Cada vez mais homens têm aulas para aprender a ser pais

Não são só as grávidas que se preparam para o nascimento do filho. Mesmo "obrigados" pelas companheiras, os futuros pais aprendem a mudar fraldas ou a limpar os ouvidos.

Com uma mão no bolso e o outro braço a segurar um bebé, Pedro Bandola tenta dar banho a uma criança. O resultado foi uma gargalhada geral, quando foi chamado à atenção pela enfermeira. O bebé felizmente é um boneco, que serve para os futuros pais aprenderem a lidar no dia-a-dia com o filho, e Pedro Bandola aprendeu de imediato uma lição: mão no bolso durante o banho, não.

Como este financeiro, há cada vez mais homens a acompanhar as mulheres grávidas nas aulas de pré e pós-parto: nas primeiras, ensina-se a apoiar as futuras mães; nas segundas, a tratar do bebé que aí vem.

Primeiro ponto comum: no início, quase todos são "incentivados" pela companheira a ir às aulas. Segundo ponto: depois da primeira aula, fazem tudo para não faltar a mais nenhuma, admitem.

São vários os centros que incentivam a presença dos futuros pais ao lado das grávidas. Alguns têm aulas só para eles, mas tentam que os homens acompanhem a mulher. Os preços variam entre os 150 e os 200 euros, consoante o tipo de aulas. "Pensa-se sempre que estas aulas não são necessárias e eu tive de ser… incentivado pela Tânia. Mas rapidamente percebi o quanto era importante", confessou Pedro, de 31 anos. Agora não hesita em dizer que foi útil: "Sei como devo estar em alerta para as contracções, por exemplo."

A enfermeira Catarina Alves é quem dá as aulas no Centro Pré e Pós-Parto, em Lisboa. "Assumo uma postura de envolver os pais. Para a maioria, é o primeiro filho, e como a gravidez tem mais a ver com o físico da mulher, às vezes os pais passam um pouco à margem", explicou. Porém, Catarina esforça-se para os homens comunicarem nas aulas, proibindo, de vez em quando, as mulheres de responderem às questões. "É essencial que tenham o mesmo nível de informação. As mulheres tem a tendência para ler muito, eles não. Aqui aprendem a controlar a ansiedade e, muitas vezes, têm a percepção pela primeira vez de que vão ser pais", disse.

Um dos pontos focados nas aulas é evitar situações de pânico. Algumas palavras complicadas vão surgindo no ecrã durante a apresentação em powerpoint. A enfermeira explica que não é para decorarem: "É para não se assustarem quando ouvirem os médicos." E depois tenta dar uma imagem descontraída do parto usando analogias como a "enfermeira da gilete", para fazer a depilação, ou a "enfermeira do clíster". "Pode parecer assustador, mas quando estão no hospital e vêem a enfermeira com a gilete, começam a rir."

Gonçalo Frade, de 31 anos, admite que aprendeu a não "sofrer por antecipação", apesar de confessar que não registou nada do que ouviu. "Acho que quando for o momento vou lembrar-me", afirmou. Sempre a sorrir, este especialista de controlo financeiro disse estar absorvido no emprego. "Ainda nada mudou e talvez por isso ainda não tenha assimilado o que aí vem. Quando a Joaninha nascer, vou perceber que tenho de mudar algumas coisas", admite

A mulher, Ana, interrompeu a conversa: "Já fizemos um teste. Comprámos uns peixes." O resultado? "Morreram", responde Gonçalo a rir. Quer assistir ao parto mas admite que pode "desmaiar".

Mais nervoso parece estar Rui Duarte. "Nunca peguei numa criança", adiantou. Destacou o quanto foi bom ter aceitado o "convite" da mulher, Rita, em frequentar as aulas, mas defende que só quando Rodrigo nascer é que vai ter a verdadeira aprendizagem: "Vai ser com o tempo e com a prática, mas fiquei com umas bases que não tinha. A Rita já sabia tudo, agora também estou informado."

Frederico Garcia, de 31 anos, foge à regra do "incentivo" da mulher. "Há uma tendência natural para elas estarem informadas. Estes cursos são bons, pois, ao não ter tempo para ler, sempre acaba por suprir a falta de informação", explicou o advogado.

Esteve sempre bem-disposto durante a "aula do banho", onde aprendem a lavar o bebé. "É uma brincadeira saudável. E a brincar, a brincar, aprende-se muito", referiu. Assume que a ansiedade começa a aumentar, já que Leonor pode nascer dentro de poucos dias, mas não hesitou em dizer: "Continuo bem-disposto como sempre e tenho de manter-me assim. O desespero não resolve nada."

in dn.sapo.pt

Written By
More from

Mónica Almeida – Fotografia

A Mónica, 40 anos, fotógrafa especializada em Grávidas, Recém-nascidos e Crianças. Moroui...
Read More

Deixar uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *