Crianças sobredotadas: Nasce-se inteligente

Normalmente, estas crianças apresentam uma grande criatividade, um bom desenvolvimento intelectual, pensamento criativo e uma aptidão académica específica. São crianças extremamente curiosas e devem ser motivadas para que não surja qualquer espécie de desinteresse pelas actividades que desenvolvem.

Sinais que não devem ser ignorados

 

Alguns estudos científicos efectuados noutros países indicam que há entre 3 a 5% crianças sobredotadas. No entanto, ainda não existem estudos nacionais que nos indiquem a sua prevalência em Portugal. “Estamos com vontade de fazer este estudo baseado numa amostra significativa”, comenta Helena Serra.

 

As manifestações surgem quando as crianças são ainda muito pequenas. “Muitas vezes, os próprios pediatras apercebem-se que a postura, a atitude e a maneira de reagir da criança na consulta de pediatria é diferente. Há pais que são alertados pelos próprios pediatras para procurarem orientação para a educação dos filhos. Isto pode acontecer quando as crianças têm dois, três anos”, explica Helena Serra.

 

Os sinais mais frequentes e a que os pais devem estar atentos podem passar por desempenhos desenvolvidos a nível do vocabulário, da adjectivação e da estrutura da frase. “Há crianças que apresentam uma grande riqueza de frases e outras têm uma grande aptência por números ou símbolos. Por exemplo, em idades muito pequenas, são capazes de decorar matrículas e marcas de automóveis”.

 

Outras desenvolvem capacidades de leitura fora do comum ou caracterizam-se por competências a nível musical ou de outro tipo de artes. “Noutros casos, as crianças revelam-se em vários campos em simultâneo, podendo caracterizar-se por inteligências múltiplas”. Quando comparadas com grupos culturais e de faixa etária equivalentes, estão claramente acima da média.

 

Acompanhamento regular precisa-se!

 

“É recomendável que estas crianças sejam inseridas em turmas de bom nível”, explica Helena Serra. Um aspecto fundamental na escola é o desenvolvimento de actividades em grupo. “Estas crianças têm de se socializar pela afectividade e pelo jogo. A APCS está empenhada na luta para a colocação, em cada agrupamento, de uma dupla composta por um psicólogo e um pedagogo para acompanhar os casos que vão surgindo”. Se estas crianças não forem devidamente encaminhadas, o indivíduo “pode vir a transformar-se num fardo para a sociedade e passar a depender de medicamentos para andar equilibrado.

 

Não acompanhar de perto estes casos é um grande desinvestimento social e um risco que se corre”, fundamenta Helena Serra, acentuando a necessidade das escolas investirem nestas crianças.

 

Torna-se fundamental integrar as crianças sobredotadas em actividades de grupo que têm a finalidade de as colocar ao mesmo nível sócio-afectivo de outras crianças. “Não tenho dúvida que estas crianças serão bem sucedidas a nível profissional, mais tarde, desde que o envolvimento social seja bem estruturado na fase de crescimento”, conclui a presidente da APCS.

 

 

 

Precisa de apoio? Procure ajuda especializada!

 

A Associação Portuguesa de Crianças Sobredotadas foi fundada em 1986, no Porto. O objectivo geral é assumir a defesa dos direitos e necessidades das crianças sobredotadas e suas famílias. Conta com uma média de 150 a 200 associados e promove o programa “Sábados Diferentes”, em parceria com a Escola Superior de Educação de Paula Frassinetti com o objectivo de fomentar actividades de enriquecimento para estas crianças e para os seus pais. Se precisar de algum tipo de apoio, não deixe de contactar a APCS.

 

 

 

Contactos

 

Rua Gil Vicente, 138-140
4000-255 Porto
Telf. 225 573 420/5
Fax. 225 508 485
Site. www.apcs.co.pt

 

 

 

Mãe tem três filhos sobredotados

 

Chama-se Cristina Barros e não tem um, nem dois, mas sim três filhos sobredotados. Como tem uma família muito grande e também eram conhecidos casos semelhantes no seio familiar, Cristina ignorou alguns dos sinais que as outras pessoas lhe iam dando a propósito dos seus filhos. “Lembro-me que a enfermeira do infantário ficou muito espantada porque ele conseguia imitar um burro, com apenas dez meses”, diz-nos.

 

Confessa que o seu filho mais velho, Rodrigo (nome fictício) sempre se caracterizou por ter um sentido de humor incrível e que essa característica o diferenciava de outros meninos da mesma idade. “Nunca pensámos que poderíamos ter um filho sobredotado”. Mais tarde, a família foi viver para os EUA e os filhos de Cristina aprenderam a falar inglês através dos desenhos animados da Disney que davam na televisão. “Achava que tudo isto era absolutamente normal e justificava sempre os sinais pelo facto de terem uma vivência muito rica e por se integrarem numa família grande”.

 

De regresso a Portugal, os sinais voltaram a evidenciar-se e, mais uma vez, Cristina foi chamada à atenção para o facto dos filhos estarem mais avançados que outras crianças. A procura especializada deu-se mais tarde. “A minha irmã tinha uma amiga que era aluna na Escola Superior de Educação de Paula Frassinetti. Na altura, ela reconheceu alguns sinais e chamou-nos à atenção para o facto das crianças serem sobredotadas. Mais tarde, houve também uma professora que nos disse que o nosso filho estava num patamar muito diferente dos colegas”. Foi então que Cristina procurou ajuda especializada e levou os dois filhos mais velhos, Rodrigo e Marta (nomes fictícios) a uma consulta. “A APCS foi uma grande ajuda”.

 

Lá por casa, nunca houve problemas de notas. “Os meus filhos sempre se integraram muito bem e sempre tiveram uma capacidade muito grande em se ajustarem aos diferentes ambientes”. Nenhum deles apresenta um dom especial por uma arte concreta mas caracterizam-se por uma inteligência geral, em vários domínios.

 

Cristina Barros deixa a seguinte mensagem a pais de crianças sobredotadas: “É essencial estarem atentos aos primeiros anos de escola. A primeira e segunda classe são absolutamente decisivas, assim como as abordagens que as crianças fazem. Julgo que os pais devem dar um espaço de manobra, de expressão e de liberdade em casa”.

in Medicos de Portugal

 

 

 

O que prevê a lei

 

Algumas pessoas pensam que as crianças sobredotadas, por serem mais inteligentes que outras crianças da mesma idade têm a vida completamente facilitada e não têm de se esforçar minimamente. Helena Serra chama à atenção para os perigos de tal ideia preconcebida. “Este é um preconceito que deve ser completamente destruído.

 

Estas crianças têm de ser correspondidas nessas competências e há sempre áreas que não acompanham este nível de eficiência fora do normal”. Por isso mesmo, os domínios onde a criança não é tão eficaz devem ser acompanhados de perto. Helena Serra defende que, em todos os agrupamentos do País, devem existir professores com formação nesta matéria. “O professor e a escola têm a responsabilidade de tomar conta destas crianças e propor actividades que as estimulem”.

 

As crianças sobredotadas são protegidas pela lei. Em Portugal, destaca-se o decreto-lei n.º 50/2005, de 9 de Novembro, cujo artigo 5º prevê que as mesmas possam beneficiar, nas escolas, de um plano de desenvolvimento que individualize o currículo e as estratégias pedagógicas no quotidiano escolar.

 

“Há, no entanto, que atender urgentemente ao facto de, o decreto-lei n.º 319/91 (que previa a antecipação da entrada no ensino regular, isto é, as crianças precoces podiam entrar, um ano mais cedo, no início da escolaridade), ter sido revogado. Isto implicaria que a legislação que o substitui previsse tal medida, o que não sucedeu, isto é, o decreto-lei n.º 3/2008 de 7 de Janeiro não prevê essa possibilidade, pelo que neste momento se verifica uma lacuna a colmatar”, defende a presidente da APCS.

 

 

 

 

 

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