O dilema de toda a mãe

Quando chega a hora de cortar o “segundo” cordão umbilical, onde deixar o bebê é a principal preocupação Fim da licença maternidade, e agora? É melhor deixar o bebê de meses na creche, em casa, aos cuidados de uma babá ou apelar para os mimos da vovó? Essas dúvidas atormentam milhões de mães na hora de retornar ao trabalho. Claro que o desejo da maioria é ficar em casa com o seu pequeno, mas a realidade é outra para as mulheres que trabalham e não podem ou não querem jogar tudo para o alto em prol de cuidar integralmente do filho, 24 horas por dia.
 PLANO B – Apesar de se revezar com o marido para cuidar do filho Joaquim, Ana Patricia Sharp se rendeu à ideia de deixá-lo na creche.Os médicos aconselham deixar os bebês em casa o máximo de tempo possível, para diminuir o risco de contrair doenças nessa fase da vida, opinião compartilhada pelo pediatra Roberto Bittar: "Se pensarmos na saúde, quanto mais tarde levá-lo à creche ou berçário, melhor, pois uma mesma infecção pode ter uma consequência muito maior num bebê de 6 meses do que numa criança de 2 anos."

 Ana Patrícia Sharp, atriz e bailarina, já pensava assim quando Joaquim nasceu. Ela nem cogitava a ideia de colocá-lo na creche antes de 1 ano de idade. Quando voltou ao trabalho, Joaquim ainda tinha poucos meses. Ana e seu marido Cristiano Gouveia, ator e músico, se organizaram nos compromissos profissionais diários e armaram um esquema de revezamento, que dura até hoje. Joaquim tem 1 ano e 2 meses e vai com Ana para a academia onde ela dá aulas de dança contemporânea.

 

CAUTELA – Veridiana Torres, mãe de Eduardo, diz que o pior dos berçários é o risco de doenças

 

Mas o dia a dia de quem anda com um bebê para cima e para baixo não é nada fácil. Há poucos meses, os pais perceberam que terão de recorrer à creche, pois, mesmo se revezando e tendo o apoio das duas avós – que vira-e-mexe entram na dança –, a situação começou a ficar complicada. "Quando pensei em deixá-lo no berçário, ele ainda não tinha 1 ano. Mas veio a epidemia da gripe suína, o que nos fez adiar os planos", diz Ana, que está pesquisando berçários e escolinhas para matricular Joaquim no início do ano que vem.

 

Veridiana Ferreira Torres, enfermeira, passou por um susto em agosto. Seu filho Eduardo, na época com 9 meses, tinha acabado de entrar no berçário quando teve suspeita de gripe suína. Felizmente, foi alarme falso. Era apenas uma gripe associada a outra virose. Na opinião dela, o maior problema em deixar o filho no berçário é a frequência com que ele fica doente. "É toda hora uma gripe, uma otite…", lamenta ela. Fora isso, não tem do que reclamar: "O Eduardo adora ir para o berçário e brincar com os coleguinhas. Noto que ele está se desenvolvendo muito bem, além de não estranhar ninguém e de ter horário certinho para tudo."

 

LADO POSITIVO

Segundo Regina Célia, coordenadora do Colégio Itatiaia, e que trabalha com crianças há 29 anos, a partir dos 4 meses, o bebê já pode ficar na creche, pois a estimulação e desenvolvimento se intensificam. "Há comprovações de que os bebês que frequentam esse universo pedagógico desde cedo passam a se conhecer melhor", diz Regina. Também observa que o relacionamento com outras crianças e adultos acelera o processo de falar, andar e explorar a vida.

 

Segundo a coordenadora, não há problema algum em deixar o bebê na creche, mas a mãe precisa escolher uma na qual ela confie. "A adaptação, nessa fase, é mais difícil para a mãe do que para o bebê", diz ela. A mãe Veridiana, que já passou por isso, confirma: "No começo, foi péssimo deixar meu filho com pessoas que eu não conhecia. Passadas duas semanas, me senti mais segura", conta ela.

 

Os que defendem a ida da criança para a creche mais tarde fazem uma ressalva: "Não há lugar melhor para a criança até os 2 ou 3 anos de vida do que sua casa, onde tem o convívio diário com os pais. No entanto, na ausência deles, deve-se colocar na balança o risco do contágio de doenças nas creches e se a pessoa que vai cuidar da criança tem condições de suprir a atenção de que ela precisa, desde as necessidades básicas à estimulação adequada e sua segurança", comenta o pediatra Roberto Bittar.

 

Esse é um fator que os pais costumam levar em conta. "Entre babá e creche, eu prefiro que fique na creche", fala Ana, mãe de Joaquim. Na opinião da coordenadora Regina Célia, é primordial a mãe escolher um berçário no qual ela confie, para que o seu filho seja cuidado com carinho e atenção.

 

E se a decisão de deixar o bebê na creche foi tomada, o pediatra Bittar recomenda uma alimentação adequada, atenção ao calendário de vacinas e, sempre que possível, não levar a criança quando ela estiver doente. Ele ressalta que é importante vacinar contra o pneumococo, uma das principais bactérias que causam doenças graves nos dois primeiros anos de vida, como meningite, pneumonia e septicemia (infecção generalizada). O pediatra também recomenda dar a vacina para o meningococo do tipo C, que é outra causa comum de meningite e septicemia, assim como vacinar anualmente contra gripe, a partir dos 6 meses de vida.

 

A ESCOLHA DA CRECHE

Verificar se existe alvará de funcionamento e se o estabelecimento é regulamentado pela Secretaria de Educação.

 

Escolher um berçário que tenha valores parecidos com os da família.

 

Observar se a localização é de fácil acesso para os pais, próxima à residência ou ao local de trabalho.

 

Investigar se os profissionais são especializados e se há quantidade suficiente deles – no máximo, seis crianças por cuidador.

 

Analisar se o ambiente é alegre e bem estruturado.

 

Verificar a higiene do local, se há boa ventilação, luminosidade, odor, banheiros exclusivos para as crianças, uso de sabonete líquido, uso de luvas e toucas, profissionais de cabelo preso.

 

Examinar se há espaço reservado para lactário, fraldário, solário, sala de descanso e sala de recreação.

 

Verificar a qualidade e quantidade de brinquedos.

 

Observar como a segurança do local é tratada: se há tomadas protegidas, janelas com grades e produtos de limpeza afastados das crianças.

 

Checar como é feita a comunicação entre a creche e os pais, e se o acesso aos cuidadores é fácil e direto.

 

Olhar atentamente os cuidados com a alimentação, orientação de pediatra e nutricionista, cozinha adequada, controle de validade dos mantimentos, como a comida é manuseada, se há uma sala de alimentação apropriada.

 

Analisar se o horário de funcionamento é condizente com a necessidade dos pais.

in http://www.estadao.com.br/

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