Entrevista “benefícios do aleitamento”

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Entrevistas com Rita Penteado e Dr.ª Isabel Rute Reinaldo da SOS Amamentação
Os benefícios do aleitamento materno são inúmeros. Contudo, muitas mães não amamentam os seus bebés ou deixam de amamentar precocemente. Se não for por opção, devem saber que existem soluções. Estão à distância de um telefonema ou de um clique.


Quando estava grávida da Maria, actualmente com 4 anos, Rita Penteado ouviu resignada a notícia de que não poderia amamentar.

«A minha médica disse-me que iria ter enormes dificuldades, porque tinha mamilos planos. Quando a bebé nasceu, a enfermeira disse que não tinha leite suficiente para a alimentar», relata esta mãe de 31 anos.

«Como eram especialistas em saúde a informar-me, pensei que fosse uma situação impossível de alterar. Uns dias depois, deu-se a subida de leite e os mamilos começaram a sangrar e ficaram fissurados. A pediatra sugeriu que tirasse o leite com a bomba de três em três horas, para colocar no biberão», diz Rita Penteado, que alimentou a Maria durante três semanas desta forma.

«Curiosamente, quanto mais leite tirava mais saía, ao ponto de retirar o triplo da quantidade de leite que a Maria tomava. O ingurgitamento era constante, o que acabou por causar uma mastite e um desconforto que a médica resolveu aconselhando-me a secar o leite. Hoje, quando penso nisto, sinto vontade de chorar», desabafa esta lisboeta, empresária de profissão.

Quatro meses depois engravidou e voltou a ouvir da boca de especialistas que não iria ser possível amamentar. Porém, tal não aconteceu. O Miguel, de 3 anos, alimentou-se do seu leite até aos 7 meses.

O que mudou? O facto de entre gravidezes ter conhecido a SOS Amamentação.

Certo dia, lia uma revista especializada em Puericultura quando tomou conhecimento desta associação, que promove e apoia o aleitamento materno. Ligou para o número telefónico indicado e abraçou as informações obtidas.

As dores que sentia no peito ao dar de mamar foram explicadas: o bebé fazia a pega na mama de forma incorrecta. Também seguiu algumas indicações, tais como não usar chupetas, nem biberões ou suplementos alimentares.

«Se não tivesse entrado em contacto com esta associação não teria amamentado o Miguel. Tornei-me voluntária para tentar que outras mães não passem por situações iguais ou idênticas à que tive com a Maria», afirma Rita Penteado, que presta apoio telefónico e domiciliário na SOS Amamentação, sendo também responsável pela gestão do sítio www.sosamamentacao.org.pt aos níveis informático e de conteúdos.

Apoiar as gestantes

É normal ter dores quando mama? O que fazer quando se dá a «subida do leite» e o peito está ingurgitado? O que é uma pega correcta? Existe leite fraco? Como aumentar a produção de leite e evitar o suplemento? É possível amamentar um bebé adoptado?

Estas e muitas outras questões são dirigidas por futuras ou recém-mães à SOS Amamentação, nomeadamente, para o fórum do sítio, através do telefone ou por e-mail.

A resposta é fornecida pelas cerca de 15 voluntárias, mediante escala horária. A maioria teve uma experiência semelhante à da Rita Penteado, no sentido de terem recebido ajuda, e pretenderam auxiliar outras mulheres. Muitas, além de serem mães de profissão, exercem uma actividade profissional, algumas delas ligada à saúde. E todas receberam formação em Aconselhamento em Aleitamento Materno, segundo as orientações da Organização Mundial de Saúde e da UNICEF.

Apesar de ter sido formada como Associação em 2003, a SOS Amamentação deu os primeiros passos em 1998, com a criação da linha telefónica 213 880 915, que funciona 24 horas por dia.

«O telefone encontra-se nas instalações da Ajuda de Mãe e apenas tem uma mensagem no voice mail, que indica os contactos das voluntárias. Isto porque deixámos de ter recursos para continuar com o reencaminhamento de chamadas», indica a Dr.ª Isabel Rute Reinaldo, co-fundadora e coordenadora da SOS Amamentação.

Actualmente, os telefonemas ascendem a 500 por mês. A morada vir-tual foi criada em 2004 e tem vindo a ter muito sucesso, com as mais de duas mil visitas mensais.

Além do apoio virtual, telefónico e domiciliário às lactantes, a Associação SOS Amamentação também objectiva promover o aleitamento materno através de acções de formação, informação, divulgação e educação dirigidas a grávidas, mães e profissionais de saúde.

Da ideia à concretização

«Ao trocar impressões com um casal amigo norueguês, apercebi-me que a informação sobre aleitamento materno no nosso País era escassa. Interessei-me cada vez mais pelo tema, lendo literatura em Inglês, e pensei em várias possibilidades de divulgação», conta Isabel Rute Reinaldo, mãe pela primeira vez em 1991.

O facto de ter dado à luz seis bebés fez com que frequentasse inúmeras aulas de preparação para o parto e foi nessas sessões que começou a divulgar informalmente os benefícios da amamentação. As grávidas, as amigas e as conhecidas foram o seu primeiro público-alvo.

«Em 1996, a Prof.ª Isabel Loureiro, da Escola Nacional de Saúde Pública, soube desta minha vontade em informar as gestantes e convidou-me para realizar o Curso de Formação de Aconselhamento em Aleitamento Materno, no âmbito dos Hospitais Amigos dos Bebés, um projecto internacional da OMS e da UNICEF que promove o aleitamento materno», diz a coordenadora da SOS Amamentação, prosseguindo:

«Durante o Curso conheci a Enfermeira Teresa Félix, a quem apresentei a ideia de se criar uma linha telefónica. Assim, juntamente com outra mãe, criámo-la e o seu desenvolvimento foi tão positivo que começámos a sentir a necessidade de oferecer outro tipo de apoios às grávidas.»

Hoje, volvida quase uma década e criadas outras formas de apoio, os resultados são visíveis. Todavia, os sonhos não finalizaram. «Gostávamos de ter um espaço próprio, agradável, onde as mulheres pudessem dirigir-se, mas neste momento não é possível, devido à falta de financiamento», comenta a mentora desta Associação.

Associação SOS AMAMENTAÇÃO
Especialistas dobebé

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