Queria um bebé louro de olhos azuis com estofos em pele e jantes especiais

Há quem coleccione automóveis. Outros preferem jóias. Alguns optam pelas casas e finalmente os que compram tudo isto e ainda um Iate. E claro, o mercado dos bebés, que começa a florescer.

Há quem compre um bebé como quem compra o ultimo grito do mundo automóvel.

"Adquira o último grito, ou melhor, o último choro em termos de bebés. Alcofa e cadeirinha em pele, tecto de abrir Sky view ou já com alguma penugem, tablier em nogueira ou carvalho com o Noddy ou o Ruca gravado em diamantes. Gatinha dos 0 aos 10 Km/h em 4,5 segundos e faz consumos de 3,4 caixas de Cerelac ou 4,8 de Nestum mel aos 100 m. Sistema GPS "drive me home by myself se o papá se orientar na discoteca" e possibilidade de chip integrado para falar mal várias línguas e sotaques. Sistema eco com fraldas descartáveis e habitáculo à prova de choro nocturno. Garantia total de 2 anos com possibilidade de extensão. Faça já um teste drive."

E nisto do mercado de bebes há mesmo quem seja intransigente na hora de concretizar o negócio. Quando é sugerida a hipótese de uma barriga de aluguer respondem prontamente: "Não sou pessoa de alugar coisas. Ou compro ou nada feito". Não ando por aí com um bebé a dizer AVIS ou EUROPCAR no babygrow.

Até as reacções dos pais estão a mudar em relação à notícia do nascimento de um filho. Normalmente quando uma pessoa sabe que vai ser pai sai-lhe sempre uma frase do género " hoje é o dia mais feliz da minha vida". E com razão. Um filho não é um relógio de pulso que brilha no escuro ou uma daquelas `mariconeras´ em pele de trazer debaixo do braço. Mas hoje em dia há quem receba a notícia de paternidade com outro tipo de sentimento, do género "olha, hoje foi o dia mais caro da minha vida, pá".

Ai sim e então porta-se bem o brinquedo novo? Não faço ideia, nunca o vi. Só no catálogo. Dava para escolher com ou sem a mãe de origem. Era um extra. E eu nesta coisa das crianças gosto de escolher a mãe com tranquilidade. Paguei para vir sem mãe. E há um leilão jeitoso de mães em Ibiza durante o mês de Agosto. Fui agora de férias uns dias com a…não me estou a lembrar do nome dela…esta última, a não sei quantas. Ela é de leste ou assim, falamos pouco.

Mas deixei o puto a ver o BabyTV e com uma daquelas rocas penduradas no tecto para estar distraído. Não sou inconsciente. E quero que o miúdo tenha uma mãe como todos merecem ter. Não sou egoísta. Trouxe-lhe uma boneca insuflável com aspecto oriental que conta até dez dólares e diz thank you e very nice quando lhe tocam em algumas partes do corpo. Quero que o puto tenha uma boa educação. E o amor materno é fundamental. Não há milhões que o paguem ou substituam. E não sou egocêntrico como aqueles que dão o mesmo nome ao puto como se ele não tivesse identidade. Agora vou experimentá-lo. Ver como se comporta. Até porque só tenho 30 dias para o devolver ou trocar por uma Ducati.

Não devia ser permitido a uma mãe vender o seu próprio filho. Abdicar de participar na educação deste a troco de dinheiro. Em parte alguma do mundo. Mas vendo bem estas pessoas não são mães. São outra coisa.
in Expresso

 

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