Divórcio

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É mais fácil ao psiquismo humano inventar foguetões com destino à lua do que aceitar uma separação” (Berger, 2003).

Quando um casal se une e partilha sonhos, sentimentos e ambições, essa união é, maioritariamente, encarada por ambos como algo que irá aprofundar a relação estabelecida até ao momento, havendo um sentimento dominante de felicidade e expectativa em relação ao futuro e aos frutos a que o mesmo dará origem.


Partilhar os sentimentos com alguém, amar, acarinhar, rir mas também chorar, ouvir, sentir, conversar mas também discutir… tudo isso faz parte das relações entre humanos, constituindo processos de crescimento, de conhecimento inter e intrapessoal que apenas servirão para fortalecer laços. Mas e quando as coisas não correm bem? O que fazer quando entre um casal surgem conflitos com bastante frequência, ou quando o diálogo é complicado ou até impossível, quando pequenos “nadas” dão origem a discussões violentas ou quando a felicidade inicial deu lugar à angústia, à tristeza, à desilusão e ao desapontamento? E quando existem filhos?

No presente texto irei abordar este assunto cada vez mais frequente na sociedade e que tanta gente vivencia, muitas vezes no silêncio e na esperança eterna de que um dia as “coisas” irão melhorar, prolongando, por vezes, uma situação inevitável e indutora de sofrimento.

A separação/ divórcio constitui um importante momento de crise na vida de qualquer pessoa, ocorrendo uma reacção de luto (sentimentos de depressão, tristeza intensa, dúvidas, instabilidade de humor, entre outros) pelo fim da relação, por pior que esta estivesse. É frequente, que mesmo no período que antecede a separação, o indivíduo se sinta repleto de dúvidas, com alguma dificuldade em pesar os prós e contras da situação, por todo o descontentamento inerente, havendo, por exemplo, o medo e a incerteza perante o futuro sem o cônjuge, ou mesmo, por parte de quem toma a iniciativa de se separar, o desenvolvimento de um sentimento de culpa, principalmente aquando da presença de filhos e/ou se o parceiro se demonstra bastante fragilizado com a perspectiva de separação.
Independentemente da duração da separação, só ao fim de um determinado período de tempo é que o ex-parceiro poderá, eventualmente, ser encarado de forma neutra, ou seja, poderá ocorrer uma dissipação dos sentimentos de raiva, descontentamento, por exemplo. No entanto, este processo poderá ser mais ou menos prolongado e doloroso, sendo que, o recurso a técnicos especializados não é tão pouco frequente quanto se julga, pois é normal que, em dadas circunstâncias, uma pessoa conclua que, por si própria, não está a conseguir “sair” da situação, não porque seja melhor ou pior que outrém, apenas o factor emocional inerente poderá dificultar este processo.

O estado das crianças na sequência do divórcio é algo que preocupa pais, educadores e profissionais que trabalham no sentido de minorar os efeitos dessa situação, sendo que a repercussão da separação ou divórcio parental nos filhos dependerá em larga escala do desenvolvimento e idade dos mesmos. Muitas crianças sofrem a nível psíquico devido às circunstâncias vivenciadas no período pré-separação (discussões, violência verbal e/ou física, humilhações, chantagem, entre outros), circunstâncias essas que poderão, em maior ou menor escala, marcá-las, impedindo-as de vivenciar a tranquilidade subsequente ao processo de separação. Assim, muitas crianças apresentam uma grande dificuldade em expressarem os seus sentimentos acerca do que está a acontecer, mantendo-se aparentemente estáveis, o que levará os adultos a subestimarem a situação. No entanto, tal não significa que não existam crianças que superam relativamente bem o processo de divórcio dos pais, sem apresentarem sintomas de maior. Paralelamente, os sintomas mais frequentes no seio desta temática são:
– Em crianças mais novas (entre os 3/5 anos) – fazer “xixi” na cama, querer dormir com a mãe/pai, alterações do sono, por exemplo
– Em crianças entre os 5-8 anos sensivelmente – marcada tristeza, repercussões em termos do rendimento académico, agressividade, entre outros.
– Em crianças um pouco mais velhinhas, entre os 8-12 anos – movimento de culpabilização e raiva para com ambos ou apenas um dos progenitores por ter causado a separação, ansiedade, isolamento social, desinteresse, por exemplo
– Em adolescentes – poderá ser comum o surgimento de comportamentos rebeldes e desorganizados, depressão, por exemplo

Draª Ana Sousa
(Psicóloga Clínica)
Especialista doBebe.com 

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