Cabecinha pensadora!

pensadora 837

pensadora 837Ando tão, tão… com este assunto!
Será que há alguém neste país, com poder de decisão, que realmente pense no superior interesse das crianças? Que antes de falar do baixo rendimento escolar reflicta sobre a qualidade e as condições do ensino que os nossos estudantes têm?
Eu sei, principalmente vinda de mim, que a pergunta parece não fazer sentido! O problema é que, para mim, não faz sentido nenhum haver crianças do 1º ciclo (idades entre os 5/6 e os 9/10 anos) que começam o seu dia de aulas às 13:30h e terminam às 19:00h.

Pior
Haver crianças do 1º ciclo que sejam deixadas nas escolas às 8:00h, porque os pais têm que ir trabalhar, mas que só começam as aulas às 13:30 e terminam às 19:00h. Sim, têm as A.E.C. que não vou comentar, por agora!
Será que alguém me pode ajudar a compreender isto? É que está difícil de eu lá chegar!
Pensem comigo:
Vou só dar estes exemplos, como poderia dar outros quaisquer, só para seguirem a minha linha de raciocínio.
Os crescidos, os que trabalham numa actividade que é mais intelectual do que física, ou seja, que têm que estar sentadinhos a pensar e a fazer alguma coisa, que trabalham 8 horas por dia (40 semanais) quando chegam ao final do dia estão cansados, no fim de uma semana de trabalho nem se fala. O seu nível de concentração e consequentemente de produtividade vai alterando ao longo do dia. De manhã a coisa leva-se bem, depois do almoço há ali aquele período da “siesta” que é difícil, passado esse período crítico a coisa melhora um pouco, mas por volta da hora do chá (17 horas) começa, novamente, a ser difícil, já se começa a pensar sair dali para ir arejar, ver outras caras, estar com os amigos ou família, seja lá o que for, mas o que querem é sair dali e ir fazer outras coisas. Afinal, diversificar o exercício mental é fundamental para manter a sanidade e promover o equilíbrio emocional.
Vemos, ainda, alguns crescidos a reivindicar as 35 horas de trabalho semanal, porque têm uma actividade desgastante que os deixam exaustos o que consequentemente aumenta risco de erro humano.
Perante isto tenho 2 perguntas concretas:
O que espera a “cabecinha pensadora”, aquela que decidiu que o horário de aulas das crianças do turno da tarde seria das 13:30h às 19:00h, do rendimento escolar destes alunos?
Será que a “cabecinha pensadora”, pensou nas consequências, presentes e futuras, do desequilíbrio emocional destas crianças, causado pelo facto de estarem fechadas dentro do mesmo recinto durante 11 horas diárias, isto é, 55 horas por semana?

Cereja em cima do bolo
Muitas destas crianças, depois de passarem por esta atrocidade diária, ainda têm que chegar a casa, na melhor das hipóteses lá por volta das 19:15h, e irem fazer os T.P.C.
Na busca de respostas, que justifiquem o horário escolar a que estas crianças estão sujeitas, o que encontrei, até agora, visa qualquer coisa menos o superior interesse das crianças.
Não pretendo candidatar-me a porta-voz dos direitos das crianças e jovens, mas sinto necessidade de dar voz a este tema, motivo pelo que voltarei a ele no próximo artigo.
Xi coração  para os “pirilampos”!

Dra. Catita
(Isabel Soares-Psicóloga Educacional)
Facebook: https://www.facebook.com/dra.catita
dra catita

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1 Comment

  • tudo o que possa ser problema ou foco de tense3o soiacl este1 contratado ou em vias disso, agora e9 que vamos ter um governo verdadeiramente popular e representativo com jornalistas, sindicalistas, sem-abrigo, rascas & corajosos.

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