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Casa Índigo: A estranha escola onde os alunos adivinham o futuro

Casa Índigo: A estranha escola onde os alunos adivinham o futuro
do Bebé

Ministério da Educação reconheceu Casa Índigo, onde se acredita que as crianças falam aos 4 meses

Não, não está a entrar num episódio dos "Ficheiros Secretos" ou de "Twilight Zone".

 No fim do labirinto que conduz ao Largo D. João I, em Caparide, Cascais, há um relvado maltratado, meia dúzia de árvores despidas e, mais à frente, uma casa, pequena, com um letreiro azul envergonhado: "Fundação Casa Índigo". Cheira a incenso neste estranho mundo onde se acredita piamente que as crianças podem adivinhar o futuro ou falar aos quatro meses. 
 
Teresa Guerra é a directora da fundação que o Ministério da Educação reconheceu, no ano passado, como Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS). Compõe o lenço azul-claro que traz à volta do pescoço, enquanto vai garantindo que "estas crianças são o resultado da evolução da espécie." 
 
Segundo nos diz, foi nos anos 90 que Teresa começou a aperceber-se de que muitas crianças extremamente inteligentes tinham dificuldades em relacionar-se. "Focavam-se numa só direcção e desligavam completamente do resto. Eram rotuladas de rebeldes e os pais andavam com elas em psicólogos e psiquiatras, que simplesmente as medicavam. Às vezes chegam-nos cá crianças completamente drogadas", conta. Na fundação opta-se por outro tipo de tratamentos: "Temos homeopatas, ioga, Chi Kung, Reiki, seminários de cura galáctica, harmonização de hemisférios… O nosso objectivo não é ‘curar’ as crianças, mas integrá-las na sociedade." Até porque elas não são doentes.
 
Teresa acredita que, entre os vários tipos de índigos, existem os interdimensionais: "Que vêem e sentem coisas que mais ninguém vê ou sente. Sem nunca terem visto o avô, sentem a sua presença e falam como se o vissem." Mas há outras categorias: "Os humanistas, por exemplo, gostam muito de conversar e isso perturba o ritmo na escola."
 
Foi para os professores aprenderem a lidar com estas crianças que o Ministério da Educação certificou um curso da Fundação Casa Índigo. A formação era paga pelos professores (50 euros/mês), mas valia créditos para a progressão na carreira. O primeiro curso começou em Março e os 30 professores inscritos já o terminaram. Entretanto começou outra formação – com dez docentes -, mas apesar de o ministério manter a certificação decidiu-se que este curso não valerá créditos. "Não vale a pena repetir toda a polémica que causou o primeiro [além de várias notícias, mereceu uma reacção do Bloco de Esquerda]", diz Teresa.
 
DÚVIDA Mas como será que se consegue ver se uma pessoa é índigo? "Normalmente percebe-se quando têm dois ou três anos. Já apareceu cá uma criança de ano e meio que lia jornais, outra que aos oito meses dizia palavras e aos dez meses falava. Segundo os estudos mais recentes, 80% a 90% das crianças que nascem actualmente têm estas características", responde a directora da fundação. Mas não é sempre assim.
 
Miguel, filho de José Pinto Cardoso, professor de História, tinha 15 anos quando "fez um processo de rejeição total à escola". O pai conta que tentou "todos os meios, mas nada resultou". "Pensava sempre que alguma coisa havia de conseguir ajudar o meu filho." Um dia Miguel pediu ao pai: "Levas-me à Fundação Casa Índigo?" José acedeu. "O Miguel começou esta semana a trabalhar e diz que em Setembro quer voltar à escola. Está muito melhor", diz o pai, que se tornou voluntário na fundação.
 
SER ÍNDIGO Adolescentes que rejeitam a escola e, passado algum tempo, querem voltar existem desde sempre e aos milhares. Mas o que faz de Miguel um índigo? "É uma coisa que se nota. O Miguel é uma criança muito inteligente e tem um jeito natural para computadores." E não existe um diagnóstico mais concreto? "Sim, existe! Há uma série de testes que fazemos, vemos as suas reacções perante algumas situações, conversamos com eles", explica Teresa Guerra.
 
A sala onde as crianças têm as actividades de grupo parece um infantário normal. Mas não é. Os desenhos representam pessoas com auras coloridas, bolas, estrelas e anjos em redor. Pendurados nas paredes, um "Mantra Gayatri" e uma "Prece às Sete Direcções Galácticas". A "cultura holística das crianças índigo" bebe inspiração em várias civilizações, como a budista ou a maia, e incentiva o respeito pelo planeta. Um cartaz atesta: "Eu sou amigo dos animais, eu não como os meus amigos."
 
É nesta sala que brincam os filhos de Sofia Coutinho. Ela garante que ambos são índigo. A dúvida repete-se: "Como é que percebeu que uma criança de um ano, como o Tomás, era índigo?" Sofia encolhe os ombros, arregala os olhos azuis e conta: "Ele era tão calminho. Nem parecia que tinha um bebé em casa."
 
Tomás, agora com três anos, está entretido com a sua vida de bebé: ora persegue insectos-dinossauros, ora foge deles aos gritos. O irmão, Diogo, tem sete anos e mantém-se muito calmo, direito, de olhar desconfiado. 
 
A mãe lembra o dia em que o filho se virou para ela e disse: "Mãe, nós vamos morar em Paço d’Arcos e eu vou ser um campeão." Passado um ano, Sofia divorciou-se e foi morar para essa freguesia do concelho de Oeiras. Hoje Diogo pertence à equipa de hóquei do Clube Desportivo de Paço d’Arcos e em Janeiro sagrou-se campeão da distrital de Lisboa. 
 
Sofia tem um desenho de Diogo na carteira. Nele vê-se uma casa, árvores e crianças a brincar – o desenho de uma criança normal. Mas junto às margens da folha há um grande círculo desenhado com muitas cores. "O que é isto, Diogo?", perguntou Sofia ao ver o desenho pela primeira vez. "Ó mãe, todas as coisas têm uma bola à volta. Umas são escuras e muito feias, outras têm muitas cores e são bonitas." A história é o pretexto perfeito para lançar um desafio: ver a aura do filho. "Relaxe e descontraia o olhar. Desfoque a visão", diz a mãe, encostando o filho contra uma parede branca. O novato cumpre as ordens. "Agora concentre-se num ponto atrás do Diogo e espere. Vai começar a ver uma luz a vir de baixo. Depois a luz contorna o corpo dele e ganha cor." Apesar do esforço, nada acontece. "Vá lá, concentre-se! É uma luz branca que começa a vir daqui", insiste Sofia, enquanto aponta, excitada, as pernas do filho. Mas Diogo continua a parecer um miúdo como os outros. 
 
Depois de vários minutos sem resultados, desistir é a única saída. Sofia não desarma e, já na rua, aponta para uma árvore. "Tente ver as auras delas. É bem mais fácil." Talvez noutra altura. Na despedida, existe pelo menos a aura da inteligência a sorrir nos rostos dos miúdos. Sofia enche o peito de ar e suspira. Desabafa, finalmente: "Estão muito melhor desde que cá vêm. Diga-se o que se disser, o que fazem cá resulta. E não precisei de os medicar." O caminho de regresso a casa é feito de olhos franzidos. A tentar descobrir as auras das árvores do caminho. Sem sucesso. 

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