Uma em cada 4 crianças já sofreu bullying

Um estudo realizado pela Universidade do Minho (UM) num agrupamento de escolas do Nordeste Transmontano revela a existência de disseminação do bullying, um em cada quatro crianças foi vítima de agressão pelos pares três ou mais vezes, na escola.

O estudo intitulado "Descrever o bullying na escola" é a primeira fase de uma investigação que deverá ser alargada ao 2 e 3º ciclos, fruto de uma colaboração entre a UM e o Agrupamento de Centros de Saúde. A primeira parte foi aplicada no concelho de Bragança em sete escolas do Ensino Básico, do 2º ao 6º ano de escolaridade. O Jornal de Notícias teve acesso às conclusões, mas nenhum dos responsáveis pelo trabalho se mostrou disponível para as comentar.

Existe "grande diversidade de tipos de bullying, sendo o mais difundido o recurso ao insulto seguido da agressão física". O recreio é o espaço mais mencionado para as ocorrências, apesar ser um local muito valorizado pelos estudantes.

O objectivo do estudo foi proceder ao diagnóstico das questões de agressão/vitimação entre pares no agrupamento de escolas, que não está identificado, com vista a definir um programa de intervenção.

Os directores dos dois agrupamentos de escolas de Bragança, nomeadamente o Paulo Quintela e o Agrupamento Augusto Moreno, negam que os resultados espelhem a realidade dos seus estabelecimentos de ensino. "Não temos registo de nenhum caso", garantiu Luís Freitas, do Paulo Quintela.

Emília Estevinho, do Agrupamento Augusto Moreno, também recusa que existe bullying nas escolas daquele pólo, explicando que existe casos pontuais de "pequena agressividade, muitas vezes não passam de brincadeira".

Os resultados da análise demonstram que a forma mais frequente de vitimização é o insulto, uma em cada quatro crianças já foi vítima de insulto, seguida da agressão física em que uma em cada cinco sofreu este tipo de situação. Em relação às agressões que apresentam menor frequência, "mas que pelas suas características podem ser de grande gravidade", referem os investigadores, encontram-se os insultos ligados às questões de cor e etnia e não dar possibilidade de integração à criança no grupo, "ignorando-a de forma que fique completamente isolada". São ainda reveladas outras formas de vitimização contadas pelas crianças relacionadas com "uma situação de assédio sexual que ocorre nas escolas e em crianças de idades baixas".

 

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