Bebés discriminam pela cor da pele

Estudos revelados recentemente pela "Newsweek" alertam para o facto de até os bebés fazerem discriminação com base na cor da pele. Segundo uma pesquisa realizada pela Universidade do Texas, quando eram mostradas fotografias de rostos de diferentes etnias às crianças, estas mostravam as suas preferências de forma clara pelas pessoas que fazem parte da sua própria etnia, no caso, brancos.

O mesmo aconteceu em uma pesquisa da Universidade do Colorado com bebés desde os seis meses.

O Laboratório de Pesquisa Infantil da Universidade do Texas construiu uma base de dados com milhares de famílias de origem caucasiana na zona da cidade de Austin que se voluntariaram a participar no trabalho para avaliar a reacção das crianças.

O tema, contudo, não se revelou pacífico e, ao longo do processo, houve mesmo famílias que optaram por abandonar a pesquisa porque não queriam falar deste assunto com as suas crianças.

A pesquisa abordou crianças entre os cinco e os sete anos, às quais eram mostradas fotografias de pessoas de várias etnias e com as quais se tentavam associar ideias como simpatia, honestidade, beleza, curiosidade e arrogância.

A coordenadora da pesquisa, Brigitte Vittrup, começou por considerar o estudo um fracasso ao perceber que os pais das crianças não pareciam fazer distinções baseadas nas diferenças étnicas.

Mas, quando as respostas de pais e filhos foram cruzadas com os diários que os pais tiveram de escrever ao longo do trabalho, a pesquisadora percebeu o que se passava.

A questão central é que os pais das crianças evitavam falar em racismo, como que o problema não existisse, afirmando apenas que "todas as pessoas são iguais".

Mas, afinal, a pesquisadora percebeu que não era bem assim. Quando inquiridas sobre se os seus pais gostavam de pessoas negras, a resposta das crianças não deixava margem para dúvidas: "Não", responderam 14% dos participantes e 38% disseram que não sabiam.

A explicação da cientista para o comportamento infantil discriminatório é de que as crianças pretendem revelar gostos semelhantes aos das pessoas que demonstram gostar delas. E quando não têm certeza, improvisam pelo que pensam que será a opinião mais provável. É a chamada tendência para a procura pela identidade, baseada na aparência.

Mais impressionante foi o estudo realizado pela Universidade do Colorado em que crianças de cerca de seis meses eram confrontadas com fotografias de rostos de diferentes etnias.

Este trabalho durou até que estas crianças chegassem aos três anos. Nesta altura, elas passaram a ver fotografias de outras crianças da mesma idade e, como sempre, de várias origens. Era então feita a pergunta: Com quem gostarias de brincar? As respostas foram  claríssimas: 86% queriam interagir com crianças da sua própria etnia.

in http://aeiou.expresso.pt/

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