Já foram vendidos 400 mil ‘Magalhães’ no Mundo

A J. P. Sá Couto, empresa que produz o polémico computador,  vendeu tantas unidades no estrangeiro como as que foram adquiridas para as  escolas nacionais. O Tribunal de Contas está, entretanto, a investigar a Fundação para as Comunicações Móveis, que gere o projecto. Apesar de tudo, o  ‘Magalhães 2’ vai de novo a concurso e já tem concorrente: o ‘Latitude’ da Dell.

Este ano já se venderam quase tantos Magalhães no estrangeiro quanto os que já foram vendidos em Portugal para o programa e-escolas e e-escolinhas. Os negócios correm bem para a J.P. Sá Couto, que em Portugal está envolvida em várias polémicas.

Por um lado, a Comissão Europeia pediu esclarecimentos ao Governo sobre a adjudicação directa a esta empresa para a distribuição dos Magalhães, estando a decorrer uma auditoria do Tribunal de Contas. Por outro, o PSD solicitou a criação de uma comissão de inquérito parlamentar para investigar a fundação das comunicações moveis, que geriu o projecto (ver outro texto).

Mas estas polémicas – e outras envolvendo o Magalhães – não demovem a empresa, segundo a qual os computadores "não foram fornecidos ao Estado mas às operadoras de telecomunicações". Além disso, o gestor da produtora do Magalhães, João Paulo Sá Couto defende que se "a Comissão Europeia tem dúvidas sobre o fornecimento dos computadores para o e-escolinhas, também lhe deve suscitar dúvidas os que foram feitos para o e-escola, para o qual a J. P. Sá Couto era penas um dos vários fornecedores" (ver caixa). Mas se no programa e-escola e e-escolinhas foram vendidos 400 mil ( menos 100 mil do que o inicialmente previsto e anunciado pelo próprio primeiro-ministro), no estrangeiro, esse número poderá em breve ultrapassado,

A empresa que produz o portátil vendeu, em 2009, 370 mil unidades do polémico computador versão um e dois, 350 mil dos quais para a Venezuela e 20 000 para a Rússia, Namíbia, Angola, Brasil, Espanha e Moçambique. Ao todo, no estrangeiro a empresa já facturou este ano 70 milhões de euros, dos quais 69 milhões na Venezuela. Apesar de neste país, ter sido cumprida apenas a primeira fase de um acordo que prevê a compra, por parte daquele país de um milhão de computadores à J. P. Sá Couto, explicou ao DN o gestor.

Da versão dois do Magalhães, o MG2, foram vendidas apenas algumas unidades para a Espanha, Brasil e Rússia. Para a Venezuela, Moçambique, Angola e Namíbia foi o primeiro computador que todos os miúdos do ensino básico em Portugal conhecem. Mas o gestor da empresa espera que todos os Estados que até agora compraram o Magalhães venham a adquirir mais tarde a sua versão mais sofisticada.

A ideia do accionista, que partilha a aventura dos negócios da J.P. Sá Couto, com o seu irmão Jorge, é que os negócios internacionais venham a assumir um peso cada vez maior no volume de negócios anual da empresa. "Em 2010 até já poderá ser superior ao que se factura no mercado nacional", admite João Paulo Sá Couto, adiantando que a empresa já apresentou candidaturas a concursos noutros países, nomeadamente da América Latina, e não exclui a possibilidade e vir a vender Magalhães para a Argélia. Por este ano, a maior fatia do volume de negócios ainda continua a ser realizada no mercado nacional. Por cá a J. P. Sá Couto espera atingir no final deste ano uma facturação de 216,2 milhões de euros.

No próximo ano também pode ser que países como Angola e Líbia comprem mais do que este ano o fizeram.

A Líbia foi dos primeiro países que se manifestou interessado na compra do polémico computador Magalhães, mas até agora ainda não adquiriu nem um. Um facto que João Paulo Sá Couto explica com a a forma como cada Estado está a desenvolver os programas ao nível do ensino.

Mas Angola e Brasil também não adquiriram o esperado e mesmos os Emirados Árabes Unidos que também manifestaram interesse nos portáteis portugueses não deram mais sinais de vontade de concretizar o negócio.

A este impasse nas compras por partes destes Estado poderá estar aliada a baixa do preço do petróleo, produto com o qual contam para a pagar as suas compras externas. Se assim mantiver o preço do barril de crude, mesmo a Venezuela poderá vir a fazer alguns adiamentos no calendário das fases de compras do Magalhães.

E agora, com a União Europeia a notificar o Governo português para que este explique porque não cumprir as regras de concorrência comunitárias, adjudicando directamente à J. P. Sá Couto o fornecimento do Magalhães para o programa E-escolinha, por cá as vendas também poderão diminuir para a empresa.

Por isso, a sua estratégia é diversificar para outros mercados, garantindo, assim, as compensações para as perdas de expectativas que possa ter criado em relação a outros. E no Brasil, o desenvolvimento dos negócios pode passar pela criação de uma fábrica ou de uma parceria com empresa local (ver mapa).

in http://dn.sapo.pt/

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