Pai da Criança

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O pediatra Mário Cordeiro alerta que muitos filhos de casais separados que só estão com o pai dois fins de semana por mês ‘ganham um palhaço, mas perdem um pai’ e desafia os progenitores a resistirem ao ‘canto da sereia’.
Luís Gameiro, da Associação Portuguesa para a Igualdade Parental e Direito dos Filhos, prefere escolher a expressão ‘pais Disneylândia’ para explicar que as visitas de 15 em 15 dias originam muitas vezes uma relação ‘profundamente artificial’.
Em declarações à Lusa a propósito do Dia da Criança, que se assinala na terça-feira, Mário Cordeiro defende que esta distribuição do tempo das crianças pode ser de ‘uma tremenda injustiça’ e é baseada no ‘desconhecimento, agruras e ressentimentos do divórcio’. Mas também na ‘pressão das mães, na cultura machista e nos juízes, que não têm noção do que são os superiores interesses das crianças’.
Apesar do ‘grande passo’ dado com a Lei do Divórcio aprovada em 2009, há pais, exceptuando aqueles que se demitem da função, que se tornam quase ‘padrinhos, tios ou palhaços’, acrescenta. Mas as consequências podem ser minimizadas se os próprios pais ‘souberem resistir ao ‘canto da sereia’.
Ou seja: ‘Devem usar as escassas 48 horas de que dispõem para estar com os filhos e servirem de motores de desenvolvimento e de felicidade, mas também de segurança, mimo e regras educativas’.
Caso contrário, as crianças ‘ganham um palhaço, mas perdem o pai’ e ‘ficam amputadas numa das suas vertentes do crescimento: a ousadia, o lidar com o risco, o avançar’.
Também para o psicoterapeuta Vasco Soares há um ‘círculo vicioso’ porque os pais não querem gastar o pouco tempo com ‘conflitos, que podem ocorrer num processo adequado de educação’.
Por exemplo, exigir a realização de trabalhos de casa pode levar o pai a temer ser ‘detestado’. ‘Mas também pode ser visto como um ‘vou ajudar o meu filho a crescer e a desenvolver-se. E ele vai apreciar isso’.
Paulo Quintela, da Associação 26/4 – uma alusão ao número de dias do mês que os filhos passam com a mãe e com o pai, respectivamente – conhece ‘dezenas e dezenas’ de casos, na sua maioria de homens, que às vezes pedem ‘apenas’ mais dias com os filhos.
Porque a ‘alegria, e por vezes a estranheza’ no reencontro com o pai impede uma maior normalidade.
O presidente da associação discorda da definição ‘pais Disneylândia’, mas sublinha que ‘pouco mais tempo há do que para brincar’.
Também considera ‘normal’ que o pai dê ‘lembranças e docinhos’ nos reencontros. ‘A mãe faz o mesmo, nos primeiros dias. E muitas vezes, o verdadeiro motivo é a falta de comunicação ou de conhecimento’, diz.
Em quatro dias mensais, acrescenta, a criança não aproveita o ‘melhor do pai’ e o pai ‘vive frustrado’.
O pediatra Mário Cordeiro remata com a necessidade de uma ‘discussão alargada e serena’ no país, sem considerar o assunto como uma ‘guerra de sexos’, nem as mães ‘sempre como as santas e vítimas’.
Já Vasco Soares lembra que o ‘divórcio é entre pai e mãe e não entre filhos e pais’.

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