Brincar, brincar, brincar

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 Hoje assume-se o brincar como fundamental para o desenvolvimento da criança. Por um lado, constitui uma fonte de prazer e descoberta, por outro desenvolve a imaginação, a capacidade de criar.

 Para um desenvolvimento apropriado, a criança deve brincar livremente, não podemos, nem devemos, transformar a sua brincadeira numa actividade mecânica. Só brincando e brincando muito, as nossas crianças se descobrirão melhor a si próprias e construirão o seu mundo interior, tornando-se adultos realmente inseridos na sua comunidade. Primeiro começam por brincar sozinhas, depois será a mãe, com quem a relação é mais próxima, a parceira de brincadeira e, mais tarde, os outros que a rodeiam, reforçando, assim, os laços afectivos.

Segundo Piaget, podemos distinguir três fases no brincar: os jogos de exercícios, o jogo simbólico e jogos com regras.
Até aos 2 anos de idade a criança encontra-se na fase sensório-motora, procura explorar tudo o que se encontra em seu redor, apalpa os objectos, põe na boca, vira, encaixa… Esta fase caracteriza-se pelo jogo de exercício, é a exploração de objectos, das acções motoras e manipulação que assumem maior importância.
Entre os 2 anos e os 5/6 anos estamos na fase pré-operatória, surge e vai-se desenvolvendo a capacidade de produzir imagens mentais, ou seja, a estrutura representativa, o ausente passa a poder ser representado. A criança começa a ser capaz de jogar em grupo. É aqui que surge o "faz-de-conta", as histórias com fantoches, os desenhos, o brincar com objectivos.
A partir dos 7 anos encontra-se na fase das operações concretas, passando a centrar-se mais em jogos com regras que a ajudam a controlar a sua impulsividade. Estes jogos são mais competitivos e têm regras que, se não forem cumpridas, levam a penalizações, tal como acontece no futebol, nas damas, no xadrez…
O "mundo do faz-de-conta"
Quando falamos de jogo simbólico, entramos no "mundo do faz-de-conta". Nesta fase, a criança consegue evocar situações e objectos e representá-los, quer seja por palavras, objectos ou gestos, usando o seu imaginário para expressar os seus desejos. É desta forma que aprende a atribuir significados aos objectos, não se regendo apenas pelo objecto real, mas sim incorporando as coisas do mundo que a rodeia,
nomeadamente o processamento das actividades da vida diária. É a fantasia que a domina, impera a liberdade de regras, o desenvolvimento da imaginação.
É através deste jogo que a criança consegue deixar de se centrar tanto em si mesma, relacionando o outro consigo, o que contribui para a diferenciação eu-outro. Se a criança for ter consigo com uma colher e um prato dizendo que tem uma sopa, é fundamental incentivarmos e reforçarmos estas iniciativas, vamos aceitar esta refeição e entrar na brincadeira! Há diversas actividades nas quais a presença do jogo simbólico se manifesta, tais como contar histórias com fantoches, desenhar, brincar às casinhas… Podemos incentivar estas brincadeiras, até em grupo no infantário. Por exemplo, porque não contar uma história em que cada criança represente uma personagem, se veja envolvida, mascarando-se ou utilizando um fantoche? Mas temos que lembrar-nos sempre que só será verdadeiramente jogo simbólico se a criança der vida a essa personagem, aceitar a brincadeira e usar a sua imaginação para fazer parte da história.
Estas brincadeiras permitem que a criança se coloque no lugar do outro, o que contribui para o desenvolvimento da pré-reversibilidade do pensamento e para a formação da sua personalidade. O jogo simbólico estimula também o desenvolvimento da linguagem e interesse em adquirir novo vocabulário, sobretudo se envolver um adulto ou criança mais velha. É também por isto que, enquanto terapeuta da fala, a promoção desta capacidade faz tantas vezes parte dos objectivos da minha intervenção. A imitação permite a expansão de vocabulário e a capacidade de usar símbolos e de estruturar o pensamento é a base da aquisição da linguagem. Estes jogos são o canal de comunicação entre a criança e o mundo, favorecendo o seu desenvolvimento linguístico, mas também físico, cognitivo, afectivo, social e moral.
Bibliografia
BERTOLDO, J. V.; RUSCHEL, M. A. M.- Jogo, Brinquedo e Brincadeira-Uma Revisão Conceitual. 2000.
COSTA, M. F. V. – jogo simbólico, discurso e escola; uma leitura dialógica do lúdico. REUNIÃO ANUAL DA ANPED. Vol. 26 (2003).
CRESCENTI, G. – Jogo simbólico: o olhar de docentes de educação infantil. (2009).
NOVAES, A. – A importância do jogo e do brincar em terapia fonoaudiológica. Rev CEFAC. Vol. 2, n.º 2 (2000), p. 45-54.
Terapeuta da Fala Ana Rita Costa
Colaboradora do Portal dobebe.com
Telemóvel: 96 932 24 25
E-mail: tfritacosta@gmail.com
Website: http://www.tfritacosta.com
Blog: http://www.mundo-da-terapia-da-fala.blogspot.com

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