Portuguesas mal informadas sobre legalização do aborto

A Associação para o Planeamento da Família (APF) vai promover a partir de amanhã, quarta-feira, a campanha de informação “Interrupção Voluntária da Gravidez, conheça os seus direitos”. Na prática trata-se de fazer chegar a Centros de Saúde, Unidades de Saúde Familiar, Autarquias, instituições de ensino, e também através de campanhas móveis de rua em todo o País – incluindo os Açores e a Madeira – informação detalhada sobre a legalização do aborto e os direitos das mulheres cuja opção é interromper a gravidez.
casais estão em lista de espera para realizar tratamentos de infertilidade.
“Temos testemunhos de várias lados de mulheres que recorrem ao aborto clandestino, nomeadamente mulheres de grupos sociais mais desfavorecidos. Ao mesmo tempo, continua a existir o comércio paralelo de medicamentos abortivos”, disse ao CM o director executivo da APF, Duarte Vilar. “Esta forma de aborto não vigiada representa riscos para a saúde da mulher”, acrescentou.

De acordo com um estudo da APF divulgado em Dezembro de 2006, e realizado unicamente através de inquéritos anónimos, em 2005, antes da legalização da interrupção voluntária da gravidez, mais de 17 mil mulheres portuguesas recorreram ao aborto clandestino. “O aborto agora é legal, mas os dados hospitalares permitem afirmar que em 2008 existiram cerca de 18 mil abortos, realizados de forma legal e vigiada”, sublinha Duarte Vilar.

Por outro lado, Elisabete Souto, coordenadora da Linha Opções refere que a APF recebe uma média de 60 a 70 chamadas por mês, na maioria das quais mulheres com dúvidas em relação à interrupção voluntária da gravidez: “São na sua maioria mulheres entre os 20 e os 35 anos que nos ligam, muitas vezes com suspeitas de gravidez, outras já com a gravidez confirmada. Querem saber onde se dirigir, o que acontece na interrupção voluntária da gravidez, se tem custos, se é confidencial, se é em regime ambulatório ou não…”.

A linha Opções da APF é confidencial e funciona nos dias úteis entre as 12h00 e as 20h00 através do 707 2002 49. “Ainda há um grande desconhecimento sobre como se inicia o processo de interrupção voluntária da gravidez. E depois do aborto muitas mulheres ligam com dúvidas pós intervenção”, diz Elisabete Souto.

A Associação para o Planeamento da Família quer alargar o leque de medidas contraceptivas disponíveis nas consultas de planeamento familiar e vai agendar uma reunião com a Direcção-Geral de Saúde ainda este semestre: “Queremos que o anel vaginal, por exemplo, seja uma opção. É um método seguro para quem se esquece de tomar a pílula. Aliás, a maioria dos médicos receita a pílula sem referir todos os restantes métodos que existem”, afirma Duarte Vilar.

Entre as mulheres que optam pela interrupção da gravidez, apenas uma pequena parte desiste de o fazer: “De acordo com os dados dos técnicos da maternidade Alfredo da Costa, em 2008, 10 por cento das mulheres desistiram de abortar quando já o tinham planeado fazer”, remata Elisabete Souto.

in CM

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