Displasiada anca vai ser alvo de rastreio

A displasia da anca afecta três em cada mil bebés. Sexo feminino, antecedentes familiares da doença e apresentação de pelve durante a gravidez são factores de risco. Para evitar um diagnóstico tardio vai ser feito um rastreio nacional.

A displasia da anca – patologia na qual existe uma relação anormal entre a cabeça do fémur e o acetábulo (estrutura óssea existente na anca) – é um dos temas em destaque no XIX Congresso Nacional de Ortopedia e Traumatologia, que decorre até sexta-feira no Porto. O assunto veio colocar sobre a mesa a questão da detecção da doença, já que o diagnóstico é feito, na maior parte das vezes, tardiamente. O director do Serviço de Ortopedia do Hospital Dona Estefânia, Manuel Cassiano Neves, aponta que, "de 2005 a 2008", foram observados 220 casos de "crianças com diagnóstico tardio".

É precisamente para evitar essa situação que vai arrancar, em Janeiro, um programa de rastreio a nível nacional. Numa primeira fase, "cabe aos pediatras e clínicos gerais um primeiro rastreio da doença", através do recurso à imagiologia. Já o ortopedista "apenas intervém após o diagnóstico", explicou Cassiano Neves.

Sendo uma doença congénita, "que se traduz por uma alteração no natural desenvolvimento do acetábulo", deveria ser detectada à nascença ou nos primeiros três meses de vida, adiantou. Mas tal nem sempre se verifica. Daí a preocupação em detectar atempadamente esta patologia, com a colaboração de "todas as especialidades envolvidas", de forma a que, no futuro, "as formas de actuação sejam reproduzíveis por todos". Por "todos" entenda-se as Sociedades de Pediatria, Radiologia, Associação Portuguesa dos Médicos de Clínica Geral e a Secção para o Estudo da Ortopedia Infantil, entidades responsáveis pelo programa nacional de rastreio.

Os factores de risco para a displasia da anca são múltiplos. Sexo feminino, raça branca, antecedentes familiares de displasia de desenvolvimento da anca (DDA) e apresentação de pelve – cavidade óssea da bacia – durante a gravidez, são alguns deles, embora seja difícil "definir o que é o risco", admitiu Cassiano Neves.

Factores de crescimento

A vertente desportiva também esteve presente no primeiro dia do congresso. Na sessão sobre o "ligamento cruzado anterior" do joelho e os seus tratamentos cirúrgicos, Henrique Jones, médico da selecção nacional de futebol, elegeu a terapêutica dos factores de crescimento como o tratamento mais rápido. Esta baseia-se na retirada de uma pequena quantidade de sangue e na sua renovação através de centrifugação das plaquetas, sendo posteriormente reposta para actuação local.

in JN

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