Crianças até os 5 anos aprendem segunda língua com mais facilidade

Língua estrangeira pode ser absorvida de forma natural e com fluência. Estímulos lúdicos aumentam sinopses do cérebro e facilitam aprendizado.

Até aos três anos de idade, estímulos oferecidos de forma lúdica às crianças podem aumentar o número de sinopses do cérebro e facilitar seu aprendizado, memória visual e auditiva. Já estímulos relacionados à fala e à linguagem são eficazes principalmente até os 5 anos, porque fazem com que a criança aprenda uma segunda língua de forma fluente e natural.

“Nós nascemos com a capacidade de identificar diversos idiomas e entonações diferentes da nossa. Caso não haja estímulo, nós vamos perdendo essa capacidade ao longo dos anos. Já se formos estimulados e acostumados a conviver com outras línguas, o aprendizado ocorre de forma natural”, diz Luiz Celso Vilanova, professor responsável pela Neurologia Infantil da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Quem não aprendeu a segunda língua até os 5 anos, no entanto, não precisa se preocupar. De acordo com Vilanova, é sempre possível aprender a segunda língua, mesmo que não com a mesma naturalidade e rapidez. “A partir dos 10 anos, essa capacidade de compreender novas línguas fica mais limitada, então a criança precisa de mais tempo”, afirma. 
                              
Língua única até os 5 anos

Na escola bilíngue Suíço-brasileira, em São Paulo, o primeiro contato com a alfabetização ocorre em uma única língua. O aluno suíço-alemão, até os 5 anos, tem contato com somente com o alemão, e o aluno brasileiro, apenas com o português. Depois dos 5 anos ele começa a ter acesso às duas línguas e a partir dos 7 anos ele tem 50% do conteúdo das disciplinas em alemão e 50% do conteúdo em português.

“Quando começa mais cedo é mais fácil. Com isso, você forma um jovem diferente com um cérebro que passa a pensar diferente. As outras línguas que são inseridas no programa a partir da 5ª e da 7ª série são aprendidas naturalmente”, diz Matthias Meier, diretor executivo da escola.

A escola segue o calendário brasileiro e o programa de conteúdo aprovado e proposto pelo Ministério da Educação (MEC). O aluno que não tem nenhum conhecimento em alemão pode ingressar na escola até a 7ª série, quando ele recebe auxílio para se adaptar. A escola tem quatro anos de ensino médio. 
     

O número de escolas bilíngues no Brasil subiu de 156 para 180, de 2007 para 2008. O levantamento foi feito por Lyle Gordon French, diretor pedagógico da Escola Cidade Jardim/PlayPen. Não há um consenso sobre o que se chama de ensino bilíngue e ensino internacional. Para French, o ensino bilingue ensina o conteúdo brasileiro, com o calendário brasileiro, em duas línguas.

Já escolas internacionais seguem o calendário do exterior, outro currículo do país, contrata professores nativos e destina um tempo muito menor para aulas de português, a língua mãe do aluno. “Esse método é muito utilizado por famílias que costumam viajar com frequência, porque uma escola americana, por exemplo, segue a mesma linha no Brasil, no Peru ou em qualquer parte do mundo”, diz.

Segundo French, a escola bilíngue foca seu ensino nas duas línguas. “Tentamos equilibrar a quantidade de aulas em português e inglês porque entendemos que o aluno deve ser forte em sua língua mãe, mas fluente também na segunda língua”.
                                  

Aprendizado por imersão

Na Escola Cidade Jardim/PlayPen, que ensina inglês e português, o aluno fica até os cinco anos apenas aprendendo em inglês. “Esse momento é muito importante para o aprendizado posterior”. Em casa, os pais podem continuar falando em português normalmente. A partir dos 5 anos ele começa a ser alfabetizado em sua língua mãe e, aos 8 anos, já consegue ler, escrever e falar nas duas línguas.

“Estudos comprovam que se compararmos alunos que estudaram em escolas bilíngües com alunos de escolas monolingues, quando avaliados em sua língua mãe, notaremos que os alunos bilíngues têm melhor desempenho”, diz French. O educador considera que isso acontece porque o cérebro da criança bilingue recebe mais estímulos.

O conteúdo solicitado pelo MEC também é cumprido. Nessa escola, o aluno pode ingressar no ensino até o 9º ano, última série oferecida pela escola.

 Imersão parcial

A Escola Pueri Domus, em São Paulo, que há 10 anos oferece o Global Brazilian American Program, baseia o ensino bilíngue dos alunos no método da imersão parcial. “Até os 4 anos a criança tem contato exclusivo com sua língua mãe, para garantirmos uma base sólida de aprendizado. Depois disso, ela passa a ser inserida no contexto do inglês, mas será alfabetizada inicialmente na sua primeira língua”, diz Fernanda Zochio Semeoni, diretora geral do Pueri Domus. A escola oferece também o ensino tradicional.

Os alunos aprendem de acordo com o calendário brasileiro. Segundo Fernanda, ocorre a integração entre o currículo brasileiro e o americano uma vez que os alunos estudam em tempo integral, com o currículo brasileiro no período da manhã e o americano no período da tarde.

“No começo as crianças misturam um pouco as duas línguas, mas com o tempo elas conseguem distinguir exatamente com quem devem falar em inglês e com quem devem falar em português”, afirma.

in G1

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