Centro Juvenil de Campanhã aberto a idosos e raparigas

Fundado para ajudar meninos órfãos da tragédia na Ponte das Barcas, centro quer alargar valências e passar a ajudar meninas e idosos. Apoio do Estado é vital para contornar obrigações financeiras que novas vertentes vão implicar. Depois de quase duzentos anos a apoiar centenas de meninos e jovens, o Centro Juvenil de Campanhã (CJC), no Porto, pretende agora alargar as suas valências e passar a acolher meninas e idosos. A estes projectos junta-se também a vontade de colocar os menores em campos de férias e de adquirir um apartamento, para acolher jovens em fase de desinstitucionalização. Tudo desejos que, refere o presidente do CJC, dependem muito do apoio estatal, "mas também da boa vontade da sociedade civil".

Fausto Ferreira refere-se quase sempre ao CJC como uma "grande família", que acolhe crianças e jovens em risco desde os cinco até aos 20 anos e se divide entre a sede no Porto e o pólo em Vila do Conde. Ao todo são quase 110 menores institucionalizados. Porém, com um orçamento de dois milhões de euros suportado apenas em 60% pela Segurança Social, torna-se complicado, ainda mais em tempo de crise, apostar em novos voos. Contudo, entre as grandes prioridades, está a abertura da valência de 3.ª idade. "Logo que possível, porque era muito importante para ajudar ainda mais a integrar os menores", frisa Fausto Ferreira, explicando que "se for coisa leve poderá ser feito nos espaços já existentes".

Já quanto à abertura do CJC a raparigas diz que é um projecto mais delicado. O objectivo é abrir esta valência em Vila do Conde e "procurar que em 40 miúdos 10 ou 12 sejam meninas", embora sempre com a noção que é necessário criar novas condições que podem passar, entre outras, por dedicar um dos três pisos exclusivamente às raparigas. "O acolhimento misto é importante pois permite proteger as próprias famílias, quando temos casos em que é preciso institucionalizar dois irmãos, rapaz e rapariga", justifica Fausto Ferreira.

Paralelamente a estes dois projectos, mais ambiciosos, os responsáveis do CJC querem ainda conseguir enviar, já no próximo Verão, cerca de 60 miúdos para campos de férias. "A ideia é que sejam distribuídos para vários campos durante dez a 15 dias", salienta Fausto Ferreira, explicando que, desta forma, "ajuda-se a fomentar o convívio com o exterior". "Não se pode preparar os miúdos para viver fora da instituição se não mantiverem o contacto com o exterior", refere o presidente do CJC.

O trabalho nesta área é árduo e, defende Fausto Ferreira, por vezes no limite. É por isso que antes de aceitar a institucionalização de um menor o CJC realiza um diagnóstico prévio de acolhimento. "Temos de saber quem estamos a acolher", diz Fausto Ferreira, frisando que "se por um lado é preciso respeitar os direitos daqueles que vão ser acolhidos, é igualmente necessário respeitar os dos que já estão no Centro". "Precisamos de saber se temos condições para receber os menores", conclui. Apesar das dificuldades, desde 1996 até 2006, só no Porto, foram desinstitucionalizados 200 crianças e jovens.

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