Na medida certa, água com açúcar alivia dor de bebês prematuros

 

Pesquisadores da USP de Ribeirão Preto, em São Paulo, descobriram uma maneira simples de aliviar a dor em bebês prematuros. Na hora de aplicar soro ou tirar sangue para exames, por exemplo, eles recorrem a uma receita que as vovós já usavam: água com açúcar.
Os bebês recebem a solução de sacarose, preparada na farmácia do Hospital das Clínicas, dois minutos antes de, por exemplo, tomar soro. O açúcar favorece a liberação de endorfinas, substâncias analgésicas produzidas pelo próprio corpo, que geram a sensação de bem estar. Com o alívio preventivo, o bebê deixa de gastar energia quando mais precisa de força para sobreviver.

O benefício foi detectado por médicos e aparelhos. “Dois minutos após administrar sacarose quando nós vamos fazer algum procedimento invasivo, a freqüência cardíaca varia menos e não temos quase queda nos níveis de saturação”, explica Walusa Assad Gonçalves Ferri, médica pediatra da USP de Ribeirão Preto.

A técnica já foi utilizada pela universidade de Vancouver, no Canadá, mas em uma única dose, o que, na prática, tem um efeito limitado.

Os médicos calculam que durante a internação um bebê prematuro passe em média por 400 intervenções dolorosas. Os cientistas brasileiros comprovaram agora que o efeito benéfico do açúcar não se perde depois da primeira dose e, por isso, pode ser usado repetidas vezes para aliviar a dor, antes de cada um dos procedimentos.

Um alerta: o açúcar usado na solução é mais puro do que o de casa. Além disso, só especialistas podem receitar a dosagem correta para os bebês.

Testes

Durante seis meses, 33 bebês foram acompanhados por câmeras. As imagens foram analisadas por uma equipe de psicólogos. Sem o uso da solução de açúcar, choro e contração nos músculos da face. Com a sacarose, tranqüilidade.

“Evitar a dor no período neonatal faz com que as crianças apresentem menos problemas de comportamento, falta de atenção, agitação”, diz a psicóloga Cláudia Maria Gaspardo, pesquisadora da USP de Ribeirão Preto.

A alternativa pode ser um alívio para a balconista Daniela de Fátima Inocêncio, que sofre a cada exame de sangue da pequena Ingrid. “A gente preferia que não mexesse nela, podia fazer tudo em mim em vez de fazer nela. O coração dói muito, é muito triste”, conta a mãe.

Conforto

A psicóloga responsável pelo estudo diz que o estresse do hospital pode causar futuros distúrbios de comportamento, como dificuldade de concentração e de aprendizagem. O conforto, ao contrário, favorece o desenvolvimento da criança.

“Não podemos eliminar procedimentos invasivos e dolorosos porque são necessários aquele bebê. Mas se eu posso de certa maneira modificar, prevenir alguns efeitos negativos, eu estou protegendo o desenvolvimento”, explica Maria Beatriz Martins Linhares, professora da Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto.

A pesquisa foi publicada pela revista da Associação Internacional de Estudos sobre a Dor e aprovada por quem mais entende de bebê, a mãe.

in Globo

 

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