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Bebês: sempre de barriga para cima

Bebês: sempre de barriga para cima
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A síndrome da morte súbita infantil é um perigo que aterroriza os pais de crianças com até 1 ano idade. A causa ainda não foi desvendada pela Medicina, mas especulações a respeito não faltam.

A maioria dos pesquisadores acredita que os bebês acometidos pelo mal apresentam uma falha no mecanismo de despertar associada à imaturidade do tronco cerebral. O centro controlador da respiração seria afetado, o que resultaria no óbito do bebê.

No Brasil, não há estatísticas que revelem quantas crianças morrem dessa forma, o que acontece por falta de diagnóstico.

Mas, enquanto a ciência não encontra respostas mais precisas sobre o problema, os pais já podem se sentir mais tranquilos. Isso porque diversos estudos internacionais comprovam que deitar a criança de barriga para cima reduz em até 70% o risco da morte súbita infantil.

A recomendação não é de hoje. Na Europa, por exemplo, a dica já é dada há mais de uma década. O Brasil se atrasou, e até bem pouco tempo atrás era comum que os pediatras recomendassem que a criança dormisse de lado.

No ano passado, a Pastoral da Criança, baseada nos levantamentos internacionais e na revisão bibliográfica de tais estudos feita pelo Centro de Pesquisas Epidemiológicas da UFPel (Universidade Federal de Pelotas), lançou a campanha para orientar os pais de todo o País sobre a posição correta para o sono dos bebês A ação conta com aval da Sociedade Brasileira de Pediatria.

"Se a criança está de barriga para cima e regurgita o leite, ela vai tossir. A mãe vai ouvir o ruído e, assim, ter tempo de ajudá-la, o que não acontece quando a criança está de lado ou de bruços", explica a pesquisadora e professora titular de epidemiologia da UFPel Iná Santos. "O problema da morte súbita é ser silenciosa."

Segundo a pesquisadora, o importante é que o bebê seja colocado nessa posição no primeiro semestre de vida, já que a maioria dos casos de morte súbita costuma ocorrer dos três aos seis meses.

Mais cuidados – A posição no leito ainda é a principal maneira de tentar afastar a morte súbita infantil. No entanto, existem outras formas de proteção. Uma delas, segundo a especialista, é prender bem as roupas de cama debaixo do colchão para que o bebê não sufoque com os lençóis. "Uma criança pequena está imatura e não consegue acordar quando não tem dificuldade para respirar", explica.

Já a chefe da clínica neonatal do hospital Mário Covas, Sandra Frota Ávilla Gianelo, afirma que é essencial o bebê passar por acompanhamento médico mensal pelo menos nos primeiros seis meses de vida e que, a qualquer sinal de infecção, tosse ou secreção, os pais procurem o médico.

"Outra questão é o aleitamento materno exclusivo até os seis meses. É importante também não fazer uso de qualquer medicamento sem orientação médica, o que vale para a mãe no período de amamentação", explica.

A proximidade entre pais e filhos durante a noite também deve ser revista. "Por muitos anos, orientava-se que as mães não dormissem com o bebê na cama. Isso mudou, e hoje a orientação tem sido inversa", sustenta a médica. "Há cerca de 15 anos, orienta-se que o bebê durma perto dos pais, ou na cama ou no mesmo quarto, assim eles podem ouvir se algo errado estiver acontecendo."

Segundo Sandra, deve-se evitar ainda o excesso de objetos no berço. "Evite qualquer coisa que possa causar asfixia." A dica é compartilhada pela coordenadora do Grupo de Trabalho de Estudos sobre o Sono da Sociedade Brasileira de Pediatria, Magda Lahorgue Nunes. "Impeça que a criança durma em colchões muito moles, nos quais o corpo afunda, evite excesso de cobertas, fique atento para que os pés do bebê estejam em contato com a borda inferior do berço, a fim de evitar que ele não escorregue para baixo dos cobertores. E evite o excesso de camada de roupas, o que dificulta os movimento da criança", aconselha.

Pais devem procurar ajuda psicológica, afirma especialista
Lidar com o luto nunca é fácil, ainda mais quando se trata de filho ainda pequeno. Segundo a psicóloga e professora do departamento de pediatria da Faculdade de Medicina do ABC Maria Regina Domingues de Azevedo, o sofrimento de perder um bebê por morte súbita normalmente é mais visível na mãe.

Segundo a especialista, existem várias teorias a respeito do luto, mas a principal delas atesta que o sofrimento passa por diversas fases. A primeira seria a do entorpecimento, que pode durar horas ou dias. "É quando há o choque, a descrença. Essa fase é seguida pelo protesto, onde a dor fica muito mais intensa e se mostra até na agitação física, na perda de sono e de apetite", explica. Depois vem o desespero, quando há o risco da tristeza se transformar em doença.

A psicóloga aconselha que, quando a situação estiver difícil de se lidar, os pais busquem auxílio profissional. "É importante procurar ajuda antes que esse processo se agrave e que o que era uma tristeza inicial se transforme em um quadro de depressão", afirma.

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