Criança sobrevive a queda num poço

Um menino de sete anos caiu a um poço com 12 metros de profundidade, ontem, sábado, quando estava a brincar em casa dos avós, em Canidelo, Gaia.

Sérgio conseguiu agarrar-se a um tubo e foi retirado, são e salvo, por um tio que desceu ao poço com uma corda.

Alberto Lopes estava a trabalhar num terreno perto de casa quando viu um aparato de ambulâncias, bombeiros e polícia a passar. "Nunca me passou pela cabeça que fosse algo connosco", garante, ao JN. Só quando chegou a casa, na Rua da Vista Alegre, em Canidelo, Gaia, é que soube o quão perto estivera a tragédia de abater-se sobre a sua família. "Foi Deus quem pôs a mão", afiança a mulher, Maria da Graça.

Sérgio estava, como sempre, ao cuidado da avó, quando, cerca das 15.40 horas, apanhou o susto de uma vida. "Os meus três netos estavam, com uma menina que eu tomo conta, a brincar no pátio. A dada altura, lembraram-se de fazer uma barraca. Mas precisavam de molas", conta Maria da Graça.

Foi quando Sérgio, que é descrito como um menino "muito activo", teve a ideia de ir tirar as molas às cordas de estender a roupa. "Podia ter usado o pau que segura as cordas para fazê-las descer. Mas achou que não chegava lá e subiu para o poço", relata ainda a avó, com as lágrimas nos olhos.

Mal pôs os pés em cima, a tábua que tapa o poço partiu e a criança caiu a uma profundidade de 12 metros. "Por sorte, choveu nos últimos dias e o poço tinha alguma água, que amorteceu a queda. É que, no fundo é só entulho. Há muito que tencionamos fechar o poço", explicam os avós, ainda espantados com a esperteza e capacidade de reacção do menino.

É que, apesar do susto, Sérgio, com apenas sete anos de idade, teve a agilidade mental para se segurar a um tubo, usado para bombear a água. E assim ficou, enquanto a ajuda não chegou.

"Estava dentro de casa, quando os miúdos começaram aos gritos. Quando vi o que se passava também gritei. Estávamos todos aos gritos. Foi o pânico", descreve Maria da Graça, ainda nervosa.

Um verdadeiro herói

Num terreno ao lado, estava um tio e um primo de Sérgio que saltaram logo o muro. Foi o tio quem pegou numa corda e desceu ao poço. "Pegou na corda e colocou à cintura do meu neto e içaram-no", explica a avó, que assistiu a tudo com o coração nas mãos.

Quando os Sapadores de Gaia chegaram ao local, já Sérgio estava fora do poço, são e salvo. Mesmo assim, e por precaução, foi levado para o Hospital Eduardo Santos Silva, em Gaia, onde foi submetido a vários exames.

"Os médicos dizem que está a portar-se como um herói. Nem chora", revela Maria da Graça, com orgulho no seu netinho. "Temos uma ligação muito forte. Tomo conta dele praticamente desde que nasceu. E ele adora estar aqui", afirma, assegurando: "Foi Deus quem o ajudou. Se fosse eu morria de susto".

in JN

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