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Mulher queimou o filho com ferro de engomar

Mulher queimou o filho com ferro de engomar
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Factos remontam a 2008. Menino com menos de três  anos ficou com feridas graves. Arguida defende que foi acidente

Foi sem sinais exteriores de emoção que, ontem, no Tribunal do Fundão, Maria Salomé Alves, uma mulher de 33 anos que está acusada de ter queimado o próprio filho com um ferro de engomar, recordou os momentos em que no dia 6 de Junho de 2008 tudo terá acontecido. A mulher, que se defendeu com um alegado acidente, nunca chegou a levar o menino – com menos de três anos – ao hospital. Dois dias depois, a educadora de infância detectou as feridas: duas marcas nas costas, uma num braço e uma, aparentemente, mais antiga num cotovelo, que haveriam de ser confirmadas como queimaduras de primeiro e segundo graus.

A acusação acredita que aquelas marcas – impressas nas costas da criança "como se de um carimbo se tratassem" – terão sido "voluntária e conscientemente" infligidas por esta mulher, que e é ainda acusada de maus tratos em relação a outra filha menor. Andreia, na altura com seis anos, terá relatado vários episódios de agressão, que, tal como já tinha acontecido em relação aos três irmãos mais velhos, levaram à institucionalização destas duas crianças.

"Com simplicidade e quase como quem relata uma brincadeira, a menina recordou que a mãe lhe gritava, lhe chamava nomes e que lhe batia diversas vezes, algumas das quais com um cinto", explicou, Sónia Martins, a assistente social da Comissão de Protecção de Crianças em Risco, que acompanhou o caso.

Quanto ao Rodrigo, "quando perguntámos como é que tinha sido feito aquele ‘dói-dói’, respondeu que tinha sido a mãe com o ferro e que esta estava zangada". "Não disse que tinha sido o ferro, ou no ferro, mas sim que tinha sido a mãe", disse Sónia Martins.

Uma versão diferente daquela que foi apresentada pela arguida. "Estava a passar a ferro na cama e ele andava lá aos saltos. Num dos momentos em que ele saltou com mais força, o ferro tombou para cima do braço dele. Depois ao fugir acabou por rebolar e por se queimar ainda mais", referiu, explicando que só não levou o menino ao hospital porque as queimaduras não pareceram ser graves.

Uma tese que foi contrariada pela médica que viu o menino na urgência. "Pelo padrão das feridas, aquele tipo de lesão não parece ter sido feito de forma involuntária", referiu Arminda Jorge. Além disso, admitindo que o aspecto da ferida possa ter-se agravado, a médica recordou que "são lesões que provocam dores muito acentuadas e que acabam por ser notadas".

in dn.sapo.pt

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