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Mãe no Twitter: “O meu bebé afoga-se”

Mãe no Twitter: “O meu bebé afoga-se”
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A americana Shellie Ross é uma popular blogger, assina o Blog4Mom e tem 5400 seguidores no Twitter, e é mulher de um sargento da Força Aérea. Os Ross, com quatro filhos, tinham-se mudado recentemente para um casa com piscina em Merrit Island, na Florida. Na segunda-feira, dia como todos os outros, os dedos de Shellie até ferviam: já tinha mandado 74 tweets. Todos sobre o mesmo assunto: ela falava de capoeiras.

O Twitter tem um slogan: "O que está a acontecer?" Com Shellie, os 5400 seguidores ficaram a saber o que acontecia à capoeira de Shellie. Mesmo considerando que as frases do Twitter são curtas – 140 toquezinhos no teclado, nunca mais -, com 74 tweets escreve-se um texto cinco vezes maior que esta crónica. Eu não saberia dizer tanto sobre um assunto mais vasto, as galinhas. Às 05.22 da tarde daquela segunda-feira, Shellie mandou o seu 74.º tweet sobre capoeiras. Sobre o tema, foi o último.

No minuto seguinte, às 05.23, o filho de 11 anos de Shellie telefonava para o 911 (o 112 americano) dizendo que o irmão de dois anos se tinha afogado na piscina. A ambulância chegou um quarto de hora depois – haja alguém atento em Merrit Island. Às 06.12, já Shellie voltava ao Twitter. Escreveu: "Por favor rezem como nunca, o meu bebé de 2 anos caiu na piscina."

Provavelmente perdeu alguns seguidores. O Presidente Gerald Ford quando mascava chiclete, parava: nunca fazia duas coisas ao mesmo tempo – isso de andar e mascar atrapalhava. Uma pessoa estava a tarde toda a ouvir a Shellie sobre as redes hexagonais de capoeira, as vantagens das com abertura de 20 mm sobre as de 25 mm e, de repente, passa-se para afogamento de bebé. São temas que, juntos, confundem. Acho eu. Mas o final de tarde trouxe mesmo mudança de interesses em Shellie. Não voltou ao tema das capoeiras e passou a postar tweets com fotos do seu bebé, de quem anunciou a morte.

O Twitter mente, portanto: não se fica a saber o que acontece a uma capoeira quando lá em casa morre um bebé. Dir-me-ão: mas qual a importância de uma capoeira quando morre um bebé. Alguma importância deve ter, a prova é que a mãe de um miúdo com dois anos, numa casa com piscina está a tuitar 74 vezes sobre o assunto, capoeiras. Mas adianto-me: esse é o debate que atravessa jornais e as redes sociais americanas.

No New York Times, que escreveu sobre isto no dia 17, há leitores que defendem que é natural 47 minutos depois de conhecer o acidente que matou o seu bebé, a mãe tenha voltado ao Twitter que lhe retirara a atenção que poderia ter salvo o filho. Dizem esses: o Twitter une as pessoas, e é natural que Shellie tenha recorrido a ele durante a sua tragédia pessoal.

No entanto, o mundo virtual ainda não domina completamente. Ontem, o Blog4Mom, de Shellie, afixava um cartaz: "Deixem-nos sozinhos." Mas suspeito que em breve teremos pais que contarão o luto aos seus seguidores. Em tempo real, claro.

http://dn.sapo.pt/

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