Nova técnica para bloquear trompas e evitar gravidez chega ao Brasil

Hospital das Clínicas, em São Paulo, foi o primeiro local a adoptar o método. Estratégia que dispensa cirurgia já é bastante usada nos EUA e na Europa.
O Hospital das Clínicas, em São Paulo, testou e aprovou um método que pode facilitar a vida de quem espera por uma laqueação — procedimento cirúrgico em que as trompas são ligadas para evitar filhos. Sem cirurgia, os médicos conseguem bloquear as trompas e evitar para sempre uma gravidez. A técnica, já usada em larga escala na Europa e nos Estados Unidos, é mais eficaz que a pílula, o DIU (dispositivo intra-uterino) e a laqueação tradicional.

Com a ajuda de um aplicador e uma microcâmera, o médico implanta duas molas de titânio, uma em cada trompa da paciente. O dispositivo provoca uma reação no tecido, que bloqueia completamente as trompas.

A funcionária pública Neusa Maria de Brito, 39, já tem seis filhos e decidiu que não pretende mais engravidar. Por isso, tornou-se a primeira paciente a usufruir da técnica em solo nacional. “Fiquei com medo como todas, de uma nova experiência, se ia funcionar mesmo”, diz. “Deu certo e eu creio que estou tranquila, não vou engravidar mais.”

O procedimento é bem rápido. Demora no máximo dez minutos e pode ser feito numa consulta de rotina, no ambulatório mesmo, porque a paciente não sofre nenhuma corte, nem precisa de anestesia.

“Nós orientamos a paciente para que nos primeiros três meses ela use outro método contraceptivo, porque esse é o período para que haja a obstrução, o fechamento da trompa”, explica Edmundo Baracat, diretor de ginecologia do HC.

Com a adoção do novo método nos hospitais públicos, as salas de cirurgia ficariam livres para operações mais complicadas. E, no maior ambulatório de ginecologia da América Latina, a técnica seria a saída para acabar com uma espera que pode chegar a um ano e meio.

“Nós temos uma fila aqui para laqueadura em torno de 250 a 300 mulheres”, diz Walter Pinheiro, chefe do ambulatório de ginecologia do HC. “Acabaria com a fila? Acabaria com a fila imediatamente.”

O método já foi aprovado pela Anvisa e será feito um pedido para que o Ministério da Saúde inclua a técnica nos tratamentos oferecidos pelo SUS.

 

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