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Bebeteca: o bebé, o biberão e um livro

Bebeteca: o bebé, o biberão e um livro
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Se consegues segurar no bebé, no biberão e no livro, então está na hora de começar a ler para o bebé. Um dito mais do Norte da Europa, que começa a dizer-se em Portugal. “Dinamarqueses, suecos e ingleses aconselham a leitura a partir dos quatro meses”, diz Sylviane Rigolet. Psicolinguista, que garante não ser perda de tempo ou desgaste físico pegar no bebé, no biberão e no livro ao mesmo tempo.

“O livro é o leite da alma”, assegura Sylviane Rigolet. “É um formador da personalidade”, explica a especialista, apostada em fazer chegar a mensagem aos pais portugueses. “Através do livro, o bebé toma contacto com outra visão do Mundo, essencial para que se desfaça da simbiose com a mãe”.

É no confronto com mundos e realidades diferentes que o bebé consegue desligar-se da mãe. “Cada livro é uma oportunidade de tomar distanciamento entre o ‘eu’ e os outros”, diz a psicolinguista, que tem oportunidade de ensinar pais e filhos a lerem nas bebetecas que dinamiza.

Espécie de faculdade do livro e da leitura, que ajuda pais a melhor ler para os filhos, a Bebeteca é um projecto que tem duas funções principais: "a primeira, é formar pais para serem mediadores privilegiados entre o livro, a leitura e o filho”, começa por explicar a mentora do projecto da Bebeteca da Biblioteca Professor Vieira Dinis, em Paços de Ferreira. “A segunda, é para o bebé em si, tentamos implementar nele o hábito saudável de co-leitura, de leitura com o mediador”, acrescenta Sylviane Rigolet.

Conceição Teixeira começou a ler para o Simão ainda o filho, agora com três anos e meio, estava no útero. “Nas primeiras duas, três sessões, saímos daqui de rastos, a pensar que éramos péssimos pais em termos literários”, diz, ao fazer um balanço de um ano de bebeteca.

“Na bebeteca ensinamos várias coisas, que livro escolher, que critérios de selecção respeitar para adequar o melhor possível a obra ao nível de desenvolvimento do filho”, exemplifica Sylvian Rigolet. Lição aprendida. “Acho que éramos descuidados na compra de livros. Passámos a ser mais cuidadosos e selectivos”, admite Conceição Teixeira.

A formação de pais vai além dos critérios para a escolha da obra. “Aprendemos que um livro, se for minimamente bom, é uma fonte que nunca termina. Dá sempre para olhar para ele de uma forma diferente”, diz Joaquim Rocha, pai da Beatriz. “Não é só ter o livro, mas trabalhá-lo”, acrescenta Susana Barros, a mãe da “Bia”, como os pais lhe chamam.

“Às vezes comprámos um livro, e depois outro e mais outro. Não é necessário até explorarmos o livro nas suas potencialidades máximas”, explica Susana Barros. E o livro, que foi do bebé de 12 meses, pode servir à criança aos 24 ou aos 36. “Há sempre alguma coisa para explorar à medida que crescem; as cores, os números, por exemplo”, acrescenta. “Antes, líamos o que lá estava. Agora estamos mais atentos para outro tipo de actividades. Basta fotocopiar umas imagens do livro e temos outra forma de contar a história”, diz a mãe da Bia.
Ensinamentos da bebeteca. “Fazemos técnicas de animação do livro, com uma pequena bricolage que vai entrar na história fazendo com que a criança ou o bebé seja um leitor activo desde pequeno”, explica Sylvian Rigolet. “Um livro, a duas dimensões, passa a três dimensões assim explorado e envolve a mãe, o pai, o tio a avó. Toda a gente pode brincar e explorar em conjunto”, diz o pai da Beatriz.
 
 
“Depois, há sempre qualquer coisa de bricolage que  vai para casa e continua a render durante a semana e assim se passa mais tempo com os nossos filhos, participamos na história com eles, em casa”, diz Conceição Teixeira, mãe do Simão. “Aprendemos a estar e a dar-nos aos nossos filhos. Aqui trabalhamos com eles, sujamo-nos com eles”, acrescenta. O pai da Beatriz sublinha por baixo. “É como diz a Sylviane, às vezes mais vale cinco minutos inteiramente concentrados neles, do que meia hora divididos entre a criança e outras actividades em casa”. A psicóloga diz o mesmo e recomenda a leitura antes mesmo da chegada do João Pestana.
“O melhor alimento é uma história antes de ir dormir”, defende Sylviane Rigolet, esclarecendo que a leitura participada que sugere não espanta os carneirinhos. “Pelo contrário, é um momento de grande afectividade, de carinho recíproco”, diz, em defesa da leitura antes de dormir. “É um óptimo hábito, é saudável e descansa os sonhos”.

Em Paços de Ferreira, a biblioteca municipal há três anos que dinamiza uma bebeteca para os pais do concelho. “Tínhamos esta faixa etária a descoberto”, explicou o vereador da Cultura, António Coelho. Percebida a importância da iniciação precoce no Mundo dos livros, a bebeteca foi integrada na “estratégia já delineado pelo concelho para aumentar o público leitor e a procura da biblioteca de Paços de Ferreira”. Augusto Correia e Maria Cláudia Monteiro

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