O bebé pode beber água?

beber

A prática de se dar água e outros líquidos como chás, água açucarada e sumos aos bebés que mamam nos primeiros meses é muito difundida no mundo todo, como ilustrado na Figura 1. Esta prática muitas vezes começa já no primeiro mês de vida. Pesquisas efectuadas nos arredores de Lima, Peru, mostraram que 83 por cento dos bebês recebiam água e chás no primeiro mês de vida. Estudos realizados em várias comunidades de Gâmbia, Filipinas, Egito e Guatemala relatam que mais de 60 por cento dos recém-nascidos eram alimentados com água açucarada e/ou chás.
Crenças culturais e religiosas também influenciam a suplementação alimentar com água dos recém-nascidos.
Adágios transmitidos de geração em geração aconselham as mães a dar água aos seus bebés. A água pode ser vista como a fonte da vida — uma necessidade tanto espiritual como fisiológica. Algumas culturas consideram o acto de dar água ao recém-nascido como uma forma de acolher a criança na sua vinda ao mundo.

A orientação dos serviços de saúde também influencia a utilização de água em muitas comunidades e hospitais. Por exemplo, um estudo realizado numa cidade do Gana descobriu que 93 por cento das parteiras acreditava que se deve dar água a todos os bebés a partir do primeiro dia de vida. No Egipto, muitas enfermeiras aconselham as mães a dar água com açúcar após o parto.
Dependendo da temperatura, humidade, peso e nível de actividade do bebé, a necessidade média diária de líquidos para bebés saudáveis varia entre 80 a 100 ml/kg na primeira semana de vida e 140 a 160 ml/kg entre o 3º e o 6º mês. Estas quantidades são completamente obtidas através do leite materno se a amamentação for exclusiva e não restrita (sempre que o bebé quiser, de dia e de noite) por duas razões:

 

O leite materno é 88 por cento água. A quantidade de água do leite materno consumida pelo bebé exclusivamente amamentado satisfaz as necessidades da criança e fornece uma considerável margem de segurança. Muito embora o recém- nascido obtenha pouca água com o leite inicial espesso e amarelado (colostro), nenhuma quantidade adicional é necessária porque os bebés nascem com uma reserva extra de água. Leites com maior teor de água “aparecem” geralmente por volta do terceiro ou quarto dia.

O leite materno é pobre em solutos. Uma das principais funções da água é expelir, através da urina, os solutos presentes em excesso no organismo. Substâncias dissolvidas (por exemplo, sódio, potássio, nitrogénio e cloretos) são conhecidas como solutos. Os rins — embora imaturos até a idade de aproximadamente três meses — são capazes de concentrar solutos em excesso na urina para manter uma composição química corporal saudável e equilibrada. Como o leite materno é pobre em solutos, o bebé não necessita de tanta água como uma criança mais velha ou um adulto.

 

E os bebés que vivem em climas quentes e secos?

 

A água presente no leite materno cobre as necessidades de água do bebé em condições normais e também é suficiente para os bebés que estão sendo amamentados em climas quentes e secos. Estudos indicam que os bebés saudáveis e exclusivamente amamentados nos primeiros seis meses de vida não necessitam de líquidos adicionais, mesmo naqueles países com temperaturas extremamente altas e baixa humidade. Os níveis de solutos na urina e no sangue dos bebés que foram exclusivamente amamentados em tais condições situavam-se dentro dos valores normais, indicando adequada ingestão de água.

 

Dar água ao bebé antes dos seis meses pode ser prejudicial?

 

Dar água antes da idade de seis meses pode trazer significativos riscos à saúde.

 

Dar água nos primeiros 6 meses aumenta o risco de malnutrição. Substituir o leite materno por um líquido de pouco ou nenhum valor nutritivo pode ter um impacto negativo sobre o estado nutricional, a sobrevivência, o crescimento e o desenvolvimento do bebé. Mesmo o consumo de pequenas quantidades de água ou outros líquidos pode encher o estômago do bebé e reduzir o seu apetite pelo leite materno que é rico em nutrientes. Estudos mostram que dar água antes da idade de seis meses pode reduzir a ingestão de leite materno em até 11 por cento. Dar água glicosada na primeira semana de vida tem sido associada à maior perda de peso e internamentos hospitalares mais prolongadas.

 

Dar água aumenta o risco de doenças. A água e outros alimentos, quer sejam líquidos, quer sejam sólidos, são veículos de entrada de agentes patológicos. Os bebés correm o maior risco de exposição a organismos causadores de diarreia, especialmente em ambientes com condições precárias de higiene e saneamento. Nos países menos desenvolvidos, duas em cada
cinco pessoas não têm acesso a água potável de qualidade. O leite materno garante o acesso do lactente a um suprimento dequado e prontamente disponível de água limpa.
Pesquisas realizadas nas Filipinas confirmam os benefícios da amamentação exclusiva e o efeito prejudicial da suplementação precoce com líquidos não nutritivos nas doenças diarréicas. Dependendo da idade, um bebé tinha duas ou três vezes mais probabilidades de sofrer de diarreia se a água, chás e preparados de ervas lhe fossem administrados além do leite materno, do que se o bebé fosse alimentado exclusivamente com o leite da mãe.

in http://www.mamaraopeito.blogspot.com/

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