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Bebés prematuros só no público

Bebés prematuros só no público
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Privados garantem ter condições e treino.Mas seguros não cobrem o internamento necessário. A ministra da Saúde quer proibir os partos de prematuros nos privados. Estes garantem que têm experiência humana e técnica. Mas dependem de doentes com seguros. Com plafonds que obrigam a transferir bebés ao fim de três dias…

Um prematuro “exige uma equipa muito bem preparada”, que saiba “trabalhar com uma criança pré-termo”, justificou a ministra da Saúde, em entrevista divulgada ontem pela Agência Lusa. E Ana Jorge, pediatra de formação, diz que o treino mínimo para garantir segurança exige 70 a 80 partos prematuros por ano, números que “uma unidade privada nunca vai ter”.

As reacções foram mitigadas. Os privados vieram defender a qualidade e pedir a definição de regras a cumprir antes de serem proibidos de mostrar que podem cumpri-las. E o bastonário da Ordem dos Médicos (OM) veio lembrar que qualidade é uma coisa e estatuto jurídico do sítio onde se nasce é outra totalmente diferente. Até que o presidente do Colégio de Obstetrícia e Ginecologia da OM lembrou que, sim senhora, até pode haver equipamentos e pessoas treinadas, mas o serviço é “na imensa maioria dos casos” pago por seguros de saúde com plafonds limitados de internamento. E os bebés acabam transferidos ao cabo de três dias para hospitais públicos.

“A maioria dos seguros cobre dois dias para um parto vaginal e três para uma cesariana”, diz Luís Graça, também responsável da obstetrícia do Hospital de Santa Maria, em Lisboa. Ora, um prematuro (nascido antes das 37 semanas de gestação) exige, no mínimo, uma semana de internamento. A partir das 35 semanas, o risco de necessitar de ventilação é de 2%, mas antes disso, alerta, a criança tem que estar na unidade de cuidados intensivos (UCI), por vezes semanas.

“Não havendo quem pague, transferem os bebés para um serviço público. Acontece muito frequentemente!” Sempre que os pais não assumem a despesas findo o plafond do seguro. “Quem é que vai ter no mínimo mil euros diários para ter a criança numa UCI? É incomportável!”, diz Luís Graça, que lamenta que os gestores privados se defendam que a decisão não é dos hospitais, mas dos pais. Um deles foi José Miguel Boquinhas, do Hospital dos Lusíadas (grupo HPP), que admite enviar recém-nascidos para o público se os pais decidirem não pagar.

“Claro!” responde Luís Graça, que, por isso, aplaude a medida que a ministra admite integrar nas regras, quase prontas, a impor à maternidades privadas.

O bastonário da OM, Pedro Nunes, prefere que a questão não se coloque entre público e privado, mas sim entre sítios onde há ou não “condições e equipas treinadas”. Mas é peremptório: não pode acontecer uma criança ser metida numa ambulância ao fim de três dias. “O privado não a deve aceitar à partida”. Do lado dos privados, a José de Mello Saúde protesta e dá os números do hospital CUF Descobertas: 2934 partos no ano passado, “dos quais 102 pré-termo”. Mais do que o limite avançado por Ana Jorge. E Luís Graça pergunta: “102, mas de quantas semanas?”

Já a Associação de Hospitalização Privada (APHP) prefere contestar o princípio. Não deve a ministra entrar por “exercícios de adivinhação” e dizer que os privados não vão cumprir regras, mas sim esperar para ver se as cumprem. Pedro Nunes deixa uma sugestão: as regras impostas às maternidades públicas devem ser replicadas nas privadas sempre que estas tenham “porta aberta”, isto é, urgência. Para blocos com partos programados, a equipa que se reúne tem prática de outros sítios.

Sucede que há 25 maternidades privadas. Das 16 que são sócias da APHP, 14 têm urgência. Mas muito poucas têm mais de 1500 partos anuais (regra nas públicas).

 

in JN

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