CRISE DE IDENTIDADE AFETA MÃE DE PRIMEIRA VIAGEM

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Quando engravidei me dei conta que muitas mudanças aconteciam e outras necessitavam acontecer. Aos poucos fui deixando o mundo de fundo e colocando como figura central a fascinante experiência da maternidade. Por nove meses continuei minhas atividades, mas fui especialmente mimada. Tinha atenção, cuidados, as conversas giravam em torno do meu bem estar e do bebê. Era a primeira criança descendente de ambos os lados das famílias. Até meus alunos, na época com 9 anos, cuidaram da barriga, estudaram o desenvolvimento do bebê e participaram de um workshop de um dos pais que era obstetra. De repente, a maternidade te joga no centro.

Antes de ser mãe, eu era bem independente do tipo motoqueira daquelas que desafiavam os motoboys. Mas nos primeiros três meses, abandonei a moto e tomei consciência, pela primeira vez, de que não existia mais a Lígia e sim, Lígia e alguém e alguéns. Surgia a minha segunda crise de identidade. A primeira foi quando mudei o nome de solteira para o de casada.

Mas a crise se enfraquecia diante do espetáculo de preparar outra pessoa, de estar com o vestido cada dia mais curto, de ter um ser dentro de você. Isso não se explica, se vive. E, logo chegou o dia: parir.

Fiquei uma semana num hospital maravilhoso em São Paulo, que me deixava ser mãe aos poucos e nos tratava muito bem. Mas algo mudou. As pessoas que iam nos visitar, mal me viam e iam direto à linda menina que chamamos de Gabriela. Olhei minha barriga ainda grande, mas já vazia, olhei o bebe, olhei a mim. De centro a coadjuvante. E, mal podia imaginar que por anos, eu seria a mãe de Gabriela e depois de Camila também. Na escola, no médico, na casa dos amigos, no clube,… Mãe de. Era nova identidade que se imprimia, sem grandes crises diante do encantamento. A maternidade me completou, me centralizou, me deu vida. Chegaria o momento de repensar a identidade.

Sei que Beth apareceu na maternidade com dois presentes. Um para o bebe e outro para mim, um lindo par de brincos. Senti-me tão bem! E aprendi que vale levar presente para a recém mãe, bem como olhá-la, escutá-la, cuidá-la, afinal, ela também vive um nascer.

E assim foi: Nascia uma mãe e uma filha. E algumas normais crises. Viva!

Lígia Pacheco

Palestrante, Docente, Pesquisadora Educacional e Colunista Revista Pais & Filhos Brasil

filhosofar
http://filhosofar.blogspot.com.br

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