Bonecos da TV são os mais vendidos

Produtoras apostam na venda de brinquedos para rentabilizar investimento nos formatos.

Quem compra brinquedos sabe que é difícil resistir à tentação de levar os que estão relacionados com a televisão. O licenciamento de personagens infantis é um negócio que começa a ser tão importante para as produtoras como os programas em si.

Em quadra natalícia as prateleiras das lojas que vendem brinquedos estão cheias de artigos com personagens infantis da televisão: puzzles dos "Irmãos Koala", um computador do "Noddy", a quinta do "Ruca" e até mesmo o peluche da mascote do canal infantil "Panda". Há oferta para todos os gostos, idades e sexo; o difícil é escolher.

O negócio paralelo aos programas infanto-juvenis nunca esteve tão florescente como agora. Segundo Mar Gaya, directora de vendas internacionais, da Imira Entertainment – que produz a série "Lola & Virgínia" e detém direitos de licenciamento de "Ozie Boo!", entre outras – esta área representa já "50% do rendimento" da empresa espanhola. "Superar esse valor é o objectivo", revelou numa apresentação aos distribuidores e fabricantes, que teve lugar recentemente em Lisboa.

Mas será esta vertente determinante para a sobrevivência dos formatos? "É um factor importante para que a série não morra. O licenciamento é o que permite recuperar um pouco (do investimento inicial). Quanto mais episódios tem uma série, mais forte é o licenciamento", respondeu Mar Gaya.

Segundo Teresa Paixão, responsável pelos programas infanto-juvenis da estação pública, o mais importante é o programa de televisão e só depois o resto. "Claro que já se pensa de um modo mais global. Quando se cria uma personagem tem-se em conta se ela pode ou não vir a ser um boneco. Mas aqui não há a dúvida do ovo e da galinha, na maior parte dos casos nasce primeiro o programa e depois o ‘merchandising’".

Da experiência adquirida com o trabalho para a RTP, Teresa Paixão recolheu a opinião que "as personagens bem construídas são fundamentais para haver boas séries, e isso exige mais pensamento, inovação esforço e criatividade".

Edite Fonseca, directora de marketing da Concentra – distribuidora em Portugal de algumas das marcas mais conhecidas – explicou que os brinquedos "só sobrevivem com estas séries. Assim que deixam de passar na televisão ou cinema são esquecidos e facilmente trocados por outros personagens que estejam na moda".

Por isso, a aposta na comercialização destes produtos é feita de acordo com o "posicionamento" das produções nas grelhas dos canais. "Dependendo da forma como a série de televisão vai estar programada e se irá passar num canal aberto e/ou no cabo são factores muito importantes para a decisão de comercializar uma linha de brinquedos", revelou, acrescentando que são tidos em conta factores como o número de episódios e horários de emissão, a manutenção da série ao longo do ano, e a aposta do canal na promoção da mesma.

No caso de novos formatos, "tudo depende do tipo" de produção. "Se for uma série que já esteja a passar em outros países e que os resultados tendem a ser positivos, então não se espera um ano. Por exemplo, a Concentra lançou em Outubro a linha acção ‘Bakugan’ que é um fenómeno internacional e a série (em Portugal) só começou em Setembro. Esperou-se um mês para as crianças começarem a conhecer os personagens e depois lançaram-se os brinquedos".

Outra das particularidades a ter em conta é a idade do público. "Licenças de programas para o pré-escolar como ‘Noddy’, ‘Irmãos Koala’, etc, demoram mais tempo a ter notoriedade mas também são mais estáveis e prolongam-se durante mais tempo", prosseguiu.

Mas se o licenciamento e o "merchandising" dos personagens tem o mérito de ajudar na diversificação da oferta, também tem a desvantagem de encarecer os brinquedos. "A venda de produtos de marcas licenciadas está sempre associada ao pagamento de ‘royalties’ sobre o volume de vendas, pelo que obviamente irá afectar o seu preço de venda ao público", adiantou Edite Fonseca.

"Estes produtos são ainda muito caros, porque embora produzidos, na maior parte dos casos, em países onde, infelizmente, a mão- de-obra é muito barata e sem direitos os produtos têm ainda custos muito elevados", disse por seu lado Teresa Paixão.

1.º Lugar
No top de licenças em Portugal pertence, de acordo com Edite Fonseca, da Concentra, à marca "Hello Kitty". Seguem-se "Cars", da Disney, e "Noddy".

2 a 4 Anos de idade
Nesta faixa etária, o "Noddy" continua a ser o mais importante, o Ruca tem-se mantido, e os "Irmãos Koala", que só apareceram em 2009, revelaram-se um sucesso.

in http://jn.sapo.pt/

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