Livros infantis

Devem ser das coisas mais complicadas que existe no mundo dos mais novos. Dantes, quando este mundo era para mim um território desconhecido, longínquo, ignorado, imaginava que os livros para as crianças se escolhiam pelo título ou pelo autor. Que a compra de um livro infantil seria um processo simples, infantil mesmo. Achava que bastava folhear o livro para, vá, lhe tirar a pinta. E que se a história fosse conhecida, tradicional ou centenária melhor ainda, seria uma espécie de selo de garantia.
Ou seja, pensava eu que qualquer livro do Capuchinho Vermelho contaria a história do Capuchinho Vermelho, que em todas elas a avó seria engolida pelo lobo e que qualquer publicação que versasse sobre o Patinho Feio relataria o trágico abandono do Patinho Feio, fiel à versão sádica dos Irmãos Grimm.
Errado. Mal comecei a parar nas prateleiras de literatura infantil percebi que estava equivocada. Descobri que as tradicionais histórias infantis podem ser adulteradas, que existem livros para crianças só perceptíveis pelos adultos e que em muitas histórias do Capuchinho Vermelho a avó não é engolida pelo lobo – ela esconde-se no armário.
Mas o pior de alguns destes livros nem sequer é a falta de respeito pela versão original. O pior, é a linguagem. Uma linguagem que, diga-se, desafia os pais a fazerem traduções simultâneas para que os filhos percebam alguma coisa da história. Da narrativa, quero dizer. Será que estes autores lêem histórias aos filhos? E, já agora, quais?

in http://www.ionline.pt/

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