Todos os pais querem filhos saudáveis e pequenino

Passaram dois anos, restam mais dois. Carlos e Elsa Pedro inscreveram-se em 2007 na Segurança Social para adoptar uma criança e as previsões de espera são de quatro anos. Poderia ser mais rápido se estivessem dispostos a levar para casa um filho portador de deficiências motoras ou mentais. "Nesses casos, os processos são quase imediatos", conta o empresário de Sintra. Mas essa foi uma das restrições colocadas pelo casal. Querem uma criança até seis anos e saudável.

Helena e Sérgio Salomé estão desde 2005 à espera que a Segurança Social encontre o seu futuro filho ou filha que terá de ser um bebé até um ano, caucasiano e sem problemas de saúde. Logo no momento da candidatura avisaram que o processo ia ser longo, mas há motivos suplementares para a demora. "Na altura, tinha 36 anos e o meu marido 43 e a preferência vai para os casais jovens", conta a professora de ensino básico de Lisboa.

Limite de idade, raça ou condições de saúde são algumas das exigência de boa parte dos candidatos à adopção. Pelo menos é isso que revelam os números do relatório do Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social: 93% dos casais pede crianças sem problemas de saúde, 80% prefere um filho branco e até aos três anos de idade.

"Qualquer pai ou mãe deseja ter um filho ou uma filha saudável e connosco não é diferente", admite Carlos Pedro. Se os pais biológicos não podem ter essa opção, as famílias adoptivas têm essa vantagem: "Admiramos muito os que conseguem tomar essa decisão, mas para nós seria uma opção muito difícil, até porque temos casos semelhantes na nossa família", explica. E, portanto, sabem que educar um filho portador de deficiências exige "disponibilidade total" que nem um nem outro consegue ter: "Tomar uma decisão dessa natureza implicaria que um de nós tivesse, por exemplo, de abdicar do emprego ou que tivéssemos um rendimento mais elevado para poder suportar as despesas com a educação da criança", continua. O limite de idade que impuseram é também outro obstáculo para o casal conseguir reduzir o tempo de espera. Uma criança de seis anos – com ou sem irmãos – foi condição imposta por uma única razão: "Queremos que o nosso filho tenha o nosso nome ao entrar na escola", diz Carlos Pedro. Segundo garante, não é uma questão de vaidade, mas apenas uma forma de evitar que a criança seja estigmatizada.

Helena e Sérgio também estão dispostos a esperar mais tempo para ter o filho ou a filha com que sempre sonharam: "Um bebé com mais de um ano traz memórias da sua origem que na maioria das vezes são traumáticas", conta a professora. E quanto mais velhos são, maior é a dificuldade em adaptarem-se a uma nova família: "A raça e a idade são duas características que vão ajudar a criança a sentir que pertence à nossa família", conclui.
in ionline

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