Recém-nascido: O despertar dos sentidos

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Um bebé pouco parece fazer mais do que dormir, comer, chorar e… sujar fraldas nas primeiras semanas de vida. Pouco ou nada parece aperceber-se do novo mundo que o rodeia, mas na verdade os seus cinco sentidos estão a funcionar e alerta e ele vai captando todos os estímulos – os sons, as luzes, os cheiros… E vai reagindo. Difícil é saber o que motiva essas reacções, mas elas acontecem de uma forma bem mais complexa do que o escasso tempo de vida deixaria antever.
Visão – o fascínio dos rostos
Quando nascem, os bebés vêem apenas formas nubladas, esborratadas, e isto porque a sua capacidade de visão à distância ainda não está plenamente desenvolvida. Mas são capazes de ver um rosto que lhes esteja muito próximo: é por isso que reconhecem facilmente, e antes de tudo, o rosto da mãe ou de outro cuidador habitual – dar de mamar ou o biberão obriga a um contacto visual (e físico) muito estreito, facilitador desta forma de comunicação (e de intimidade).
Mas rapidamente esta limitação é superada e pelos três meses os bebés já são capazes de reconhecer o rosto de qualquer pessoa que se aproxime. Os rostos humanos são, aliás, um dos primeiros motivos de brincadeira dos bebés: basta atentar no modo como reagem perante a sua própria imagem num espelho…
A visão vai assim ganhando definição, mas também contraste: é essa, aliás, a função dos objectos coloridos que habitualmente pendem do berço e dos primeiros brinquedos – ajudam a distinguir a cor (além da forma), por contraste com os tons mais suaves que os bebés têm dificuldade em apreciar.
As cores fortes – o vermelho, o amarelo, o verde e o azul – são, pois, preferíveis às mais discretas. Ao longo dos três primeiros meses de vida, também a coordenação dos olhos vai melhorando: entre o segundo e o terceiro mês, os bebés são já capazes de seguir um objecto num movimento de 180 graus (metade de uma circunferência). Daí o benefício dos "mobiles", que, além disso, ajudam a despertar a coordenação mão-olho: é que, perante o movimento com cor, os bebés tendema esticar-se para tocar nos objectos.
Uma nova fase ocorre entre os quatro e os sete meses. A interacção dos bebés com o meio ambiente vai aumentando – é ver como estão atentos no carrinho de passeio sempre que saem de casa – e, com ela, a acuidade visual. A pouco e pouco, começam a concentrar-se nas imagens, por exemplo na do brinquedo que agarram. Continuam a ver melhor ao perto, mas já conseguem focar-se em objectos mais distantes, distinguir cores e seguir movimentos, ao mesmo tempo que vão praticando a coordenação entre as mãos e os olhos.

 

Pode parecer precoce, mas nesta altura os bebés beneficiam, e muito, de novas experiências visuais: há que alargar horizontes, passeando-os por locais diferentes, com estímulos diferentes – o jardim zoológico, por exemplo, é uma boa opção.

 

Pelos oito meses, os bebés já vêem bastante bem e são capazes de se fixar em objectos em movimento rápido. E são já capazes de colocar as suas capacidades motoras em acção para ir ao encontro desses objectos – por exemplo, gatinhar e ir buscar uma bola que rolou para um canto do quarto.

Até completar um ano, continuam a preferir olhar para os rostos familiares, não se cansando da mesma imagem. E começam já a associar os estímulos visuais a palavras, pelo que aos espaços devem ser atribuídos os respectivos nomes.

 

 

 

Audição – o poder da voz

 

Inicialmente, os bebés comunicam através dos sons – choram. Para manifestar qualquer desconforto – fome, frio, calor, dor, fralda suja… – ou apenas porque sim, para pedir colo. Além dos sons que assim emitem, os seus preferidos são a voz da mãe (e do pai ou de outra pessoa que deles cuide habitualmente): falar, cantarolar são fundamentais para estabelecer comunicação. E há que aproveitar o balbuciar infantil, repetindo os sons que os bebés emitem e esperando que eles façam outros – é assim que se conversa.

 

Até aos três meses também apreciam música, pelo que é uma boa ideia proporcionar-lhes o contacto com brinquedos musicais. Apreciam igualmente os sons do quotidiano – os ruídos da casa, os risos dos irmãos ou de outras pessoas.

 

Mas as vozes continuam a ser fundamentais: nos meses seguintes eles aprendem a distinguir os tons – é por isso que uma voz calma pode fazê-los parar de chorar e um tom mais elevado pode fazê-los sentir que algo está mal. Começam, assim, a reagir ao "não" e a novos sons, como o ladrar de um cão.

 

Pelo sétimo mês, já reconhecem e respondem ao próprio nome, ao mesmo tempo que tentam imitar sons e dedicam mais tempo à "conversa". Não devem ser ignorados nestas tentativas, mas sim encorajados o mais possível: é a fala a desenvolver-se.

 

O leque de sons que os bebés identificam vai-se alargando a pouco e pouco. Ao nono mês já conseguem juntar alguns desses sons e, eventualmente, formar palavras verdadeiras, como "mamã". E um sinal importante é dado quando reagem a determinadas palavras, quando, por exemplo, lhes perguntam "onde está o pai" e eles olham para o pai ou quando lhes dizem "vai buscar a bola" e eles vão. É sinal de que têm estado atentos…

 

No final do primeiro ano de vida, é de esperar que reajam a pedidos simples como "diz adeus", tenham pelo menos uma palavra verdadeira no vocabulário, tentem manter uma conversa, mesmo que seja com "guguda-da".

 

 

 

Cheiro e paladar – quanto mais doce melhor

 

Estes são dois sentidos intimamente ligados, assumindo-se que os bebés detectam cheiros porque detectam sabores. E em matéria de sabores sabe-se que preferem os doces desde o nascimento, mas a verdade é que nos primeiros meses não há muito a dizer na medida em que o único sabor que conhecem é o do leite, materno ou não.

 

Mas, a partir do momento em que começa a diversificação alimentar, é todo um novo mundo que se abre. Despertam para os sabores, mas também para os cheiros, pois entre os quatro e os sete meses já reagem às refeições familiares.

Entre os oito e os doze meses, já têm uma boa ideia dos diferentes sabores e, sobretudo, dos que apreciam e dos que não apreciam. É natural que continuem a preferir os mais doces, mas há que insistir, oferecendo-lhes alimentos variados.

 

Neste intervalo, começam a distinguir outros odores que não os da comida. E quer os sabores, quer os cheiros, devem ser identificados pelo nome. É, mais uma vez, uma forma de estimular a linguagem e a fala.

 

 

 

Tacto – lugar ao afecto

 

O desenvolvimento deste sentido está dependente, nos primeiros três meses de vida, quase exclusivamente dos pais: os bebés sentem-se amados porque os pais lhes tocam, os abraçam, mimam, beijam. O toque desempenha, aliás, um papel fundamental no crescimento e até na saúde dos bebés. E há que estimular este sentido, proporcionando-lhes o contacto com diferentes texturas, das mais suaves às mais duras, das mais quentes às mais frias. E, claro, usando as palavras certas para as descrever.

 

Até ao primeiro ano de vida, são muitas as oportunidades para exercitar o tacto, as quais surgem à medida que os bebés conseguem coordenar os movimentos. Há que deixá-los explorar o terreno, por assim dizer.

 

Mas tendo o cuidado de prevenir acidentes, retirando do seu alcance objectos que possam colocar na boca ou com que se possam magoar. São descobertas enriquecedoras mas que não eliminam nem substituem a necessidade do toque principal: o do afecto.

 

Há que continuar a abraçar, massajar, beijar os bebés para que eles se sintam seguros e amados. O pleno desenvolvimento dos cinco sentidos acontece progressivamente: é um processo por etapas, com balizas mais ou menos marcadas mas que cada bebé pode percorrer ao seu ritmo próprio. Mas se tiver alguma suspeita sobre a capacidade do seu bebé para ver ou ouvir, por exemplo, nada melhor do que falar com o médico de família ou o pediatra: se houver algum atraso, quanto mais cedo for detectado melhor.

 

 
Fonte: FARMÁCIA SAÚDE – ANF
 

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