Placentofagia: Por que é que as pessoas comem a placenta?

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placenta0982Afinal, comer placenta será mesmo bom para a saúde? Em anos recentes, estrelas de cinema e outros famosos foram manchete nos jornais ao anunciarem que pretendiam comer a placenta após o nascimento dos seus filhos – entre eles, o actor americano Tom Cruise.

A prática tem vindo a ser adoptada por muita gente e já há empresas a oferecer serviços nessa área. Algumas levam o produto para ser desidratado e colocado em cápsulas para que possa ser ingerido pela mãe. Não há, no entanto, evidências científicas sobre os benefícios de comer a placenta.

 

Órgão vascular que une o feto à parede do útero materno, permitindo a passagem de materiais nutritivos e oxigénio para o sangue do feto e a eliminação de dióxido de carbono e resíduos nitrogenados, a placenta é um dos subprodutos do parto e, na maioria dos casos, é descartada após o nascimento do bebé.

Defensores da «placentofagia» argumentam que o órgão – ensanguentado e com aparência que muitos considerariam repulsiva – contém muitos nutrientes e pode ser um alimento precioso para a mãe no momento em que está a recuperar do parto e se prepara para amamentar o bebé.

Algumas mulheres estão a optar por beber uma vitamina de placenta algumas horas após o parto. Outras cortam um pedaço do órgão para colocá-lo sobre a gengiva.

Elas dizem estar convencidas de que a prática lhes dá uma injecção de energia, pode aumentar a produção de leite e até prevenir a depressão pós-parto.

A empresa Independent Placenta Encapsulation Network (IPEN) oferece treino e serviços nessa área. Cobra cerca de 250 dólares para transformar a placenta em cápsulas e 40 dólares por uma vitamina de placenta. Mas, neste momento, a companhia aguarda a decisão de um tribunal sobre um processo que pode resultar no seu fecho.

Em Outubro do ano passado, uma autoridade local no condado inglês de Hertfordshire, o Dacorum Borough Council, proibiu a IPEN de oferecer os seus serviços alegando estar preocupada com os riscos de contaminação do produto por bactérias.

O caso ainda está a ser avaliado.

Os seres humanos são uma minoria no que diz respeito à prática de comer a placenta após o nascimento do bebé. À excepção de mamíferos marinhos e de alguns domesticados, todos os outros mamíferos consomem os subprodutos do parto.

Na China, há uma crença de que a placenta teria propriedades curativas e placenta desidratada é usada em alguns remédios tradicionais. No mundo ocidental, no entanto, a prática é bem mais recente – e polémica.

Em 1998, um canal de televisão da Grã-Bretanha foi repreendido pela autoridade que regula o conteúdo de transmissões no país após exibir um programa em que a placenta de uma mulher foi servida como patê pelo chef Hugh Fearnley-Whittingstall.

O órgão foi frito com cebola e alho, flambado, transformado em puré e servido com pão para 20 familiares e amigos da mãe. A Broadcasting Standards Commission disse que o programa tocava num assunto tabu e desagradou muitos telespectadores.

Até hoje, não foi feito um estudo científico com grupos de controlo para descartar a possibilidade de um efeito placebo e estabelecer com certeza se a ingestão da placenta traria, ou não, benefícios para seres humanos.

No ano passado, a University of Nevada, na cidade de Reno, Estados Unidos, entrevistou mulheres que haviam comido as suas placentas. Muitas relataram benefícios, mas, segundo os cientistas, mais estudos são necessários.

O Royal College of Midwives (RCM), uma faculdade britânica de parteiras, disse que não há evidências suficientes para que o RCM adopte uma posição, contra ou a favor, da prática da placentofagia.

 

in diário digital

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