Parto Natural ou Cesariana?

partos

A polémica reacende-se de vez em quando: há, em Portugal, demasiados nascimentos por cesariana. São 33,5 por cento do total de partos, contra uma média europeia de 19 por cento e um Plano Nacional de Saúde que fixou como meta para 2010 uma taxa de 24,8 por cento.

 

Interpretados pelos especialistas em Ginecologia e Obstetrícia, os números espelham uma realidade que é já considerada um problema de saúde pública. É que a cesariana – argumentam – é um procedimento que não beneficia nem a mãe nem o bebé. É um procedimento que está associado ao adiamento da maternidade: o corpo vai perdendo elasticidade com os anos, dificultando o parto vaginal. A este factor junta-se o pedido expresso da mulher, por receio de complicações no parto natural ou de consequências na vida sexual posterior.

 

A alimentar a polémica desencadeada pelos números juntou-se uma posição recente da Associação Portuguesa de Bioética, em defesa do direito das mulheres à sua via de parto preferencial nas unidades do Serviço de Nacional de Saúde. Isto porque – sustenta a organização – há grandes disparidades entre as práticas no sector público e no privado: estender a opção da mulher ao SNS reduziria as desigualdades sociais nesta área.

 

Uma proposta que nem a ministra da Saúde nem o bastonário da Ordem dos Médicos acolheram favoravelmente, por entenderem que as cesarianas devem depender da opinião clínica.

 

E há situações que a justificam: quando está em causa a saúde ou a sobrevivência da mãe ou do feto, ou ainda quando a via vaginal se revela inviável (por exemplo, por incompatibilidade feto-pélvica).

 

São razões que nem sempre estão presentes, com a cesariana a constituir o recurso que permite o nascimento no tempo desejado, nomeadamente por conveniência dos pais.

 

São os chamados partos programados, que também podem ser vaginais (por indução).

 

Razões à parte, o certo é que uma cesariana é uma operação, com riscos idênticos a qualquer outra – implica, nomeadamente, uma maior perda de sangue para a mulher e pode envolver algumas consequências pósoperatórias, entre as quais uma infecção do endométrio, a mucosa que reveste o interior do útero. Febres altas, infecções urinárias e paragens intestinais são também possíveis, acontecendo, nos casos de obstipação, que

 

a mulher sujeita a uma cesariana é colocada sob dieta até conseguir que o intestino recupere o seu funcionamento normal. Dores são também frequentes nas primeiras 48 horas.

 

Além disso, requer um internamento mais prolongado. O parto vaginal também não está isento de riscos, mas por ser mais parecido com o fisiológico – o chamado parto natural, sem medicação – envolve uma recuperação mais rápida e uma menor probabilidade de complicações. Afinal, o corpo da mulher está preparado para um nascimento assim.

 

Associada ao parto vaginal está a dor. Ou melhor, a ideia de dor, porque ela nem sempre está presente com intensidade e porque existem técnicas que permitem atenuá-la. É essa a função da epidural, anestesia localizada cuja administração é decidida entre a mulher e o clínico. É quando a dilatação atinge os quatro a cinco centímetros e as contracções se sucedem ao ritmo de uma em cada quatro ou cinco minutos que é aplicada. Entre duas contracções, com a mulher dobrada sobre si mesma e imobilizada o mais possível, um anestesista injecta o líquido que irá retirar a sensibilidade à parte inferior do corpo.

 

A epidural actua apenas sobre a dor, não prejudicando a saúde do bebé – é que o líquido injectado não penetra na corrente sanguínea, pelo que não atinge a placenta. E, por ser uma anestesia localizada, também não interfere com a capacidade da mulher para participar no parto. Antes pelo contrário: deixa-a mais tranquila por eliminar a tensão causada pela dor e permite-lhe que se concentre melhor nas instruções do obstreta ou da enfermeira-parteira.

 

Ainda no domínio da dor, outra boa notícia diz respeito às actuais técnicas de episiotomia – trata-se de um corte cirúrgico feito na região do períneo para auxiliar a saída do bebé, evitando a ruptura de tecidos. A sutura é feita imediatamente após o parto e cicatriza em poucos dias.

 

Um parto normal segue um ritmo próprio, que envolve a ruptura da chamada bolsa de águas, contracções e dilatação do colo do útero, desembocando na expulsão do bebé em conjunto com o esforço da mãe. Há, porém, situações em que é necessário apressar este ritmo, recorrendo-se à indução do parto mediante o rompimento precoce da bolsa ou a administração de medicamentos.

 

Faça-se pela via vaginal ou por cesariana, o parto é sempre um momento esperado com grande ansiedade. Afinal, não há mulher que não conte os segundos para ter o seu bebé nos braços.

 

 

 

Uma mala especial

 

A ida para a maternidade deve começar a ser preparada com alguma antecedência em relação à data prevista para o parto. Afinal, há bebés que pregam a partida de nascer mais cedo…

 

O que levar é a questão que domina na hora de fazer a mala. Mãe e bebé vão precisar sobretudo de roupa e artigos de higiene, mas há outros aspectos a considerar:

 

• Para a mãe – duas a três camisas de dormir, com abertura fácil para permitir a amamentação; dois ou três sutiãs de amamentação; vários pares de cuecas, de preferência descartáveis; um roupão; produtos de higiene pessoal; chinelos confortáveis; chinelos para o banho; toalha de banho (se não quiser usar as da maternidade); pensos higiénicos; discos absorventes e, naturalmente, roupa para a saída (que também pode ser levada posteriormente).

 

• Para o bebé – várias mudas de roupa confortável (tipo babygrow); bodies (dois a cinco); meias ou botinhas; chupeta; fraldas e produtos de higiene.

 

Além disso, a mulher não deve esquecer-se dos seus documentos pessoais e dos resultados dos últimos exames prénatais.

 

Naturalmente que estes são apenas elementos indicativos do básico de uma mala para a maternidade. O que é importante é que ela esteja preparada antes de o bebé dar os primeiros sinais de querer nascer.

 

 

 

Fonte: FARMÁCIA SAÚDE – ANF

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