Os “grandes imitadores”

As crianças observam atentamente o mundo para aprenderem. Observando e imitando depois de assimilarem e processarem as novas aquisições têm comportamentos e atitudes que surpreendam os adultos


As crianças na sua ânsia de conhecimento observam tudo à sua volta e desenvolvem as suas capacidades imitando e experimentando. A imitação é um método complexo porque engloba a destreza manual, as expressões fisionómicas, as reacções, a entoação da fala… As crianças são “autênticas máquinas” de processamento que registam cada movimento, cada olhar, cada palavra!

Como num laboratório, fazem experiências repetidas até conseguirem chegar à perfeição do seu modelo. Durante as fases de aprendizagem, aprendem tudo o que é bom e tudo o que é mau.

Com os pais…

As referências principais na educação dos filhos deverão ser os pais. Com eles, as crianças aprendem não só as tarefas mais complexas, mas também as atitudes, a forma e a dicção… Os mais simples “tiques” ou peculiaridades podem ser imitadas e até bem representadas por uma criança de dois ou três aninhos.

Atender o telefone com um simples “Alô! Alô!”, sacudir o cabelo repetidamente para o retirar do rosto, podem ser gestos facilmente copiados, até por uma criança com o cabelo extremamente curto. Eles imitam tudo na perfeição.

Primeiro observam e depois tentam executar de uma forma mais ou menos semelhante as acções. Por vezes, na tentativa de nos imitarem… estragam os botões da televisão, inundam a casa de banho ou até colocam o seu ursinho na máquina de lavar a loiça…

No infantário

A educadora é geralmente o seu primeiro modelo no infantário porque a admiram. Imitam-na no modo como trata os colegas, como ordena que façam determinada tarefa… Mas no infantário também há outros exemplos a seguir (às vezes seria melhor que não): os colegas de sala.

É habitual vermos semelhanças entre comportamentos. Se uma criança se destaca na sala pelos seus comportamentos e atitudes é provável que as outras crianças tentem imitá-la. Muitas vezes copiam procedimentos indesejáveis e têm atitudes que gostaríamos que não tivessem aprendido.

No refeitório, por exemplo, se uma das crianças faz um bochecho com o leite e o expele para cima da mesa, se isso der origem a uma gargalhada, provavelmente outras crianças, em qualquer outro momento, tentarão repetir a proeza para provocarem o riso dos presentes.

Com os irmãos mais velhos

Os irmãos mais velhos são outra das referências mais comuns entre as crianças. Para além de ser uma forma de se integrarem num “clã” (a família), imitar os irmãos mais velhos faz com que as crianças se sintam mais crescidas.

Os irmãos são uma fonte inesgotável de informação e de aprendizagem, por isso, não se espante se o seu pequenito se sair com uma expressão que ouviu ao irmão, mesmo que em contexto desadequado. As crianças aprendem tudo – o bom e o mau – e também a estar no mundo e a saber conviver com ele.

Os avós

Os avós têm uma forma diferente da dos pais de olhar para a educação das crianças, todavia essa mesma diferença é saudável para os seus filhos. As diferenças permitem às crianças perceberem que há diferentes formas de actuar e que todas podem ser válidas.

Se as crianças convivem muito com os avós é provável que imitem também os seus maneirismos e atitudes. Muitas vezes, quando os pais as repreendem por uma ou outra atitude, é provável que lhe digam ingenuamente “Tu não sabes! A avó é que sabe e diz isto”. Para eles, a verdade dos avós sobrepõe-se muitas vezes à dos pais.

A necessidade de estimulação

Pode aproveitar o facto da criança a tentar imitar para melhorar os seus conhecimentos. Para além da importância dos exemplos, pode ainda ajudá-la a desenvolver-se fisicamente. Eis alguns aspectos a ter em conta:

Pratique alguns exercícios físicos com o seu filho.

Se o ajudar pode melhorar as suas habilidades motoras. Experimente gatinhar ao seu lado, pular, elevar os braços, esticar-se e rebolar-se… Todos os exercícios simples são úteis para a criança.

Ajude-o a desenvolver as suas capacidades cognitivas.

Se apontar para um objecto e disser o seu nome, mais facilmente a criança o identificará. Se experimentar tocar numa parte do seu corpo (coração, estômago, barriga) e disser correctamente o seu nome, ele identificá-lo-á e em pouco tempo associá-lo-á quando, por exemplo, lhe doer o estômago e não a barriga.

De saltos altos.

Esta brincadeira permite-lhe reforçar o seu sentido de equilíbrio. Se não tem quaisquer problemas de saúde que prejudiquem a criança ao calçar os seus sapatos (pé de atleta, por exemplo), não proíba a experiência. Aproveite também para o ajudar a emparceirar sapatos diferentes. Desta forma ele irá identificar mais facilmente o seu próprio calçado.

Sentimentos e emoções.

Ensine-a a expressar os seus sentimentos, quer seja por gestos, por sons ou palavras. Se os avós ou o pai vão viajar, leve o seu ao local da partida para que ele se possa aperceber da partida e expresse os seus sentimentos. Desta forma ele perceberá o que acontece e aceitará mais facilmente as ausências, memo quando muito dolorosas para ele.

Não esqueça que, para além de ser o seu modelo, é também a figura mais importante da sua vida. Demonstre-lhe todo o amor e carinho de forma verbal ou física. Beijos repenicados, abraços fortes, festas são expressões que demonstram os seus sentimentos e emoções.

Se ele a vir chorar, não se apoquente, as lágrimas são também uma aprendizagem. Ele ficará a saber que as lágrimas, tal como o riso não são proibidas e fazem parte da vida real. Para que a aprendizagem do seu filho decorra de uma forma saudável, elogie cada progresso e apoie-o em cada fracasso.

Tags from the story
Written By
More from

1.ª Corrida de Bebés AptamilJunior por um início de vida saudável

Durante o mês de Maio, realizou-se a 1.ª Corrida de Bebés, que...
Read More

Deixar uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *