através da qual é assegurado o alimento completo para o seu crescimento.
Outra forma de iniciar a alimentação é através de um tubo ou sonda, que através do nariz ou da boca chega ao estômago. Neste caso pode-se dar o leite como alimento, é a alimentação por sonda ou gavagem.

As vias intravenosas e as sondas são métodos que só incomodam quando são colocados, durante um breve período de tempo. O beneficio que se obtém com elas supera o incomodo.
A medida que o bebé cresce, vai desenvolvendo os seus reflexos naturais de sucção e de deglutição, e nessa altura já será capaz de alimentar-se de forma normal através do aleitamento materno ou do aleitamento artificial com biberão.


Técnicas de alimentação

Alimentação Intravenosa. Pode-se utilizar uma ou várias das seguintes técnicas.
Via Periférica - Consiste em introduzir uma agulha fina (abocath) numa veia próximo da pele. Pode ser colocado no couro cabeludo, na perna, no pé, no braço ou na mão do bebé.
Via Umbilical - Neste caso coloca-se um tubo fino (catéter) dentro da artéria ou veias do cordão umbilical.
Via Central - Consiste em introduzir, cirurgicamente, um catéter num vaso principal da axila ou da virilha e que vai até perto do coração. Outro sistema, mais utilizado do que o anterior e que não necessita de cirurgia, é a colocação de um cateter comprido e fino dentro de uma veia do braço ou da perna e que vai até à veia cava superior, que se chama "Cateter epicutâneo-cavo".
Quer a via umbilical quer a via central permite deixar o catéter colocado durante largos períodos de tempo e constitui um acesso fácil para a realização de procedimentos como por exemplo a colheita de sangue para análises.


Alimentação por sonda. Esta pode ser a forma inicial de alimentação em alguns bebés prematuros.

Neste tipo de alimentação administram-se quantidades cuidadosamente medidas de alimento (leite materno ou na ausência deste uma formula especialmente concebida para bebés prematuros) directamente no estômago, através de um tubo ou sonda, onde vão ser processadas pelo aparelho digestivo do bebé.

Dependendo da idade de gestação em que nasce, o bebé prematuro poderá vir a ser alimentado através das veias por soluções especialmente concebidas para o efeito e logo que esteja livre dos problemas que afectam a sua estabilidade, irá ser alimentado através de sonda ou mesmo pela boca, com o leite da sua mãe. A alimentação por sonda inicia-se lentamente e com pequenas quantidades, para ajudar a que o aparelho digestivo do bebé comece a funcionar.


O estado de nutrição da mãe, tem grande influência na saúde do bebé tanto no ambiente intra-uterino como depois de nascer e até em idades mais tardias.

O leite de mãe de um bebé prematuro é substancialmente diferente do leite de uma mãe que tenha tido um bebé no termo da sua gravidez.Porém, ambos são adequados às suas necessidades, embora actualmente se pense que os prematuros tenham durante muito tempo uma maior necessidade de proteínas, cálcio e sais minerais. Para satisfazer esta exigência, foi criado um preparado rico em proteínas e outros nutrientes (fortificante) que muitas vezes é adicionado ao leite materno até o bebé atingir maior peso.

O leite materno irá adaptar-se progressivamente às necessidades do bebé de modo a que, chegado o dia da alta, não haja problemas no que se refere ao aumento de peso e tranquilidade dos pais. Nos casos particulares em que a secreção do leite materno se torna manifestamente insuficiente é necessário recorrer a leites artificiais. Existem actualmente fórmulas lácteas especialmente concebidas para bebés prematuros. Estes leites especiais são reforçados com calorias e nutrientes para que correspondam às exigências nutricionais no período de crescimento rápido dos prematuros.

 

Após a alta, e de um modo geral, o prematuro cresce a um ritmo rápido, mas apesar deste facto, estes bebés serão mais pequenos e mais leves do que os recém-nascidos de termo da mesma idade. A fase mais rápida do crescimento, que irá colocar o bebé a par de outros da mesma idade mas que nasceram de gravidezes de termo, situa-se entre os 2 e os 3 anos, embora o processo possa estender-se ao longo da adolescência.

 

O bebé deverá ser observado com maior frequência nos primeiros meses, para se avaliar a evolução do peso, do perímetro cefálico e do comprimento e, também para acompanhamento e apoio dos Pais nas suas dificuldades de adaptação a um bebé tão especial.

A avaliação do crescimento e do desenvolvimento motor e intelectual serão os instrumentos de medida de uma boa nutrição resultantes dos benefícios do aleitamento materno ou da alimentação artificial quando o leite materno se torna insuficiente.


Em suma, a melhor qualidade de vida alcançada em bebés prematuros muito pequenos tem sido possível ultrapassando a imaturidade de vários órgãos e aparelhos, entre os quais o gastrointestinal. Neste sentido, é um desafio garantir ao bebé nascido muito precocemente uma nutrição equivalente à que recebia no ambiente intra-uterino. O leite materno tem um papel primordial nesta adaptação, existindo porém alternativas satisfatórias quando o bebé se vê impedido de ser alimentado em pleno com o leite materno.

Paulo Silva
Enfermeiro numa Unidade de
Cuidados Intensivos Neonatais
Especialista doBebe.com