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Governo falhou promessa aos casais inférteis

Governo falhou promessa aos casais inférteis
do Bebé

A directora clínica da Ferticentro, Isabel Torgal, lamenta que o Governo da República não tenha cumprido a promessa de comparticipar em 100% os tratamentos da procriação medicamente assistida.
Comparticipam no aborto e não comparticipam quando as mulheres querem engravidar», compara esta especialista da clínica Ferticentro, que ontem assinou um protocolo de cooperação com o Madeira Medical Center (ler caixa ao lado).
O primeiro-ministro disse que «a comparticipação medicamente assistida ia ser a 100% em 2008. E eu tive casais que estavam naquela faixa etária limite dos 35 anos e ficaram à espera da comparticipação. Como não veio, os casais voltaram furiosos e zangados a dizer que foram enganados, mas não tinham outra solução, porque já se tinha passado um ano e não sabiam por mais quanto tempo iam ter de esperar. Por isso vieram para clínicas privadas. É dramático, porque na fertilidade da mulher, a partir dos 35 anos, a queda é abrupta. Às vezes seis meses é a diferença entre ter um filho e não ter», contou Isabel Torgal.
Vladimir Silva, que para além de administrador da Ferticentro é consultor da Direcção-Geral da Saúde para a questão da Procriação Medicamente Assistida, reconhece o drama, mas é mais moderado.
Segundo disse, o Governo tem tido «alguma disponibilidade em investir nesta área», mas as «limitações orçamentais» impedem-no de materializar a vontade. Para além disso, a decisão de avançar com esta ajuda surgiu bem no final da “era” do anterior ministro Ferreira de Campos, numa altura em que o governo também se confrontou com o facto de ainda não estar regulamentada a lei da Procriação Medicamente Assistida. Ora, sem regulamentação, não poderia haver clínicas licenciadas para o efeito.
Actualmente, há, entre públicas e privadas, apenas quatro licenciadas, sendo a Ferticentro uma delas.
Para ultrapassar esta questão, o Governo tem de primeiro licenciar as clínicas e depois fazer protocolos com elas, diz Vladimir Silva, que reconhece que o processo está a andar «muito lento», o que já provocou casos «dramáticos», num país onde nascem 1,3 filhos por casal, quando é necessário nascer 2,1 filhos por mulher para se dar a renovação das gerações.
Quando confrontado com estes números, o Governo da República mostra-se disposto a ajudar, mas depois «não paga nada», diz Isabel Torgal.
Importa referir que a infertilidade é cada vez mais frequente na nossa sociedade, sendo uma parte importante devido às mulheres atrasarem a gravidez por motivos profissionais ou económicos. Os estilos de vida também pesam nesta estatística.

Medical Center vai proporcionar nova valência

O Madeira Medical Center (MMC) e a clínica Ferticentro assinaram ontem um protocolo de colaboração que vem permitir que a partir de 1 de Março haja na clínica do Funchal uma consulta de “Reprodução Médica Assistida”.
De início, os casos que exijam uma intervenção laboratorial serão encaminhados para Coimbra, mas futuramente a unidade do Funchal estará também capacitada para agir ao nível do laboratório. Os responsáveis do MMC esperam que até ao final deste ano esse objectivo seja alcançado.
Até lá, os utentes poderão beneficiar no Funchal da consulta e de todos os tratamentos que requeiram apenas medicamentos.
«O MMC, nesta consulta de infertilidade, vai ter capacidade para fazer tudo o que não implica a intervenção do laboratório», explicou o administrador da Ferticentro, Vladimiro Silva, dizendo, contudo, que progressivamente a Madeira vai receber as competências técnicas para intervir ao nível laboratorial.
«Vamos ajudar técnica e cientificamente o MMC a implementar esse serviço», garantiu o responsável.
Quanto aos preços, serão idênticos aos praticados no continente.
Assim, uma inseminação intra-uterina custa 510 euros, uma fecundação “in vitro” 3.300, uma micro injecção são 3.750 euros.
Os medicamentos não estão incluídos, sendo para isso necessário mais quase 900 euros. Por via da Ferticentro, fica ligeiramente acima de 500 euros.

25 milhões fariam nascer 3.000 crianças

A Associação Europeia de Reprodução Humana estipula que seja feitos 1.500 ciclos de fecundação ou micro injecção por cada milhão de habitantes. Fazendo a proporção ao número de habitantes da Madeira – 250 mil – «estaríamos a falar de 350 a 360 ciclos por ano», explicou Vladimir Silva, administrador da Ferticentro, a propósito do número estimado de casais inférteis madeirenses a precisar de uma intervenção laboratorial.
Não quer dizer, contudo, que este seja o número anual de casos que vai chegar à consulta de “Reprodução Médica Assistida”, no Funchal. «Vai depender do preço que se conseguir fazer e do facto de ser, ou não, comparticipado», disse Vladimiro Silva.
Desde que abriu portas em Março de 2002, a clínica Ferticentro já ajudou a nascer cerca de 600 crianças no país e ostenta uma taxa de sucesso média de 41%. Esta é uma percentagem elevada se pensarmos que em 1985, quando a actual directora clínica da Ferticentro, Isabel Torgal, chegou a esta área, a taxa de sucesso era de apenas 10%.
Tal acontece porque esta é uma área que tem sido muito estudada nas últimas décadas. Por exemplo, neste momento Vladimir Silva está a realizar uma tese de doutoramento, na qual apresenta cálculos sobre o custo para o Estado da Procriação Medicamente Assistida (PMA). Pelas suas contas, o Governo da República precisava de 25 milhões de euros para pagar toda a PMA que o país precisa.
Se o Governo da República investisse esse montante, nasceriam mais 3.000 crianças em Portugal, o que corresponde a 3% das 100 mil crianças que já nascem por ano.
Refira-se, por fim, que uma resolução do Parlamento Europeu de Fevereiro de 2008 aponta que o tratamento da infertilidade deve ser parte da política demográfica de cada país. Há projecções do Eurostat, por outro lado, que mostram que, até 2050, a Europa vai perder 10% da sua população e, com isso, a pirâmide etária vai inverter-se, havendo mais reformados a viverem do trabalho dos activos. 
 
In Jornal da Madeira

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