Neve em Portugal. É possível explicar o frio aos miúdos

Depressão norte-atlântica e El Niño: com estes dois factores pode explicar a quem não saiba as razões para o frio dos últimos dias. Ontem a neve chegou a dez dos 18 distritos nacionais. Viana do Castelo, Porto, Vila Real, Viseu, Guarda, Faro, Aveiro, Portalegre, Évora e Braga ficaram cobertos por um manto branco e as temperaturas foram negativas na maioria das cidades do Interior norte do país.

Ainda assim, Portugal é um dos países europeus menos atingidos. O Reino Unido foi dos primeiros a sofrer com a vaga polar: a neve condicionou transportes e comunicações e, na Escócia, os termómetros desceram aos 21,5o C negativos, a segunda temperatura mais baixa da história, só ultrapassada pelos -27,2o C, a 10 de Janeiro de 1982. Na Alemanha, frio e a neve condicionaram a circulação a oeste e sul. A neve obrigou a cancelar mais de 150 voos no aeroporto de Frankfurt – o terceiro maior da Europa em tráfego aéreo – e condiciona a ligação entre Inglaterra e França pelo túnel da Mancha. É a pior onda de frio dos últimos 30 anos no Reino Unido e na Irlanda. Mas como apareceu?

Trocado por miúdos Dois fenómenos meteorológicos estão na origem da vaga de frio polar que atinge o Norte da Europa há semanas: a oscilação do Atlântico Norte e o El Niño: "Essa é a razão mais próxima para haver uma evolução tão rápida das latitudes, acompanhada de chuvas intensas e de curta duração", explica ao i o meteorologista Manuel Costa Alves.

"A Terra nasceu de um continente único. Através do registo dos gelos da Antárctida e da Gronelândia, é possível perceber que a natureza compensa certos acontecimentos", explica ao i o meteorologista Anthímio de Azevedo. Desta vez, uma frente fria vinda do Pólo Norte empurrou o anticiclone dos Açores – mediador de temperaturas – para latitudes mais a sul, o que motivou a vaga de frio na Europa. Quando a separação de massas tropicais e polares se faz a latitudes mais baixas, mais frio advém dessa separação. Por isso, mesmo com uma pequena injecção de ar mais quente – que começou ontem -, as diferenças não são óbvias. E sobretudo não se sentem. Os especialistas alertam para que estes fenómenos não sejam considerados consequência das alterações climáticas. "A oscilação do Atlântico Norte e a diferença de pressão atmosférica ainda são um mistério", analisa Costa Alves. E continua: "Tenho dificuldade em associar estes episódios, no nosso padrão climático, ao cenário de alterações climáticas."

Equilíbrio entre extremos Anthímio de Azevedo acredita que se trata de uma compensação natural. "Parece-me que o equilíbrio de um extremo passa para o extremo oposto. Como tivemos um Verão que se prolongou pelo início do Outono – com chuvas esporádicas e depois violentas – , a natureza encarrega-se de equilibrar", explica ao i. "Não acredito que haja alguém no mundo que consiga explicar estes fenómenos. Trata-se de uma evolução fora daquilo que poderíamos considerar normal, mas a natureza não tem compromissos com estes nossos padrões", acrescenta, admitindo, no entanto, a influência humana na Terra. "A presença do homem é perceptível. Desde que começou a desbravar mata para plantar alimentos e modificou o revestimento do planeta."

Alerta azul As baixas temperaturas e as previsões de neve para os próximos dias nas regiões norte e centro do país levaram a Protecção Civil a alargar o alerta azul para os distritos de Viana do Castelo, Braga, Porto, Vila Real, Bragança, Aveiro, Viseu, Guarda, Coimbra e Castelo Branco até ao meio-dia de hoje, com temperaturas "abaixo da média". As condições meteorológicas obrigaram ao corte temporário de estradas nos distritos de Viseu e de Vila Real, devido ao nevão, que impediu também o acesso ao maciço central da serra da Estrela. O troço do IP4 na Serra do Marão, principal estrada de ligação de Trás-os-Montes, esteve fechado e a circulação foi condicionada em toda a estrada – assim como na A7 e A24 – devido ao forte nevão no distrito de Vila Real, tendo a Protecção Civil recebido vários pedidos de ajuda a automobilistas retidos na neve. As previsões do Instituto de Meteorologia (IM) apontam para a continuação do frio até amanhã, acompanhado de chuva forte e neve em locais pouco habituais, como o litoral do país.

in http://www.ionline.pt/

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