Cyberbullying. Judiciária recebe uma queixa por dia

Maria decidiu pôr um ponto final na relação. Para se vingar, o namorado apoderou-se do perfil dela no Hi5 e começou a enviar mensagens difamatórias a todos os amigos e contactos profissionais da rapariga. Esta é apenas um exemplo, bastante frequente, do fenómeno de cyberbullying em Portugal – intimidação e perseguição psicológica na internet. O cyberbullying está a crescer de forma alarmante no país. "Há dois anos, ninguém sabia o que era. Em 2010, a polícia recebe uma queixa por dia a nível nacional". Palavras do inspector Baltazar Rodrigues, da divisão de combate ao crime informático da Polícia Judiciária (PJ), proferidas numa palestra sobre cibercrime no Instituto Superior Técnico. Só na região de Lisboa, 145 casos relacionados com cyberbullying estão actualmente em investigação, avançou ao i Baltazar Rodrigues. Como esta prática não está prevista na lei portuguesa, o cyberbullying é um fenómeno que aparece diluído nas queixas de difamação, injúria, devassa da vida privada, devassa por meios informáticos e ameaça da prática do crime, explica. Contudo,"é cada vez mais frequente entre miúdos" devido ao sucesso cada vez maior dos blogues e das redes sociais, confirma o inspector. "É um fenómeno crescente em Portugal, em especial entre os jovens porque não pensam bem nas consequências destes actos e são os mais aderem às novas tecnologias", confirma Tito de Morais, responsável pelo site Miúdos Seguros na Net, que tem acompanhado casos nas escolas e alguns particulares que chegam à sua caixa de correio. "Em Julho 2008, a Assembleia da República aprovou por unanimidade uma recomendação do CDS-PP para promover uma campanha nacional de sensibilização e prevenção dos riscos da internet para as crianças na comunicação social e nas escolas. Passados quase dois anos, ainda não viu a luz do dia", lamenta Tito de Morais. "Nas escolas, não há um levantamento do fenómeno, nem procedimentos para lidar com casos, que acabam por não serem reportados. Só no dia em que houver um suicídio é vai haver uma proposta legislativa a sério", alerta. "Questionamos o governo sobre a implementação do plano e a resposta que obtemos é que está em estudo. A inércia é total", explicou ao i a deputada do CDS-PP, Teresa Caeiro, que apresentou a proposta. "Não há, de facto, dados estatísticos em Portugal. Mas através dos testemunhos de professores, sabemos que é um fenómeno que está a crescer e a ocorrer com maior frequência", confirma João Amado, professor na Faculdade de Psicologia da Universidade de Coimbra, que está a preparar um manual digital sobre cyberbullying para publicar em Setembro. O cyberbullying é uma prática antiga – gozar, difamar ou humilhar o próximo -, mas com recurso a novos meios tecnológicos: internet, telemóvel e suportes digitais. Insultos, comentários obscenos e imagens comprometedoras postadas nas redes sociais, e-mails com ameaças ou agressões filmadas que acabam à vista de todos num vídeo do YouTube, tudo isto é cyberbullying. Como a internet protege os anónimos, alicia muitos a levar a cabo vinganças, actos de gozo, ou assustar pessoas conhecidas. Ao contrário do bullying físico, este acto é também praticado por adultos, explica a socióloga Luzia Pinheiro e autora da tese de mestrado "Cyberbullying em Portugal: uma perspectiva sociológica" apresentada em 2009 na Universidade do Minho. Nas escolas, acontece a partir dos dez anos. "É geralmente uma forma de potenciar e agravar acções de bullying directo", nota João Amado. "Na altura da definição da sexualidade, entre os 13 e 15 anos, pode ter consequências muito negativas sobre a vítima como depressão e mudança de escola. Nos casos mais extremos, pode levar ao suicídio, como já aconteceu nos EUA", aponta Luzia Pinheiro. As conclusões da socióloga revelam outro dado : "Num universo de 43 inquiridos, cerca de 40% seria capaz de recorrer ao cyberbullying, mesmo que a maioria não tenha consciência do que é e das suas consequências". Por desconhecerem o que é o cyberbullying, por vergonha ou por desvalorizar um insulto, as vítimas não se queixam. Por isso, o fenómeno está muito pouco explorado", concordam os especialistas. Com Rosa Ramos e Ana Rita Guerra in ionline.pt

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