Moda Outono/Inverno 2009 – as Tendências

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modainvernoJá a pensar na próxima estação a nossa Especialista em Moda Bia Kawasaki indica-nos alguns estilistas, as tendências, as cores e o que está in para que não perca uma pitada, o doBebe.com deu uma mãozinha e publicou aqui um excerto.
No inverno que chega, elas vão desfilar saias guarda-chuva, com repuxados espalhados que dão volume extra às várias camadas de diferentes estampas. O busto é justo, tomara-que-caia, e a silhueta é dos 1950, mas a jaqueta de couro por cima de tudo dá o ar desta primeira década do anos 2000. O mesmo para as saias clochard e as calças de lã tipo cenoura (e barra dobrada!), que avolumam os quadris com a melhor das intenções. Tudo remete a uma moça que cai de pára-quedas no meio da moda – sabendo muito bem o que quer, diga-se.

Eles vão usar os jeans (calça ou macacão) com barra virada + paletó, camisa de flanela ou cardigã de tricô fofo, bem bom-garoto, com direito a mochilão de couro. A inspiração aqui são os aviadores e o clima retrô é evidente, mas não tem mofo, não (a não ser pelo perigoso marrom).

Os jeans são atualizadíssimos, tipo empapelado, amassado e escuro, ou texturizado, como que listrado, em calças bufantes. As estampas também merecem menção. São gráficas ou ilustrativas com leitura brecholenta e têm a ver com os temas da temporada – aviação e paraquedismo. Para ficar com a cabeça nas nuvens, como sugere a marca – mas com os pés no chão.

Neon – Inverno 2009

A novidade da estação foi a apresentação da linha de festas, a Rubi. Vestidos mais estruturados, curtos como quer a moda, em tecidos mais pesados para cocktails, próprios para festas dançantes ao som de grandes orquestras. Nem por isso a marca deixou de fazer seus estampados macios para calças, saias, macacões e seus maiôs sempre misturados ao brilho de paetês e pequenas surpresas como franjas de bambu.

A linha Rubi é um esforço de ampliar o trabalho de modelagem criando estruturas mais rígidas como a saia “forminha de brigadeiros” em pregas armadas e o vestido balão-lanterna. Cheia de peças atraentes, a Neon fez um inverno leve, cheio de cores e detalhes charmosos.

Maria Garcia – Inverno 2009

O inverno 09 – algo entre o dândi e o roqueiro, entre Oscar Wilde e James Dean, com pitadas de Morrisey. Foi assim que Camila pensou a moda do inverno, que tem jeito de garota tímida-de-mentira. Muito branco, cinza claro, chumbo, preto, laranja e rosa pálido na cartela.

As calças são secas e curtas, separadas um dedo de pele das botinas de bico fino arredondado com tachas no calcanhar, usadas com paletós ou mantôs secos. Há uma série de vestidinhos acinturados, mas afastados do corpo, curtos; às vezes, sobrepostos a camisas de seda transparentes.

Os topetes entregam o jeitinho fifties que tem essa coleção, misturada com o despojamento eighties. As minissaias com dobraduras são dignas de meninas espertas, assim como as sobreposições de seda a malha metalizada ou lã sobre renda de folhas. É impossível ser sexy vestindo Maria Garcia – mas a marca é receita de moda inteligente e charmosa (ainda que esta coleção não tenha causado o maior dos frissons na plateia).

Jefferson Kulig – Inverno 2009

. O inverno 09 – Jefferson Kulig repetiu as mangas japonistas do verão, os pretos do inverno e insistiu nos tecidos tecnológicos. A cartela de cores corre bem – preto, roxo, cinza, prata – até a sequência de rosa estampado que foge do restante da coleção.

O estilista curitibano se saiu melhor mesmo nos looks pretos do início: calça justa + casaco, um vestido blusão, outro quase sem detalhes. Mas eis que surgem as tais tiras de silicone magnetizadas e o trabalho se perde. A necessidade de encontrar novas fórmulas – que provavelmente passarão mesmo pelo setor de tecnologia – é válida, mas nos vestidos de Jefferson aparecem apenas como adornos, não são funcionais, logo, não precisam estar lá.

Amapô – Inverno 2009

. O inverno 09 – Se a moda morreu e não há tendência a ser seguida, por que as roupas precisam ter definições? No desfile da Amapô, os blazers têm muitos botões e fecham como um peitilho de colete, as lapelas são invertidas e servem de alças de vestidos, as camisas fecham atrás, os camisetões têm nós como os das adolescentes dos anos 1980, a legging é cheia de tachas, os jeans são folgadões e detonados. Um pedaço da roupa sempre aparece sob as jaquetas e os casaquetos desconstruídos – e reconstruídos num intenso trabalho de (re)modelagem. As formas são subvertidas e o resultado, enfim, é contemporâneo.

E nem pensem no guarda-roupa dessas meninas modernas que priorizam mais o “fashion” do que as suas próprias formas físicas. A Amapô é andrógina, mas, ao mesmo tempo, é muito feminina – e pop. Ela sai para dançar, beija na boca e faz o que bem entende. É livre para se colorir em estampas, se cobrir de tachas ou usar um colete como vestido.

Carô e Pitty continuaram com o bom trabalho de estamparia e modelagem, mas, acima de tudo, neste desfile, o terceiro no SPFW, mostraram o que importa em tempos de crise: liberdade e bom humor.

 

Bia Kawasaki – consultora de moda e imagem pessoal.
bia@biakawasaki.com.br
tel (11) 9652-6048
Especialista doBebe.com

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