Hospitais privados chegam a fazer 93% de cesarianas

 Inspecção-Geral das Actividades em Saúde (IGAS) detectou taxas de cesariana nos privados que são o quádruplo do que está definido pela Organização Mundial de Saúde. Outra auditoria referida no documento concluiu que doentes não inscritos nas listas para cirurgias plásticas foram operados, quando 40% esperam mais do que deviam por uma operação.
 

O receio de um parto natural levou Clara, hoje com 38 anos, a optar por uma clínica para ter os seus dois filhos. No sector privado, a mulher pode escolher se quer ou não ser sujeita a uma cesariana, o que não acontece, por norma no Serviço Nacional de Saúde (SNS). Seja por opção da mulher ou indicação do médico, há maternidades privadas no País em que 93 em cada cem crianças nascem por cesariana, revelam dados do relatório de actividades de 2008 da Inspecção–Geral das Actividades em Saúde (IGAS).

Em média, 68,3% das mães que tiveram filhos em clínicas privadas, de 2005 a 2007, foram sujeitas a esta operação, que custa cerca de 5000 euros. Uma percentagem que é o dobro do limite máximo recomendado pela União Europeia e o quádruplo do defendido pela Organização Mundial de Saúde.

Apesar de a IGAS considerar que esta taxa não deve ser avaliada negativamente quando não coloca em risco a saúde da mãe ou do filho,  os dados preocupam as autoridades. O Plano Nacional de Saúde definia como meta para 2010 uma taxa de 24,8% de cesarianas, um objectivo que a alta comissária da Saúde, Maria do Céu Machado, admitiu ser irrealista.
 
No País, as clínicas privadas têm realizado cerca de 20 mil partos anuais. Mas são as unidades de menor dimensão que menos cumprem as recomendações internacionais sobre cesarianas, chegando a atingir taxas de 93%. Nos estabelecimentos com 700 a 1500 partos/ano, a percentagem situa-se entre 46,6% e 85,3%%. As unidades maiores, que fazem mais de 1500 partos, apresentavam valores entre 53,6% e 68,3%.

Esta avaliação integra o relatório sobre os centros de nascimento não públicos e abrangeu 25 unidades no total. Entre as irregularidades detectadas, constatou-se que apenas duas unidades tinham uma urgência aberta ao exterior, bem como o pessoal, as tecnologias e a presença física de recursos necessários para receber grávidas com qualquer grau de risco.

As falhas detectadas chegavam à ausência de identificação dos recém-nascidos com pulseiras, falta de organização de processos clínicos ou inexistência de folhas para consentimento informado das utentes para cirurgia.

Quadros de pessoal só existiam nas duas clínicas com urgência aberta. As restantes contavam com colaboradores que também trabalhavam no sector público.

Cirurgia plástica

Os tempos de espera para uma cirurgia plástica nos hospitais públicos já estão a ultrapassar os  fixados por lei, de dois meses para as operações prioritárias e de nove meses par a as não prioritárias.

Segundo o relatório da Inspecção-Geral das Actividades em Saúde,  40% das pessoas inscritas nas listas para aquele tipo de cirurgia são operadas muito depois dos tempos de espera previstos.

Mas não foi este o único problema detectado pela Inspecção-Geral numa auditoria feita  nesta área.  Através do confronto de dados, disponibilizados pelas entidades com registos de  ficheiros, a Inspecção conclui que foram operados doentes que não constavam das listas de inscritos para cirurgias (LIC).
 
Entre o início de Janeiro e o final de Setembro de  2008  realizaram–se em Portugal 72 582 consultas externas de cirurgia plástica, das quais 87% envolviam utentes do Serviço Nacional de Saúde.

No mesmo período, havia 2749 doentes à espera de uma consulta desta especialidade nos hospitais públicos.

Os tempos de espera  para consultas variavam entre os 14  e os 186 dias, refere o relatório de actividade da IGAS.  Na auditoria feita a 30 entidades com estes serviços foram detectadas  "diferenças globais significativas  e desconformidades" com as regras definidas pelo Ministério da Saúde.

in DN

Written By
More from

Dorme pouco

Pergunta:  Olá, Tenho uma bebé de 4 meses e quando nasceu dormia...
Read More

Deixar uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *