Marçal Grilo diz que sobrevivência do livro em papel depende do incremento da leitura

O ex-ministro da Educação Eduardo Marçal Grilo defendeu hoje que a sobrevivência do livro em formato papel depende do incremento da leitura.
Saber se ainda se vão publicar livros daqui a 50 anos é o grande desafio que, segundo Marçal Grilo, se coloca no século XXI.

A questão foi lançada durante a sua intervenção no I Colóquio Ibérico de Literatura Infantil e III Simposium da Red de Universidades Lectoras, que decorreu segunda e hoje na Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Castelo Branco.

«Este trabalho tem de ser feito desde cedo», referiu, defendendo que a melhor forma de promover a leitura junto das crianças é «contando-lhes histórias, verdadeiras ou inventadas", independentemente "da parafernália de livros infantis que existem. Isso desperta-lhes a curiosidade para a história que está escrita algures».

Marçal Grilo, actual administrador da Fundação Calouste Gulbenkian acrescentou que «os livros têm de se relacionar com o resto do mundo» e com as novas tecnologias.

«Navegar na internet é fantástico, navegar nos livros é fantástico. Mas navegar nos livros e na internet é ainda mais fascinante», reiterou, sublinhando que é preciso «aproveitar as potencialidades das novas tecnologias, mas sem descurar os sistemas tradicionais».

Em oposição aos dias de hoje, em que falta tempo para reflectir, «nos livros continua a haver a possibilidade de parar e reflectir, transformando as ideias em convicções».

Marçal Grilo contraria também a célebre máxima de que «uma imagem vale mais do que mil palavras», defendendo que «todos vêem a imagem da mesma forma, enquanto as palavras, quando lidas, cada um tira delas o seu próprio significado».

Por isso, lembra, «ler não é um acto inato, mas sim um acto cultural».

«A escola devia transformar todos os seus alunos em leitores, pessoas capazes de ler, reflectir e correlacionar, porque a leitura tem uma capacidade imensa», acrescenta.

A leitura deve ser feita, «por prazer, por necessidade ou interesse, porque é a única forma bem sucedida de viajar no tempo e no espaço», até porque, «os livros são aquilo que queremos que sejam». E pode ler-se «o que se quiser, onde se quiser e quando se quiser».

Marçal Grilo sublinha que o leitor é, simultaneamente, criador, enquanto lê, pois «há uma maior propensão para escrever o que guardamos na memória quando se lê».

Para contribuir para esta promoção do livro e da leitura, a Fundação Gulbenkian lançou dois sítios na Internet, A Casa da Leitura e Leitura Gulbenkian, que dão orientações à comunidade de leitores.

Para os professores lançou o site Casa das Ciências, onde se pode aceder a materiais para as diversas disciplinas. Todos são de acesso livre.

in Sol.sapo.pt

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