O processo de luto nas crianças

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lutoA morte é um acontecimento inevitável, com qual mais cedo ou mais tarde rodos nos deparamos. Se para um adulto nem sempre é fácil lidar com ela, para as crianças o processo de luto pode ser facilitado desde que haja uma atitude de abertura e honestidade para com a criança. A mote é um assunto que não deve ser evitado pois evitar falar sobre ele leva a que a criança sinta o assunto como “proibido” ou como tabú.
Mas como falar sobre um assunto tão delicado? A linguagem a usar deve ser clara, directa, simples e adequada à idade da cirnaça, mas sem se recorrer a eufemismos. Assim, a criança deve saber a verdade e esta deve ser explicada com todos os detalhes e informações que ela consiga compreender. Deve-se também ouvir cim atenção todas as questões que a criança queira colocar e responder às mesmas com mairo exactidão possível.
E quanto aos funerais? Deverão as crianças participar nestas cerimónias? À partida tudo dependerá da relação com o falecido e da forma como a própria família encarar esse momento mas, de uma forma geral, as crianças não devem ser forçadas a participar em funerais, velórios ou outros rituais associados á morte. No entanto, devem ser encorajadas a participar em algumas partes desses eventos, nomeadamente as que se sintam confortáveis, explicando antecipadamente à criança o que vai acontecer.
Outro aspecto muito importante a ter em conta quando se lida com uma situação de morte (ou morte iminente) é encorajar a criança a expressar os seus sentimentos, devendo o apoio necessário ser prestado tanto pelos pais como também por outros familiares próximos. Além disso, os próprios professores, educadores, cuidadores podem dar o suporte necessário e minimizar o medo e os receios da criança, respondendo às suas questões de forma honesta e, encorajando a partilhar o seu sofrimento inicial.
É ainda necessário ter em conta que nos dias mais próximos a uma morte ou perda (nos primeiras dias, semanas ou até meses), os adultos devem evitar criticar ou reagir de forma negativa aos sentimentos das crianças e, mesmo que a criança repita vezes sem conta as mesmas questões, a resposta a dar deverá ser sempre a mesma e, uma vez mais, de forma aberta, honesta e pacientemente.
As crianças mais novas podem mostra-se preocupadas com a possibilidade de sem abandonadas ou negligenciadas, ou ainda sentirem-se responsáveis pela morte. Isto pode ser feito directa ou indirectamente, sendo as alterações no apetite, as queixas de mal-estar e mesmo as alterações nos padrões de actividade, indicadores de preocupação ou ansiedade na própria criança. A melhor forma de ajudar a criança a lidar com estes receios é reconhecê-los e assegurar à criança que ninguém deixará de cuidar dela e que não são os seus sentimentos ou pensamentos que poderão provocar uma morte.
O conceito de morte é compreendido de diferentes formas, consoante a idade. Assim, a criança:
Entre os 2,5 e 3 anos:
– consegue reconhecer a ocorrência de uma morte, mas não compreende a realidade da mesma
– pode encarar a morte como algo temporário, sobretudo em idade pré-escolar, o que em muito se deve à influência dos jogos e dos desenhos animados (fazer-se de “morto” e depois levantar-se)
Entre os 5 e os 9 anos:
– em geral, encara a morte como algo permanente, final e universal, podendo personificar a morte como uma pessoa ou um fantasma que leva as pessoas
– normalmente já está preparada para fazer parte dos rituais que envolvem a morte, como por exemplo, visitar a família do falecido, ir ao funeral, etc. Ainda assim, estas situações devem ser detalhadamente explicadas à criança, incluindo o objectivo do acontecimento

A partir dos 10 anos
– nesta fase é comum tanto as crianças como os adolescentes mostrarem relutância em falar sobre os seus sentimentos, em parte devido ao facto de considerarem que, sendo jovens, a morte é algo muito distante
– as crianças em idade escolar conseguem entender o significado da morte, mas podem agir como se nada se tivesse passado devido a se sentirem sobrecarregadas com todos os sentimentos com que têm de lidar
– poderão surgir sintomas dores de cabeça, de estômago, cansaço fora do habitual, etc.), que mais não são do que a manifestação física de sentimentos não exteriorizados; podem ainda aparecer mudanças no comportamento, desconcentração, diminuição do rendimento escolar e mesmo, resistência em ir para a escola
Para além do que já foi referido, é importante as famílias promoverem a recuperação emocional da criança, ajudando-a a passar pelo processo de luto. Isto pode se feito falando abertamente sobre a morte que ocorreu, deixando a criança participar nos rituais caso ela mostre interesse, manter as rotinas familiares, deixar a criança perceber que todos estão a sofrer, etc. Poderá ser igualmente útil colocar uma fotografia do falecido num local visível da habituação o que ajudará a criança aperceber que se pode falar sobre a pessoa que morreu e mantê-la nas suas memórias.

Adolescentes
– apesar de terem uma compreensão da morte semelhante à dos adultos, os adolescentes têm ainda mais dificuldades em lidar com a sua dor do que as crianças; da sua dor e perda podem resultar problemas de comportamento, abandono escolar, queixas físicas, promiscuidade sexual e até mesmo tentativas de suicídio.

Sílvia Fernandes
Psicóloga Clinica
Especialista do DoBebe.com

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